Sofismas econômicos

Há dois sofismas econômicas que vivem sendo repetidos a torto e a direito. Na sexta passada, quase me atraquei com o ex-Ministro Maílson por conta disso.

O primeiro é que enquanto o Brasil não melhorar a infra-estrutura e reduzir o custo Brasil, não poderá baixar juros. Não há a menor relação de causalidade. É evidente que o custo Brasil precisa ser melhorado. Mas, quando é ineficiente, essa ineficiência determina um patamar de preços mais alto. Ocorre que inflação não é patamar de preço, mas variação de preço. O fato de se ter uma economia ineficiente eleva os preços (em relação a uma economia eficiente) mas não provoca inflação. O que Maílson propõe é que se espere a economia ser eficiente, para então reduzir os juros, que só então liberará recursos para investir em infra-estrutura e deixar a economia eficiente.

Nem comento nada minha reação quando ele disse que se a taxa Selic cair para 10% a inflação irá explodir, o capital externo irá fugir e o mundo irá acabar.

O segundo sofisma é a idéia de que o país precisa atrair capital externo para investimento ou para financiar a dívida pública. Não há o menor sentido nisso. O Brasil não tem moeda conversível. Quando o capital externo entra, é convertido em reais. Em seguida, o Banco Central compra os dólares para impedir maior apreciação do câmbio -o que tem um enorme custo fiscal. Depois, os reais que entram na economia são enxugados para evitar expansão monetária indevida. Conclusão: cada um dólar que entra na economia deixa como saldo um dólar a mais de endividamento interno, e um dólar a menor de poupança interna.

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