Sete Lagoas, MG:Uma cidade refém do seu anacronismo.

Há poucos dias os jornal Sete Dias, do município mineiro de Sete Lagoas deu destaque para uma das faces do anacronismo que vive o município: de um lado um crescente movimento de expansão empresarial, de outro a dificuldade em se encontrar mão de obra qualificada na cidade, obrigando a recrutamentos em Belo Horizonte. Este anacronismo na realidade oculta uma outra face ainda mais perversa: o lado conservador e arcaico das relações sociais na cidade. Exemplos são muitos. Durante esta semana procurei por diversos meios o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sete Lagoas ou outro que representasse os trabalhadores da agricultura familiar. Imaginei que com um Sindicatos da Agricultura Familiar ficasse mais fácil estabelecer uma negociação direta com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, reponsável pelos recursos do PRONAF. Para minha surpresa encontrei apenas o Sindicato Rural de Sete Lagoas, que representa a categoria dos empresários rurais. Minha surpresa não parou por ai.

Tentando localizar outros sindicatos representantes de trabalhadores constatei que pelo menos duas categorias profissionais importantes estão aqui representadas: dos professores públicos, reunidos na UTE (filiada à CUT) e dos metalúrgicos (filiado ou ligado à Força Sindical). Durante toda a semana conversei, pesquisei, promovi debates sobre quem eram os interlocutores organizados da sociedade civil em Sete Lagoas. Tive mais uma surpresa: as únicas categorias organizadas e que representam diretamente suas demandas nos diversos espaços sociais são dos empresários. E então veio a pergunta que não quer calar: porque os trabalhadores de Sete Lagoas não possuem sindicatos ou se possuem, porque estes sindicatos são em quase sua totalidade de feições “pelegas”. Mais ainda: quais são as organizações populares que repesentam os mais diversos interesses desta categoria social? Se os populares não estão, eles mesmos organizados, quem os representa em suas demandas? As Igrejas? Os grupos de serviços? As organizações literárias? Os clubes esportivos? Quem os representa? Esta é a pergunta que não cala. Sete Lagoas vive a forma de um capitalismo dos mais atrasados do ponto de vista das relações modernas do trabalho. As estatisticas são reveladoras. Segundo dados do Dieese um metalúgico de São Paulo ganha quatro vezes mais do que um metalúrgico de Sete Lagoas, para fazer a mesma função. Porque? Os custos de produção para as metalúgicas de Sete Lagoas são mais baixo do que os de São Paulo? Neste caso esta margem menor nos custos de produção em Sete Lagoas migra para onde? Porque um pequeno município do interior de Minas paga um custo social mais elevado (uma vez que os salários são mais baixos) do que uma região como o ABC paulista? O mais triste em tudo isto é que este conservadorismo que sabota (com ameaças) a organização autônoma dos trabalhadores contamina também sua classe média e até mesmo as classes populares, que passam a aceitar sua pior condição de vida como predestinação. Lamentalvelmente a democracia social possui um enorme déficit em nossa cidade. E na hora em que as empresas começam a buscar trabalhadores em Belo Horizonte para suprir a falta de mão de obra qualificada em Sete Lagoas, com certeza importarão também grupos sociais com uma visão mais moderna da economia. Tenho repedido a exaustão: o capitalismo é um modo de produção hegemônico. Mas não é monolítico. Outro modo de organização, conhecido como economia social ou solidária ganha cada vez mais espaços em todo o país. E é neste novo espaço que os trabalhadores de Sete Lagoas construirão o seu próprio destino, como nos ensinou o pedagogo Paulo Freire

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