Sem título

Do leitor Getúlio do Brasil, ops, Gesil S. Amarante

Caro Odracir,

1- O mesmo professor que trabalha na pós-graduação também orienta alunos de iniciação científica (graduandos). Nem sempre isso funciona e lembro bem que esta discussão foi feita quando eu era aluno, dos professores que só queriam trabalhar com a pós. Não pode haver um distanciamento pois para os casos em que há separação de um grupo de pesquisadores da graduação existem centros de pesquisa (inpe, por exemplo). Na Universidade, o ensino e a pesquisa devem se retroalimentar e é justamente esta proximidade que faz a diferença. Como aluno de graduação na UFRJ, pude interagir com pesquisadores de excelente qualidade e ter contato com o que estava acontecendo de bom na área aqui e lá fora.

2 – Não é verdade que não exista mérito nas pesquisas e nos pesquisadores brasileiros. O Brasil conta com pesquisadores respeitados internacionalmente e eu mesmo já te citei exemplos de resultados práticos disto para você no post anterior. Existe uma série de problemas no nosso sistema e existem problemas de avaliação da produção científica no mundo inteiro (lembra do fiasco do geneticista coreano que afirmou ter clonado células humanas?). Daí a dizer que a meritocracia é uma prerrogativa americana ou européia é um descalabro de exagero.

3 – O problema dos físicos e engenheiros que foram enviados à Alemanha nos anos 70 e 80 pelo acordo nuclear foi muito mais de gestão que qualquer outra coisa, além de uma pitada de cultura militar que não combina em nada com ciência. Para um militar querer fazer ciência ele tem que ser do tipo especial que não pensa só como militar, o que não é fácil (o fundador do CNPq é um exemplo). Veja o exemplo de Alcântara. Vidas foram perdidas porque o comando (militar) economizou nos sistemas de seguramça, porque militares aceitam vidas serem perdidas como fato normal. Fiz pós na USP e ficava perto do IPEN, conversava com alunos que lá trabalhavam e ouvi estórias hilárias do Projeto Aramar (sub nuclear brasileiro). Conta-se, por exempo, que quando fizeram o projeto do reator, perceberam só depois que ele não cabia no projeto do submarino. Depois aumentaram o tamanho do submarino e viram que ele era pesado demais para a potência do reator. Isso pq os projetos só se encontravam na fase final, por uma questão de segredo militar…

Houve uma briga semelhante entre militares e pesquisadores civis durante o projeto Manhatam, só que os civis venceram. A bomba funcionou, como todos sabemos.

3 – Outro problema é a cultura ainda pouco difundida de pesquisa aplicada à indústria. Há falta de cultura de investimento em pesquisa por parte de nossas empresas, excetuando as estatais e outras poucas, e ainda falta de cultura de nossas universidades na interação com estas. Vejo isso como uma frente que vem sendo atacada nos últimos anos mas que ainda está longe de ser resolvida.

4 – De toda forma, uma coisa é certíssima em qualquer lugar do mundo: Não desenvolver um sistema de C&T decente, bem estruturado e bem irrigado ($) é o caminho certo para um país dar errado. O Barsil tem uma base boa sobre a qual trabalhar, mas infelizmente, alguns presidentes nossos não tiveram a visão necessária da importância deste aspecto e perdemos oportunidades muito boas.

Mire-se na Coréia (em boa parte) nesta questão, e não na Argentina.

Caro Gesil,
então, dialeticamente estamos chegando a uma síntese…

1 – Concordo com o que você escreveu, mas o que você mostra é que há uma diferença entre a teoria e a pratica.

2 – O que estou chamando a atencao é o fato de que nao haa uma competividade entre os grupos de pesquisas no Brasil como acontece nos EUA. Se houvesse tal competividade, entao a producao cientifica brasileira (acredito) iria aumentar. O sistema de fomento aa pesquisa ainda é (em grande parte) privilegio a uma certa casta (que em grande parte faz parte do ensino publico). COM relacao aos coreanos, assim caminha a ciencia… nao foi a primeira vez, nao vai ser a ultima. A ciencia caminha desta forma. Os resultados dos experimentos sendo ratificados ou rejeitados por outros grupos e pela comunidade cientifica – acredito que é o tal chamado metodo cientifico.

Sobre o proj. aramar, do jeito que taa indo, realmente foi dinheiro jogado fora… com relacao aa alcantara e o projeto do foguete/satelite do INPE, ainda vejo e tenho uma esperanca que de certo, dependendo do interesse do gov. federal.

3- Mais uma vez, é um problema conceitual e cultural brasileiro… Enquanto tivermos este conceito sobre Estado grande, que se mostra na burocracia nas univ. publicas, vai ser dificil a coisa andar… pq você acha que os institutos fazem as tais “fundacoes”? Acredito que grande parte é para burlar a burocracia…

4 – sim, correto. Porem, como resolver o problema do ensino superior se o ensino basico é falho? A C&T vai melhorar a partir do momento em que a massa critica que entrar nas univ. aumentar, i.e., o aumento de numero de alunos com qualidade provindo do ensino basico.

Do leitor Ricardo vice, ops, Odracir versa

Caro Gesil,

então, dialeticamente estamos chegando a uma síntese…

1 – Concordo com o que você escreveu, mas o que você mostra é que há uma diferença entre a teoria e a pratica.

2 – O que estou chamando a atencao é o fato de que nao haa uma competividade entre os grupos de pesquisas no Brasil como acontece nos EUA. Se houvesse tal competividade, entao a producao cientifica brasileira (acredito) iria aumentar. O sistema de fomento aa pesquisa ainda é (em grande parte) privilegio a uma certa casta (que em grande parte faz parte do ensino publico). COM relacao aos coreanos, assim caminha a ciencia… nao foi a primeira vez, nao vai ser a ultima. A ciencia caminha desta forma.

Os resultados dos experimentos sendo ratificados ou rejeitados por outros grupos e pela comunidade cientifica – acredito que é o tal chamado metodo cientifico.

Sobre o projeto Aramar , do jeito que taa indo, realmente foi dinheiro jogado fora… com relacao aa alcantara e o projeto do foguete/satelite do INPE, ainda vejo e tenho uma esperanca que de certo, dependendo do interesse do gov. federal.

3- Mais uma vez, é um problema conceitual e cultural brasileiro… Enquanto tivermos este conceito sobre Estado grande, que se mostra na burocracia nas univ. publicas, vai ser dificil a coisa andar… pq você acha que os institutos fazem as tais “fundacoes”? Acredito que grande parte é para burlar a burocracia…

4 – sim, correto. Porem, como resolver o problema do ensino superior se o ensino basico é falho? A C&T vai melhorar a partir do momento em que a massa critica que entrar nas univ. aumentar, i.e., o aumento de numero de alunos com qualidade provindo do ensino basico.

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