Zidane e Armínio

O livre fluxo de capitais e a dependência de capitais externos criou uma indústria da arbitragem ilimitada no Brasil. “Arbitrar” significa obter ganhos através de diferenciais de rentabilidade.

Por conta dessa dependência, a taxa Selic costumava levar em conta a taxa básica de juros norte-americana, o risco Brasil e a expectativa de desvalorização cambial. A partir daí, tinha-se a taxa de equilíbrio (entre aplicar em C-Bonds brasileiros no exterior ou trazer dinheiro). Quando a taxa interna superava a taxa de equilíbrio, o dinheiro entrava para ganhar aqui dentro. Quando ficava abaixo, saía.

No gráfico em questão, preparado por Gustavo Franco, há um histórico da arbitragem de janeiro de 1998 a abril de 2005. Onde está amarelo significa que havia margens de ganho para o capital que entrava. Onde está em vermelho, arbitragem negativa, levando à saída do capital.

O único período vermelho foi no segundo semestre de 2002, quando o câmbio subiu, o risco Brasil disparou mas a taxa Selic foi mantida baixa por Armínio Fraga. Está aí um dos grandes fatores para a disparada do dólar naquela ocasião.

O episódio não serve para varrer para debaixo do tapete a enorme contribuição de Armínio para o país. Mas, assim como Zidane, ele deu uma cabeçada na parede aos 45 minutos do segundo tempo.

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