Silvio Santos vai bancar prejuízo

Do Último Segundo

O grande tombo do Grupo Silvio Santos

Com resgate de R$ 2,5 bilhões, Panamericano marca revés colossal na vida empresarial do apresentador e dono do SBT

iG São Paulo | 09/11/2010 22:37

Ao anunciar que receberá um aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o Banco Panamericano marca um dos mais retumbantes reveses da história do Grupo Silvio Santos. Os recursos do FGC (fundo formado por dinheiro que todos os correntistas mantêm em bancos e que visa a manter a estabilidade do sistema financeiro) foram necessários depois de o Panamericano detectar “inconsistências contábeis” em sua demonstrações financeiras, segundo nota divulgada pela instituição. O Panamericano informou que o aporte evitará que ele tenha perda patrimonial.

O grupo controlado por Silvio Santos, um dos mais conhecidos apresentadores da TV brasileira, tem 34 empresas – entre elas Baú da Felicidade, Liderança Capitalização e o Hotel Jequtimar, no Guarujá, litoral paulista, além da rede de televisão SBT – e faturou R$ 4,6 bilhões em 2009. Alvo de desconfiança dos investidores nos últimos dias quanto à sua saúde financeira, o Panamericano viu suas ações preferenciais fecharem em queda de 6,75% nesta terça-feira.

EntrEntre 2004 e 2005, circularam rumores no mercado financeiro de que o banco estaria no radar de instituições internacionais, interessadas na compra do banco, mas Silvio Santos preferiu continuar com o negócio.

No ano passado, quando os rumores já haviam se assentado, o Panamericano fechou acordo com a Caixapar, uma subsidiária da Caixa Econômica Federal, para a venda de 49% do seu capital votante e 21% das ações preferenciais, incluindo um acordo de acionista para participação da instituição pública na sua gestão.

Derrota no varejo

O Panamericano surgiu em 1990 como banco múltiplo. Antes disso, o grupo Silvio Santos havia transformado em 1969 a Real Sul, empresa financeira com sede em São Caetano do Sul, em Baú Financeira. Nesta terça, ao anunciar a injeção de R$ 2,5 bilhões, o banco informou também que seu conselho de administração elegeu uma nova diretoria para a instituição.

O Grupo Silvio Santos enfrentou um outro revés em 2009, embora bem menos traumático. Na tentativa de ampliar seus negócios na área de varejo, o grupo entrou na disputa pela rede Ponto Frio, mas não conseguiu ir adiante no plano. O Ponto Frio acabou sendo comprado pelo grupo Pão de Açúcar. 

Por Lugon de Souza 

Esta história tem vários pontos fora da curva.

1º Ponto:

O art 2º do estatuto do FGC afirma que “O FGC tem por objeto prestar garantia de créditos contra as instituições associadas …”.

Ora, ele visa garantir os “credores” das instituições associadas, não os seus acionistas/controladores ou ela própria.

2º Ponto:

O art 6º, parágrafo único, informa que “têm direito à garantia de crédito prestada pelo FGC, observado o disposto no art. 2º, os depositantes e investidores nas instituições associadas”.

Mais uma vez a letra do estatuto reafirma, agora categoricamente, quem está garantido, e, mais uma vez, os acionistas/controladores ou ela própria não estão contemplados neste rol.

3º ponto:

O art 1º do regulamento do FGC esclarece que “têm direito à proteção prestada pelo Fundo Garantidor de Créditos – FGC os investidores e depositantes das instituições associadas, referidas no art. 6º do estatuto”.

Aqui, mais uma vez, os acionistas/controladores ou ela própria são excluídos do colchão de proteção, agora pelo regulamento do FGC.

4º Ponto:

O art 2º do regulamento descreve, em detalhes, quais os objetos sujeitos à garantia proporcionada pelo FGC e, adivinhem? nenhuma referência aos acionistas/controladores ou ela própria.

Em síntese o FGC foi criado para proteger a ponta final do móbile, os investidores e depositantes, não os detentores do poder decisório ou da própria instituição insolvente.

Esse “jeitinho” não me parece honesto.

Abçs 

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