Sem título

Do leitor André Araújo

Nassif:

A questão do controle do tráfego aéreo está sendo debatida superficialmente, como vimos ontem no Roda Viva. Existem no mundo todos os tipos de sistemas, alguns sob controle militar, outros civil e outros mistos, mas há sempre uma supervisão militar de carater estratégico pois o espaço aéreo é um só tanto para uso civil como militar e o espaço aéreo, como a fronteira marítima, envolve para qualquer País aspectos de segurança nacional e soberania que não podem ser manejados exclusivamente como assunto civil ou comercial.

A tradição brasileira é de controle militar, funcionou perfeitamente em quase 80 anos de aviação comercial no País e se a opção for pela transferência ao controle civil, terá que ser muito bem planejada, vai levar anos e não será uma coisa facil.

Se essa for a opção o estabelecimeto militar aeronáutico deverá ter em reserva um numero bastante elevado de controladores de vôo para garantir a segurança do sistema.

No inicio do Governo Reagan, nos anos 80, houve uma greve total dos 14.500 controladores de bôo nos aereportos americanos, a greve não teve solução, paralisou o País, o Governo Reagan despediu todos e os EUA não pararam por completo porque havia uma reserva militar para substitui-los até se treinarem novos civis, o que levou anos.

Se optarmos pelo controle exclusivamente civil, esse sindicato será poderosìssimo e poderá parar facilmente os aeroportos.. Foi o controle militar de hoje que, mal ou bem, resolveu a questão, pelo menos temporàriamente.

Nos EUA hoje o sistema está tão estruturado que é possivel consultar por internet a FAA para saber, em cada aeroporto do País, como está o tráfego aéreo e se haverá atrasos e de quanto será esse atraso (vide link). A FAA é dependente do Ministério dos Transportes e está muito mais próxima do público do que parece ser o desenho aqui da ANAC, uma nova torre de marfim de pedestal burocrático.

Tampouco a FAA é uma agência independente, o A final é Administration, significa um setor do Ministério dos Transportes, dependente do Poder Executivo, não é uma agência como se pretende a ANAC, modelo que dificulta muito a operação do sistema.

Se se optar pelo controle civil do tráfego aéreo onde será colocado? A lógica será no Ministério dos Transportes, que não tem tradição de eficiência. Minha opinião é de que deve continuar na Defesa, usando ao máximo o pessoal da Aeronáutica, aos quais deve ser dada uma gratificação especifica por esse trabalho, de modo que os civis não ganhem mais do que eles, como se faz com militares que vão para outros orgãos, para a ONU, etc

Colocar na ANAC seria loucura, esse orgão não conseguiu ainda estruturar-se nem para aquilo que já deveriam cuidar, a certificação da nova VARIG não sai, parecem ter agilidade zero e com cheiro de um novo pomar de burocracia verdejante, enquanto que a aviação civil exige rapidez e dinamismo, não comporta mentalidade de cartório.

Um abraço

André Araujo

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