Spy vs Spy

A ênfase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em induzir a campanha do PSDB para as denúncias contra o governo Lula, visa, no fundo, desviar o foco da atenção de dois pontos: a comparação entre os dois governos e a impossibilidade de criticar a política econômica de Lula -que acabou seguindo ao pé da letra o modelo de estabilização-com-estagnação gestado no próprio governo FHC.

São complicadas as comparações entre momentos diversos. Os defensores de FHC alegam que seu governo enfrentou várias crises internacionais, o de Lula nenhum. E o de Lula, em muitos pontos, avançou em cima do que foi plantado antes. No que tem razão, também. Além disso, a economia mundial foi um céu de brigadeiro na gestão Lula.

Na gestão FHC, entendia-se o país ser apanhado no contrapé pela primeira crise internacional (a do México). Mas, depois, com a Coréia, com a Rússia, com a Argentina foi demais. Depois da primeira crise, qualquer governante racional teria preparado o país para não ser afetado pela crise seguinte, resolvendo o ponto básico da vulnerabilidade externa. Nada foi feito, a não ser pelo Sr. Crise.

Em relação ao governo Lula, não houve crises internacionais e o PIB mundial cresceu de forma inédita. Mesmo assim, o país não conseguiu acompanhar a média mundial, menos ainda a média dos emergentes.

Por isso a discussão não sai do lugar. Nem Lula nem FHC têm o que defender, em termos de política econômica. O que ambos gostam de repetir é que deixaram o país melhor do que receberam. A comparação não é com o próprio país mas com outros países. Os dois deixaram um país, em termos relativos, muito pior do que receberam, na comparação com outros países.

Talvez um segundo governo Lula possa mudar o rumo da economia. Até agora, só se conseguiu vôo de galinha.

No fundo, viva o Sr. Crise, o único com capacidade de tirar o país de impasses como esse que já dura 12 anos.

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