Antes de MP, Bolsonaro já interferia em reitores de Universidades

Bolsonaro já se mostrava insatisfeito em ter que atender eleições internas das Universidades e interferiu na metade das universidades federais que tiveram votações para a reitoria em 2019

Foto: Divulgação PR

Jornal GGN – Apesar de não ter entrado como Medida Provisória anteriormente, Bolsonaro já interferiu na metade das universidades federais que tiveram eleições para a reitoria durante o primeiro ano de seu governo. Balanço divulgado por reportagem do The Intercept Brasil no ano passado mostrou que o mandatário fugiu à regra de atender a lista tríplice em seis das 12 nomeações feitas no ano passado.

Sofreram interferência do governo Bolsonaro as nomeações para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ) [Leia aqui].

A Medida Provisória 979/20 editada hoje determina que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidirá os reitores que ocupam os importantes cargos de comando das instituições públicas de ensino superior durante a pandemia, e acaba, neste período, com a eleição interna. Tradicionalmente, o primeiro nome da lista tríplice de candidatos – em votação que é feita entre professores, alunos e funcionários das instituições – é escolhido como reitor, em um mandato que dura 4 anos [Entenda mais aqui].

A matéria mostrava que desde o ano passado, Bolsonaro já escancarava o descontentamento com a regra democrática de atender às eleições internas para definir os reitores. “Ali virou terra deles, eles é que mandam. Tanto é que as listas tríplices que chegam pra nós muitas vezes não temos como fugir, é do PT, do PCdoB ou do PSOL. Agora o que puder fugir, logicamente pode ter um voto só, mas nós estamos optando por essa pessoa”, alegava Bolsonaro.

Entretanto, o aparelhamento criticado por Jair Bolsonaro – supostamente por partidos de esquerda ou centro-esquerda- só realmente ocorreu durante o seu governo, uma vez que até então o presidente confirmava a escolha do primeiro colocado na lista tríplice.

A Medida Provisória do mandatário afirma que “não haverá processo de consulta à comunidade, escolar ou acadêmica, ou formação de lista tríplice para a escolha de dirigentes das instituições federais de ensino durante o período da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente da pandemia da Covid-19.”

 

 

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