Quarentena intensiva salva vidas e economizaria quase R$ 300 bi ao Brasil

Os economistas Diego Cardoso e Ricardo Dahis analisaram o impacto econômico entre a diferença de mortalidade com o país adotando as medidas de isolamento

Foto - VICTOR MORIYAMA/GETTY IMAGES

Jornal GGN – Vidas salvas por medidas de quarentena poderiam trazer uma economia de até R$ 298 bilhões por mês ao Brasil. Essa é a conclusão de dois pesquisadores brasileiros da Cornell University e da Northwestern University, em estudo publicado recentemente.

Os economistas Diego Cardoso e Ricardo Dahis analisaram o impacto econômico entre a diferença de mortalidade com o país adotando as medidas de isolamento e caso o Brasil não realizasse nenhum tipo de contenção social. As estimativas do estudo concluíram que na primeira projeção ocorrerão 44 mil mortes. Na segunda, 1 milhão.

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Reprodução de estudo divulgado nas redes de Ricardo Dahis

Assim, as vidas salvas também impactam na economia do país, a ponto de os montantes gastos com a proteção de renda e de empregos, necessários quando se aplica restrição de locomoção e quarentenas, serem muito inferiores ao que o Brasil poderá evitar gastar com as mortes.

“Não é que estamos colocando preço na vida. O valor de uma vida individual é infinito. A pergunta que queremos responder é ‘quanto que vale salvar vidas?’. O ideia aqui é quantificar o valor gerado pelo benefício em vidas que foram salvas por conta de todas as medidas do governo”, explicou Diego Carodoso, em reportagem da CNN.

Quando o cenário passa de nenhuma ação de quarentena para um isolamento social intermediário, de 35% até 45% da população, o estudo, ainda não publicado pelo instituto britânico Imperial College of London, calculou que o risco de mortalidade gerará um benefício econômico – ou evitará que o país gaste este montante – de R$ 171 bilhões por mês.

O valor é 2,3% do atual PIB anual.

Em uma terceira suposição calculada, quando idosos são mantidos em quarentena intensiva e o restante da população aplica isolamento intermediário, o ganho em vidas salvas será de R$ 212 bilhões por mês, que equivale a 2,9% do PIB anual.

“Por fim, um cenário de isolamento social intensivo amplo, no qual se poupam mais vidas, valeria R$298 bilhões por mês (4% do PIB anual)”, concluíram Diego Cardoso e Ricardo Dahis.

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Reprodução de estudo divulgado nas redes de Ricardo Dahis

Em suas redes sociais, Dahis informou que os valores ainda poderiam ser maiores. “Pra calcular o benefício de se evitar mortes, usamos ideias da literatura de Value of a Statistical Life (VSL), com números dos estudos mais de ponta para Brasil. E ainda é limite inferior, porque não pega externalidades ou o fato que valorizamos mais nossos familiares e amigos”, escreveu.

Isso porque se a quarentena mais rígida fosse adotada desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Brasil teria 44 mil mortos. Na outra ponta do cenário, no caso mais extremo de nenhum tipo de restrição, o número de mortes por Covid-19 poderia ultrapassar 1 milhão.

As estimativas são feitas baseadas em cenários do @imperialcollege. No caso de nenhum isolamento, o Brasil teria mais de 1 milhão de mortes. Com isolamento intensivo, só 44 mil”, resumiu Ricardo Dahis, em seu twitter.

 

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