A inclusão como prática de cidadania: Tereza Mesquita de Paula no Cai na Roda

Filósofa e fundadora da Criatividade Idade, um sistema educacional de inclusão, Mesquita destaca às mulheres da redação do GGN a relevância de um plano de acessibilidade para todos, a falta de vontade política sobre a educação, os impactos da pandemia da covid-19 na área, os relatos de cidadania vividos ao longo de sua trajetória, entre outros pontos

Jornal GGN – No momento em que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspende o decreto presidencial 10.502, de Jair Bolsonaro (sem partido), que propõe uma nova Política Nacional de Educação Especial (PNEE), a educadora Tereza Mesquita de Paula fala ao Cai na Roda, programa tocada pelas mulheres da redação GGN, sobre a importância da inclusão para a cidadania. O programa deste sábado, 5 de setembro, é exibido na TV GGN

O decreto de Bolsonaro, que estabelece classes especializadas para a aprendizagem de estudantes com deficiência, foi travado por Toffoli, por meio de liminar, até que o plenário da Corte analise a medida no próximo dia 11. De acordo com Toffoli, a medida representa uma ameaça à educação inclusiva, salientada pela entrevista do Cai na Roda. 

Filósofa e fundadora da Criatividade Idade, um sistema educacional de inclusão, localizado em Poços de Caldas, município de Minas Gerais, Mesquita destaca a relevância de um plano de acessibilidade para todos, sem distinções entre crianças e adolescentes deficientes e não deficientes. 

“Onde não existe exclusão, não existe inclusão. A acessibilidade é para todas as crianças, não para crianças com determinadas deficiências, mas para que isso aconteça dentro de um projeto de educação algumas coisas precisam mudar, principalmente as práticas pedagógicas”, explica. 

Ao longo da entrevista, Mesquita aborda a efetividade das práticas da Criatividade na inclusão de alunos com deficiência, destacando a importância do acolhimento e o papel da família neste processo. “Nós não olhamos a deficiência, a deficiência é uma parte que faz aquela criança ser única, como tantas outras. Mas, nós olhamos a criança, o que essa criança traz e o que ela vai beneficiar, na verdade, o grupo inteiro, além de todo o potencial que ela tem para esse desenvolvimento”, diz.

“Quando recebemos uma criança que tem qualquer uma das suas singularidades, o primeiro passo é: essa criança entender que ela está naquele espaço, ela tem que pertencer àquele espaço que se chama escola. Em um segundo momento fazemos um roda com os alunos e explicamos qual é a singularidade daquela criança, a gente comunica para o grupo qual é a dificuldade daquela criança e, considerando, que todos nós temos alguma dificuldade, as crianças não enxergam no deficiente essas peculiaridades, então a escola tem que deixar isso muito transparente, além do trabalho anterior a vinda dessa criança à escola que é o trabalho com a família, primeiro a gente acolhe a família”, relata. 

Ao falar sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na aprendizagem das crianças, Mesquita afirma que esse cenário jogou luz sobre o abandono da educação e, principalmente, dos alunos com deficiência. “Em um país em que a educação passou longe de ser prioridade e que não existe uma política de educação para ninguém, a quarentena dessas crianças só reforçou a quarentena que elas já viviam, que é a discrepância social”, dispara. 

“Houve para uma parte significativa da população estudantil uma exclusão total neste período de pandemia por diversos motivos, como falta de acesso a tecnologia. Cada governo estadual, municipal, foi se reorganizando, mas de uma maneira muito precária. Se a grande maioria foi excluída, imagina as crianças com deficiência, elas simplesmente foram abandonadas na maioria dos casos”, aponta. 

Mesquita ainda aborda pontos importantes da Lei brasileira de inclusão, o papel fundamental do educador no processo das práticas de acessibilidade, a falta de vontade política sobre a educação, os relatos de cidadania vividos ao longo de sua trajetória, além da inclusão de alunos deficientes com hiper-habilidades.

Essa edição do Cai na Roda contou com as jornalistas Lourdes Nassif, Tatiane Correa e Cíntia Alves. Assista o programa na íntegra:

Sobre o Cai Na Roda

Todos os sábados, às 20h, o canal divulga um novo episódio do Cai Na Roda, programa realizado exclusivamente pelas jornalistas mulheres da redação, que priorizam entrevistas com outras mulheres especialistas em diversas áreas. Deixe nos comentários sugestão de novas convidadas. Confira outros episódios aqui:

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1 comentário

  1. Duas Crianças, duas Primas. 7 e 4 anos, são fuziladas na porta de casa. Onde está a Notícia? Onde etá a Imprensa? Onde está a Revolta? Onde estão as Elites do Estado Brasileiro a pronunciar sua indignação? O silêncio, a hipocrisia, a covardia estão por toda a parte. Pobre país rico. 90 anos e regredindo mais. Constituição Cidadã? Pelo Amor de Deus!!! Mas de muito fácil explicação.

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