Queda do preço do minério de ferro derruba balanço trimestral da Vale

Jornal GGN – A Vale apresentou um prejuízo líquido de R$ 3,381 bilhões durante o terceiro trimestre, revertendo o lucro de R$ 7,949 bilhões registrados no mesmo período de 2013. Os números foram afetados pela queda do preço da matéria-prima e pelas perdas cambiais.

De acordo com os dados divulgados pela companhia, as receitas apuradas somaram R$ 21,055 bilhões, montante R$ 1,423 bilhão ante o segundo trimestre. As receitas foram diretamente afetadas pelo menor preço de commodities (-R$ 3,319 bilhões), e positivamente pelos maiores volumes vendidos (R$ 1,482 bilhão), além do impacto positivo da variação cambial nas receitas (R$ 414 milhões). 

Assim como aconteceu no mercado global, a empresa também viu os preços médios da venda de minério em queda – a toneladas de finos de minério atingiu US$ 68,02, contra US$ 84,60 no trimestre anterior e US$ 109,93 no terceiro trimestre de 2013. A companhia ainda elevou os estoques no centro de distribuição na Malásia em dois milhões de toneladas. Além disso, parte do volume deduzido é transferido para a produção de pelotas. Em meio à piora dos preços, a empresa acabou apresentando um prejuízo líquido junto com a sua melhor performance de produção na história, com a extração de 85,7 milhões de toneladas de minério de ferro.

A empresa apresentou um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 6,854 bilhões, com R$ 1,793 bilhão – 26,1% do EBITDA da Vale no terceiro trimestre – provenientes do segmento de metais básicos em função do recorde de produção de cobre, bem como a melhor produção de níquel para um terceiro trimestre desde o terceiro trimestre de 2008.

“Na carona da queda do preço do minério, a Vale apresentou um resultado mais fraco, mesmo após o desempenho na produção ter apresentado uma performance positiva. O segmento de metais básicos continuou exercendo uma influência positiva, em especial na produção, vendas e preço de níquel”, diz o BB Investimentos, em relatório.

Para a Concórdia Corretora, os impactos negativos da queda do preço do minério e da variação cambial no resultado financeiro já eram esperados pelo mercado. “Os resultados vieram enfraquecidos no trimestre e devem continuar pressionados pelo menor patamar do preço do minério no curto prazo, em razão dos altos estoques nos portos chineses, e ritmo mais demorado para fechamento de capacidade de unidades menos eficientes”, diz a corretora.

Apesar do prejuízo, Vale diz que balanço foi ‘saudável’

Apesar do prejuízo apurado no trimestre, a Vale afirma que conseguiu manter seu balanço “saudável, com baixa alavancagem, ampla cobertura de juros, longo período de maturidade e baixo custo de dívida”.

A dívida líquida diminuiu em US$ 2,156 bilhões desde 30 de junho de 2014, alcançando US$ 21,034 bilhões. Em 30 de setembro de 2014, a dívida total da Vale foi de US$ 29,366 bilhões com posição de caixa de US$ 8,332 bilhões.

A receita operacional diminuiu para R$ 21,055 bilhões, ficando 6,3% menor do que no segundo trimestre. De acordo com o balanço divulgado, a diminuição ocorreu principalmente devido a menores preços de venda de minério de ferro (R$ 2,335 bilhões) e de pelotas (R$ 452 milhões), que foram parcialmente compensados por um maior volume de vendas de pelotas (R$ 605 milhões) e de metais básicos (R$ 508 milhões).

No terceiro trimestre, o custo dos produtos vendidos (CPV) foi de R$ 14,810 bilhões, o que significou um aumento de R$ 565 milhões em relação ao segundo trimestre do ano, após o ajuste dos efeitos de maior volume (R$ 454 milhões) e variação cambial (R$ 224 milhões). Os principais fatores para o aumento no custo foram depreciação (R$ 473 milhões) e manutenção (R$ 198 milhões).

Nos primeiros nove meses de 2014, os investimentos da Vale totalizaram US$ 8,232 bilhões, representando uma queda de US$ 2,161 bilhões em relação ao apurado em 2013. Os investimentos em execução de projetos totalizaram US$ 5,641 bilhões, representando um decréscimo de US$ 1,560 bilhão ao mesmo tempo em que o capex de manutenção totalizou US$ 2,591 bilhões, uma redução de US$ 600 milhões no ano em relação aos primeiros nove meses de 2013.

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