Urgente: por conta própria, setor privado inicia a reconversão da indústria

Rapidamente foi montada uma grande corrente industrial para amenizar a situação no menor prazo possível

O grande desafio da economia brasileira é o esforço de guerra pela reconversão, isto é, pela capacidade da indústria brasileira se reciclar e somar esforços para a fabricação dos equipamentos necessários para a guerra do coronavirus.

Esse movimento já começou, coordenado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos) e com a adesão de grandes associações industriais e empresas.

O trabalho de reconversão envolve produção, esforço logístico, de engenharia. Mas rapidamente foi montada uma grande corrente industrial para amenizar a situação no menor prazo possível.

A Abimaq (Associação brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)  colocou seu parque à disposição. As grandes montadoras, Fiat e GM, Embraer e outros gigantes, colocaram todo seu corpo técnico, processos produtivos e capacidade logística à disposição das empresas de dispositivo médico. Com isso ampliou enormemente a capacidade das quatro ou cinco empresas atuais, de ganhar escalabilidade e cobertura nacional.

Segundo Franco Palamolla, presidente da ABIMO, há dezenas de grupos não apenas na indústria, mas envolvendo engenharia biomédica, núcleo de engenharia, centros de pesquisas (como o Coppe) buscando outras alternativas de desenvolvimento rápido, como modelagem através de impressoras 3D.

A prioridade são dois tipos de produto:

  1. DTIs, as mascaras descartáveis e os aventais, para proteger profissionais da saúde. Tem que aumentar brutalmente. O Brasil tem capacidade produtiva, mas ninguém segura a demanda que teve. No auge da crise, a China comprou produção nossa. Algumas empresas na área de malharia e confecções estão entrando e em breve a produção começará a disparar.
  2. Respiradores pulmonares. A coronavirus gera pneumonia severa. O paciente que tem que ir para o semi-intensivo precisa ser ventilado. A produção exige muita coisa mecânica e pneumática – que o Brasil possui – e eletrônica, que é mais raro. Somando esforços, no entanto, diz Franco, é possível que outros setores comecem a disponibilizar os circuitos necessários para a fabricação dos respiradores.

Esse esforço não tem coordenação central, diz Franco. Há o trabalho relevante do Ministério da Saúde, identificando as demandas e sinalizando direções. Em cima delas, o setor privado se vira. “Os grupos estão formado. Então colocamos a informação para rodar e vamos acertando com outros setores empresariais”.

“É um esforço de solidariedade que nunca vi no Brasil”, diz ele.

Não é desafio fácil. Nenhum país tem capacidade produtiva para suportar a demanda explosiva do setor, nem Estados Unidos, nem Europa somada. No epicentro da crise, a China teve que fechar exportações, a capacidade interna não deu conta e ela chegou a importar produtos até do Brasil.

Em seguida, empreendeu um esforço gigantesco de reconversão, assim com o Japão, enquanto Europa e EUA vacilavam – agora já entraram na guerra.

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