Tesouro descarta superaquecimento

Secretário do Tesouro Nacional descarta superaquecimento da economia

Wellton Máximo, Repórter da Agência Brasil

Brasília – A acomodação da economia observada no segundo trimestre dispensa a necessidade de medidas adicionais para conter o seu aquecimento, disse hoje (28) o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Segundo ele, a desaceleração da inflação e da atividade industrial indicam que as expectativas de superaquecimento da economia brasileira em 2010 não estão se cumprindo.

“Seguramente, não há superaquecimento da economia, o que mostra que as projeções do Ministério da Fazenda não estavam erradas”, afirmou o secretário. De acordo com ele, o objetivo do governo agora é monitorar as condições da economia para que o crescimento não fique abaixo do previsto.

“A gente tem de acompanhar a atividade econômica para que o crescimento seja o previsto, ou seja, nem acima nem abaixo. Isso exige uma atenção redobrada. Crescer menos, na nossa opinião, seria bastante negativo”, disse Augustin.

O secretário evitou comentar se a desaceleração da economia terá impacto nas receitas fiscais em julho. Ele, no entanto, reconheceu que a expansão da arrecadação será menor nos próximos meses. “A receita não será tão positiva, mas a gente não tem de olhar apenas a arrecadação, mas todo o conjunto da economia”, acrescentou.

Augustin evitou comentar se as medidas para sustentar o crescimento incluem a diminuição do ritmo de aumento de juros pelo Banco Central. Apenas afirmou que o Tesouro pode agir pelo lado fiscal, atendo-se à programação financeira divulgada pelo Ministério do Planejamento no último dia 20.

“Não estamos crescendo além do previsto e não temos de tomar medidas que segurem a economia, mas manter as coisas andando. Esperamos que o crescimento seja sustentável, de forma que o Brasil continue sem superaquecimento, mas também sem crescimento menor que o esperado”, disse Augstin.

Oficialmente, o Ministério da Fazenda projeta expansão de 6,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o crescimento pode chegar a 7%. A estimativa, no entanto, foi divulgada antes dos indicadores que mostram desaceleração da atividade industrial em junho.

No primeiro semestre, o superávit primário – economia de recursos para pagar os juros da dívida pública – somou R$ 24,7 bilhões. Para atingir a meta de R$ 40 bilhões para o segundo quadrimestre (até agosto), o Governo Central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central) precisa economizar R$ 15,3 bilhões nos próximos dois meses.

Apesar disso, Augustin afirma que o governo fechará o ano cumprindo a meta cheia, de R$ 75 bilhões até dezembro. “Estou confiante de que não haverá necessidade de usar o mecanismo que permite o abatimento dos gastos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] da meta de superávit.”

Edição: João Carlos Rodrigues 

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