Analfabetos disfuncionais e as manifestações, por Maria Fernanda Arruda

Do Correio do Brasil

Politicamente, analfabetos disfuncionais

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

Um brasileiro, em fins do século XIX, competente para ler e escrever, seria um nobre ou até um coronel da Guarda Nacional. Na virada do século, éramos 35% de alfabetizados e, em 1950, apenas 49%. O Brasil somente não foi mais paupérrimo na manipulação das letras e dos números quando a população deixou os campos e chegou às cidades: em 1960, os brasileiros alfabetizados já somavam 60%. Agora, nos nossos tempos, teremos apenas 8% de analfabetos nacionais? Motivo de orgulho? Não. Esse número, apontado e avalizado pelo IBGE, é uma lastimável balela.

A iniciativa de criar um Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional no Brasil, medindo diretamente as habilidades da população por meio de testes, foi tomada por duas organizações não-governamentais: a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. As pesquisas que passaram a ser feitas, utilizado o conceito de alfabetismo funcional mostram qual é o quadro real: atinge cerca de 68% da população; somados aos 8% da totalmente analfabeta, resultando em 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado.

Agora sim, fica viável entender as manifestações lastimáveis promovidas nos protestos, aqueles que querem a deposição do governo democrático, a volta da ditadura militar e mais:a morte dos que consideram como seus grandes inimigos. O survey (sondagem de opinião, sem rigorismos estatísticos) realizado por um professor da USP permite o desenho do perfil desse povo, o que é razoavelmente evidente. Trata-se de uma maioria absoluta de indivíduos brancos, com a exclusão de negros e de pobres, gente de faixa etária mais alta, vários tendo chegado à senilidade, muitas mulheres, voyeurssedentos de corpos nus, vendedores ambulantes em trabalho, diversos interessados na carteira e no celular alheios.

Os depoimentos colhidos dessa gente são inacreditáveis, decretando a obsolescência definitiva do Festival da Besteira que Assola o País (Febeapa), obra muito interessante e que retrata as cabeças de generais, coroneis, almirantes e brigadeiros, mentores da ditadura (golpe de 64), mas que se reveste de candura infantil diante da produção que se faz e mostra, na avenida Paulista dos dias atuais. As faixas transportadas pelos “mulas” contratados trazem dizeres sem sentido, escritos em língua que identifica o analfabetismo funcional predominante. Mas não estamos tratando de um segmento social e economicamente privilegiado? Sim, estamos. E as pesquisas também mostram que 38% dos nossos universitários gozam dessa condição: são analfabetos funcionais.

O projeto de massificação do ensino foi parido pela ditadura, sob orientação do Coronel Jarbas Passarinho, com o malfadado MOBRAL, enquanto o ensino de História e outras ciências sociais era substituído por aulas de “educação moral e cívica”. Tempos de “Brasil – ame-o ou deixe-o”, recitado nas aulas obrigatórias de educação física. A ditadura formou milhares e milhares de jovens alienados, coerentes, e que hoje são fascistas. Uma geração de intelectuais que estudava o Brasil foi levada ao ostracismo: Caio Prado Junior, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Antônio Cândido, Florestan Fernandes.

O cinema nacional ficou reduzido à produção de pornochanchadas, o teatro foi transformado em forma de lazer que antecede a pizza do sábado à noite, em que pesem os esforços magníficos de Gianfracesco Guarnieri, Zé Celso, Vianinha, Ruth Escobar e outros. A música foi proposta na forma alienadora da “jovem guarda”, perdida nas curvas das estradas de Santos, embora, e exatamente aí, tenha havido a contestação mais séria à violência: Chico Buarque foi o maior exemplo de como a sensibilidade artística e a inteligência cultivada podem ridicularizar a violência dos torturadores assassinos.

O segundo momento de aviltamento do ensino no Brasil veio com os oito anos FHC.

Da mesma forma que privatizaram as empresas do Estado, privatizou-se o ensino. A universidade federal foi empobrecida em quantidade e qualidade; o MEC orientou para que as escolas públicas falissem, sendo substituídas pelas empresas do comércio do ensino. Mais do que nunca, elitizaram-se o ensino e a cultura: os filhos das elites que estudassem nos ótimos colégios particulares, habilitando-se ao doutoramento das universidades públicas ou nas universidades norte-americanas.

Há uma reversão de tendência a partir do primeiro governo Lula, quando o MEC começou a atuar para o fortalecimento da Universidade Federal, incentivando a pesquisa, remunerando de forma digna os professores, criando universidades. O ensino obrigatório de Ciências Sociais, Filosofia e Sociologia volta a ser obrigatório no Ensino Médio. Contemplam-se a Música e as Artes.

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que  marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos desfuncionais, no Brasil

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos disfuncionais, no Brasil

E cometem equívocos e omissões muito sérios. Os chamados “sistemas de ensino”, produzidos por empresas comerciais que negociam suas ações em Bolsa de Valores, bestificam jovens brasileiros com material didático de péssima qualidade e onde o professor fica reduzido à condição humilhante de “repetidor de aula”. A tentativa política de deputados hoje, na era Eduardo Cunha, no sentido de esvaziar o conteúdo do ensino nas escolas, já é uma realidade rotineira. Em meados da década passada, o Sistema de Ensino da Abril Cultural utilizava a revista Veja para caluniar escolas que se preocupavam em transmitir a realidade brasileira aos seus alunos, identificando e acusando professores “comunistas”. A mesma Abril inaugurou o mecanismo de corrupção, junto a prefeituras e prefeitos, facilitando a venda do seu material para consumo nas escolas municipais. Corruptores e corrompidos.

Eis aqui um desafio aos que não entenderam ainda a necessidade de uma Constituição de olhos voltados para o século XXI. O pacto federativo precisa ser revisto radicalmente!

Sobre Educação, a maioria dos Estados e a quase totalidade das prefeituras carecem de condições mínimas para cumprimento das atribuições que lhes são delegadas. A Carta de 1988 adotou uma descentralização irreal e que vai provocando disfunções seriíssimas. Entre as diretrizes elaboradas pelo MEC e a ação política de governadores e prefeitos há um abismo intransponível.

Tanto a incompetência interesseira de políticos regionais como o utilitarismo dos comerciantes do ensino, ambos tornaram absolutamente impossível a modernização do ensino básico. Como resultado dessa paralisia no tempo, as paredes das salas de aula formatam hoje um espaço que sufoca os jovens, expostos às dimensões quase infinitas da Internet que se abrem através do computador. Os adolescentes, aprisionados na escola convencional, ainda encontram liberdade nos espaços dos shopping centers. O que está sendo afirmado aqui fica evidente quando se lembra que as últimas experiências inovadoras significativas no Brasil foram a Universidade de Brasília, com Darcy Ribeiro, e os CIEPS, com Brizola e o mesmo Darcy Ribeiro.

O Direito à Educação é assegurado pela Constituição Federal como um direito fundamental, tendo sido contemplado pela Constituição no artigo 6 º, localizado no capitulo intitulado “Direitos Sociais”. O Ensino Básico (Fundamental + Médio) impõe-se como direito assegurado a todo cidadão brasileiro. Tanto quanto a reforma agrária, ou a limitação do direito de propriedade pelo interesse social … Letras, letras mortas. É bem verdade que os governos de Lula e Dilma se fixaram no ideal do “ensino para todos”. A partir disso, desenvolveu-se e desenvolve-se um esforço orientado por critérios de quantidade, mas não de qualidade.

No afã de formar gente de nível universitário, os governos do PT quase que atingiram o exagero de uma antiga piada: “brasileiro, ao nascer, ganha o título de doutor, aos 18 anos devendo fazer uma opção”. A universalização universitária não será uma utopia desastrada? De novo a mesma preocupação: quantidade; e o que fazem com a qualidade: É baixa, pouca e insuficiente?

Um dos equívocos mais grosseiros foi cometido com a criação do FIES. O Ministro da Educação acaba de corrigir as distorções gritantes de um programa demagógico. Até recentemente, alguns vários bilhões de reais foram destinados ao financiamento de estudantes, em universidades reconhecidas pelo próprio MEC como sendo de qualidade inferior, concentrados nos Estados mais ricos, com financiamento concedido a filhos de famílias de classe-média, para matrícula em cursos de Direito, Administração e similares. O Ministro Renato Janine Ribeiro limitou o uso do benefício a famílias pobres, nas regiões mais pobres do país, para cursos de Engenharia, Medicina e similares, ministrados em escolas que venham merecendo boa conceituação.

Alvíssaras. As coisas vão tomando forma digna,pois tivemos alguns anos de descalabro descompromissado.

Reconhecidamente, o sistema de ensino brasileiro não é menos do que péssimo. Em diversos momentos forma bons profissionais. Mas, praticamente, nunca forma bons cidadãos. Os brasileiros não sabem o que é o Brasil, não conhecem a sua História, recebem informações rudimentares sobre a sua geografia e são ignorantes completos quanto à sua economia, problemas atuais e potencial. Não estão sendo ensinados a pensar, não sabem ler, não leem, carregam uma lastimável preguiça mental.

A pobreza é tal que, mesmo à esquerda, frequentemente se vê o dogmatismo tolo, simplificador de tudo: ‘os que não pensam exatamente como eu penso são fascistas’. Perderam alguns a capacidade de pensar e, de pensar indagativamente. Não há espírito crítico, o que o ensino puramente técnico e de má qualidade não contempla.

O que tudo isso tem a ver com o 16 de agosto? Serve para que se entenda toda aquela gente como o lixo social que as nossas escolas estão deformando. Para pedir a ditadura militar e a morte de políticos desagradáveis, as pessoas precisam passar por um apurado processo de animalização, aquele que o nosso sistema de ensino tem oferecido. O marketing transformando tudo em produto de consumo não durável, consumidores consumíveis, produz o restolho obsoleto do que teria sido um ser, e humano; hoje na avenida são zumbis alucinados.

Enfim, o esforço dos governos Lula e Dilma tem revertido tendências perversas, mas incorpora equívocos. Quem, não apenas os dois, mas pensados todos os que habitam hoje o nosso mundo político, possui competência para distinguir o que é humano daquilo que é simples charlatanismo?

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.

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16 comentários

  1. modestos 76%

    Nassif,

    Nada contra a pesquisa realizada sobre tema efetivamente relevante, mas sugerir que os brazucas alfabetizados da cabeça aos pés chegam a 24% da população é conclusão prá lá de otimista, quem sabe motivada por algum tipo de necessidade.

    Os analfabetos disfuncionais estão por todas as partes, no Congresso existem centenas deles, a turma que comanda a LavaJato, o que são , a do “prende e depois apura” , o que não é se não um seleto grupo, quem sabe a elite dos anafabetos disfuncionais.

  2. O tiro acabou saindo pela culatra

    Não discordo do que a autora do post escreveu, mas vejo em tudo isso uma perversa ironia. A educação no Brasil é de fato um descalabro, e a bossalidade dos manifestantes é um retrato de sua indigência intelectual. Mas quem foi que acabou com a educação no Brasil?

    A autora tenta jogar a culpa na “direita”, colocando no mesmo saco os militares e FHC, mas acaba reconhecendo que também à esquerda há indigência na pedagogia. Será coincidência? Não, não é coincidência. Deve ser lembrado que mesmo no tempo dos militares, havia um enorme número de professores esquerdinhas nas escolas, sobretudo os de História e Geografia. Vamos e venhamos: quem aqui, na faixa dos 30 ou 40, não é capaz de lembrar de meia dúzia de professores barbudinhos que aliás eram adorados pelos alunos, porque tinham uma aura de rebeldes que os assemelhava aos adolescentes, diziam coisas engraçadas, mas principalmente porque não arrochavam nas provas, já que na opinião deles o mais importante não era ensinar a matéria e sim “formar cidadãos”? Se o ensino da História consiste de dizer abobrinhas sobre as funções intestinais de Dom Pedro I e a feiúra da princesa Izabel, então a matéria toda se reduz a uma piada e a turma pode relaxar!

    A magnífica ideia de “formar cidadãos” nas escolas acabou sendo um tiro que saiu pela culatra. Quem me fez entender isso foi um professor de geografia de ensino médio, com uma única frase: “Olha, Pedro, quando eles não querem assimilar uma coisa, pode falar cem vezes que entra por um ouvido e sai pelo outro”. Mas por outro lado, os adolescentes sabem muito bem apreciar o professor que não diz coisas difíceis. Assim sendo, toda pedagogia ideologizada, independente do viés ideológico, tem duvidosa eficácia para incutir ideias, mas por outro lado tem eficácia garantida para emburrecer o aluno, pois transmite informações incompletas, esquematizadas e ilógicas. Isso atrofia o raciocínio. A inteligência só se desenvolve quando o educando é capaz de perceber consistência nas informações que lhe são passadas e chegar à conclusão com seus próprios meios. Não é por mero acaso que os alunos brasileiros estão entre os piores do mundo, e além de burros, indisciplinados. Sem disciplina não se faz nada. Nem revolução.

  3.  ela  esta certa  mais  é

     ela  esta certa  mais  é preciso  notar que  para se modificar  um mal  que nao vem  de  20 anos  atraz  pelo contrario  ha 100  anos  ja  tinhamos  probnlemas  nas  escolas publicas.mas  nao custa lembrar que ha  exatos   55  anos  as  escolas  particulares  nao tinham vez,  eram  consideradas  tipo  PAGOU PASSOU, e ja o  ensino publico  era  de boa  qualidade.apesar  de  ja ter alguns  problemas  é claro  mais  dava  nos  atuais  de  100 x  0 – Hoje  o professor  nao pode  expulsar  um  estudante  que vai para a  escola  so  aliciar outros  jovens  e vender  maconha, cocaina  etc pois  a  secretaria  de eduaçao  proíobe. Hoje  os professores  que  ja nao se interessavam antes  agora  sao  muito piores  nao se interessam e nao  vao  para as  salas  de aula cumprir  com sua obrigaçao. 

    Esta semana  mesmo vi o caso na tv  de  uma professora  que  parece  en engargelou o  aluno para  tomar  o  celular  que ele  certamente  estava  usando em sala de aula  e  atrapalhando outros  que  querem  aprender. Provavelm,ente   ela  o agarrou  porque houve  resistencia  do delinquente. Delinqu ente  esse que  se acha no direito de  gritas na  cara dos profgessores  que ninguem pode tocar a mao nele  e ele pode  fazer o que  quizer. A  reportagem  é sugestiva  da forma  como foi  feita  coloca  a professora  entre  a cruz  e a  espada. mais eu nao vejio  assim. Se  a professora  avisa ao aluno que ele nao  deve usar  celular  enquanbto estiver  assistindo  aula  ele  tem a  obrigaçao de  obecdecer. Os  colegios  estao  mal preparados  seu funcionamento deixa muito a  desejar. Era  preciso que  houvesse  um conselho  de classe  com censores psicologos que pudessem acompanhar  os alunos. porque  alunos indisciplinados  logo  deixam  sua  marca  e  podem  ser muito bem monitorados. inclusive  nos corredores  sanitarios,  areas livres  salas  de aula  deviam  ser monitoradas  pór  cameras o que ajudaria  e muito  se tomar  certas atitudes contra esse ou aquele  aluno que  nao vai para a  escola  estudar  e sim  badernar  e  atrapalhar  aqueles  que  querem. Essas ovelhas negras devem  ser separadas,. A  SECRETARIA de  educaçao  deveria  ter um  colegio no caso ate militar  para  encaminhar  esse tipo  de  aluno.

    Quanrto a  qualidade  do ensino seria bom  que  nossos  colegios voltassem  aos  livros  antigos,  como  aquele  que  nós  usamos  a partir  das  4ª serie, iQUINTO ANO DE  ADMISSAO) a FORMA do  aluno  ir  mudando de serie  sem  aquela  que o levaria  ao  1º  ano  ginarial  esta correto  mais  aquele  exame de admissao  penerava  muito a  qualidade dos alunos ou  estudava ou perdia. Dificilmente  um aluno  entrava para o primeiro ano ginasial sem  saber  fazer uma conta , ou saber portugues, matematica, cienas  geografia,  porque o exame  cobrava tudo  isso. Alguns alunos perdiam o exame  por  nervosismo  foi o meu caso,. nem me importei, partir  para outra. No  atual model  voce vai passando de  serie  e  muita  porcaria  consegue  ir passando  quando voce v ai  ver  o cara nao sabe  falar  direito, nao sabe  escrever,  naol sabe  matematica  e principalmente  as  3  contas  elementares. Tudo isso tem que  ser revisto. inclusive  se  preparar os professores  porque  a maioria  deles e eu  ja  tive  experiencia  com isso aqui na internet  quando conversava  com professoras que elas  escreviam palavras erradas. Se eu  errar  tenho  a desculpa  de nao ser professor  mais  o professor  nao tem desculpa nenhuma para  escrever ou ate falar errado. Entao tem que  se preparar mais  os  mestres, dá a eles melhores  salarios. O PROFESSOR  É  AQUELE QUE LEVA  O ALUNO A  SER UM GRANDE CIENTISTA,  UM ECONOMISTA,  ENGENHEIRO, MEDICO  E ELE  PRECISA  TER DIGNIDADE, SER  RESPEITADO, PORQUE EU SEI QUE  UM PROFESSOR  FICA  MUITO FELIUZ  DE  SABER  QUE UM DIA  FOI PROFESSOR  DE UMA  GRANDE  FIGURA    

  4. Excelente pesquisa e reflexão!

    Maria Fernanda, excelente pesquisa e reflexão! Espero que o governo aproveite o conteúdo dessa pesquisa e de outros estudos sérios para  enfrentar os poderosos grupos contrários, e realizar as grandes mudanças que o Brasil precisa para a formação de cidadãos melhores.

  5. Educação / analfabetos – por Maria Fernanda

    Luis Nassif e Maria Fernanda Arruda, uma obs. quanto ao tema EDUCAÇÃO. Com a obrigatoriedade de 25% do orçamento municipal na educação, existe um verdadeiro abuso e em alguns casos corrupção das mais deslavadas em relação ao transporte escolar e o corporativismo dos educadores não deixam mudar. Primeiro que crianças e adolescentes que moram na zona rural, são obrigado as vezes acordar de madrugada para esperar o transporte escolar, para chegar as 7 hs. na cidade; estradas precárias, desconforto, acidentes, este transporte é próprio da prefeitura e em outras situações tercerizados e muitas delas, com suspeitas seja do serviço prestado por aliados do grupo político dominante ou mesmo os cartéis de empresas que vencem estas concorrências. Com isso, milhões são gastos anualmente como se fosse EDUCAÇÃO. Faço parte do CMPD Conselho Municipal do Plano Diretor de Avaré – interior de SP. Chegamos a discutir por que nos bairros rurais mais populosos, não volte a ter a escola rural pelo menos até determinadas séries. Não seria mais fácil em vez de várias kombis ou onibus para transportar dezenas ou até centenas de alunos, regionalizar e transportar os profissionais para atender eles lá? Os trabalhadores da educação justificaram que isso seria inviável e estaríamos isolando estas crianças do convívio da cidade – como se hoje mesmo em locais distantes, as informações chegam. Por outro lado, os profissionais da área agropecuária, técnicos, engenheiros agrônomos e mesmo pequenos proprietários concordaram com esta proposta. Mas daí para se chegar num consenso e conseguir implementar…. dançou… as crianças e adolescentes continuam na estrada e os milhões gastos anualmente. Aqui em Avaré se não me engano, somente com fretamento é cerca de R$ 1,1 mi por mês, fora os veículos próprios da prefeitura, que são dezenas….

  6. Aí, aliança liberal, morda a testa…

    Aí, “aliançaoneideliberal”, se soube ler, e ficar “bravinha” morda a testa… Se não der chama seu chefinho (kkkkkkkkkkk):

     

  7. Critério ultrapassado

    A preocupação da autora é nobre. Mas há um tom de Apocalipse impróprio para um texto analítico além de partir de conceitos um pouco superados. Evidente que aqui minha crítica vai para os institutos que insistem na definição de “analfabetismo funcional”

    Um outro problema do texto é atribuir ao Brasil alguns fenômenos mundiais além de evidentemente confundir educação política com índice de alfabetização.

    Uma dica é que há pesquisas sérias feitas por linguistas e educadora sobre graus de letramento no país..

    Por fim..Temos que parar com essa mania de achar que “o Brasil é o pior dos mundos” Acompanhe as discussões sobre educação mesmo em países ricos e veja os problemas que se relatam por la..

  8. teatro

    Sem tirar os muitos méritos da autora do post, é um erro grave dizer que o teatro brasileiro da época da ditadura foi transformado em forma de lazer que antecede a pizza do sábado. Isto é uma inverdade. Enorme e injusta. No Brasil todo, desde as pequenas cidades do interior com seu vigoroso teatro amador ligado às Federações Estaduais até os grupos das capitais – de todas as capitais, com seus sindicados e Associações Profissionais – houve uma resistência insana contornando censura, criando metáforas, criando público em inúmeros festivais, promovendo debates, conferências, oferecendo oficinas. É um desconhecimento histórico imperdoável. Chega a ser ridículo – e digo até, colonialismo – referir-se à resistência do teatro brasileiro à ditadura como restrita ao “esforço magnífico de Guarnieri, Ruth Escobar, Zé Celso, Vianinha e outros”. Isto é também analfabetismo funcional. Abraço. Walmir

  9. Em vários momentos onde a
    Em vários momentos onde a autora deveria escrever “analfabetismo”, ela escreveu ” alfabetismo”. Isso dá o tom do tamanho do problema: colunistas analfabetos. Sem salvação esse país..

  10. Os contrariados de hoje e de ontem

    A jornalista Maria Fernanda Arruda nos apresenta seu maniqueísmo elevado à enésima potência. Aplaudir ou protestar contra o Governo ou determinado partido é um direito democrático.É obvio que isso pode contrariar ou aborrecer divergentes. Mas, e daí?

    Generalizar e usar depoimentos editados como critério de avaliação é apenas uma presunção autoritária de argumentação conveniente. No Youtube encontramos essas seleções de gafes e asneiras produzidas por políticos, autoridades, jornalistas e cidadãos comuns.Tem o FHC chamando aposentado de vagabundo, o Lula dizendo que Pelotas é um polo exportador de viados, a Marta Suplicy mandando o povo relaxar e gozar, a Dilma fazendo uma ode à mandioca ou com aquele discurso de que cada criança tem atras de si um cachorro, e por aí vai. São estúpidos, analfabetos? Acho que não. Apenas cometem deslizes e atos falhos circunstancialmente.

    Uma vez a Turma do Casseta & Planeta fez uma enquete aleatoria na rua. A pergunta: Você é heterossexual? Houve negativas veementes. E se a pergunta fosse séria, sobre política? O resultado seria  igualmente risível.

    Lamentavelmente somos um país onde a grande maioria tem baixa escolaridade, pouca articulação verbal e escrita e, sobretudo, um estreitíssimo discernimento político. É por isso que nulidades fazem carreira nas Câmaras, Prefeituras, Governos e Assembleias Estaduais, Presidência, Senado e Câmara Federal.

    Sou contrário a essas manifestações inúteis, esse oba-oba ora governista ora oposicionista. Não é um panelaço ou uma minoria barulhenta ou um bando de arruaceiros que vai derrubar o Governo. Isso até pode ser desejável ou não, mas condicionalmente.. Há parâmetros jurídicos e Contitucionais para isso.

    A propósito: o Governo FHC começou a descarrilar a partir de 1999; então o sapientíssimo líder Tarso Genro formulou uma proposta parlamentar de renúncia e novas eleições para um mandato tampão até 2002. Ele balão de ensaio estapafúrdio foi suficiente para o Deputado Milton Temer (PT-RJ) organizar manifestações no Rio de Janeiro e tentar estendê-las para o resto do país. Muita gente foi às ruas em apoio aos dois políticos citados.

    Pergunto: Eram também analfabetos disfuncionais? As manifestações da epoca eram menos legítimas que as atuais?

    Respondo: A insatisfação era compreensível, o caminho sugerido era equivocado e as manifestações eram perfeitamente democráticas. Era a mesmíssima situação de hoje.

    PS: Imagino uma reforma política que contemple uma “recall” para Governantes após 2 anos da eleição. Se nesse período não mostrarem serviço poder ser tranquilamente mandados para o inferno. Não é preciso fuzilar.

     

    • Fora do contexto?

      Antes que alguem questione, explico. O artigo foca na educação e meu comentário não. Há nas entrerlinhas uma inconformidade com os protestos contra o Governo e o PT. E que se os manifestantes fossem “educados” estariam aplaudindo e não reclamando e falando bobagens. É a mensagem subliminar e ideológica. Discordo. Essa defici|ência inegável e lastimável não invalida os protestos; apenas deslustra e desqualifica um contingente de descontentes.

  11. Não tem jeito: onde se intala

    Não tem jeito: onde se intala o capitalismo liberal, grassa a ignorância cidadã. Sempre. E ainda mais num país como o nosso, em que esse capitalismo se instalou pela força das armas, ditatorialmente. Oficialmente foram pouco mais de vinte anos; na prática, há reflexos até hoje e que haverão ainda por muito tempo. Foi fácil escravizar a classe média com contas de vidro coloridas nas cores da Disney, tirar-lhe o gosto pela liberdade, autonomia, soberania e cidadania. Até hoje essa classe ama que haja um “american way of life” para lhe balizar, dizer o que é certo e o que é errado, que filme é legal, que jeito de pensar é in. E ainda dizem que “as esquerdas” é que doutrinam, é mole?

  12. Houve Avanço: Inclusão Social

    Bom dia.

    No meu blogue, tratei sobre: Carta Aberta Ao Ministro da Educação, A Questão Curricular  – Disciplinas Criticistas. Discutíamos sobre a supressão das disciplinas criticistas do Curriculum do Ensino Médio e de seus perversos desfechos, caso se tomassem tais medidas. Felizmente, não por causa do meu texto, claro, mas a ideia não foi avante e Janine, o sucessor, sequer aventou sobre. Malgrado concorde com a autora, no que tange à [falta de] qualidade, o ensino brasileiro prosperou, se se considera que ele conferiu inclusão social. Tirou o atributo de elite da escola, até certo ponto. Imperdoável, para a mesma elite. São várias lutas: inclusão, aperfeiçoamento, discussão contante.

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