Aprendendo com o “Movimento de Pés Descalços”

Por Rodolfo Machado

 

Para quem acha que conhecimento é um diploma pendurado na parede, essa palestra pode ser assustadora.

Em Rajasthan, na Índia, uma extraordinária escola ensina camponeses – muitos deles analfabetos – a tornar-se engenheiros solares, dentistas e doutores em suas próprias vilas.

É a chamada Escola do Pé Descalço, e seu fundador, Bunker Roy, explica como ela funciona.

 

 

Para assistir à palestra de Roy na íntegra, basta clicar aqui e escolher o idioma.

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3 comentários

  1. Djalma Maranhão, Prefeito de

    Djalma Maranhão, Prefeito de Natal de 1960 a 1964, foi preso pelos ditadores em 2 de abril de 64, foi também um dos entusiastas (e, não sabemos ao certo, precussor) dessa modalidade de escola:

    “Mas o que imortalizou o governo de Djalma Maranhão foi, sem dúvida, a “Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler”, coordenada pelo professor Moacyr de Góes, secretário de Educação.

    O objetivo da campanha era a erradicação do analfabetismo na Cidade do Natal. A situação, nesse setor, impressionava. Segundo Moacyr de Góes, “o índice de analfabetismo na população acima de 14 anos, era o mais alto do Nordeste (59,97%) e, em Natal. O Censo de 1960 revelava a existência de 60.254 adultos”.

    Consultando as pessoas residentes nos bairros periféricos, Djalma Maranhão descobriu que a necessidade número um, reclamada por todos, era uma só: “escolas para crianças que, sem poder adquirir farda ou sapatos, não podiam frequentar os grupos escolares construídos pelo governo do Estado”. As crianças sem estudos, sem divertimentos, sem boa alimentação, sem roupas, na miséria, eram as futuras prostitutas e os futuros marginais. Elas precisavam, portanto, aprender a ler e a escrever para, prosseguindo nos estudos, pudessem ascender socialmente.

    A escola deveria fornecer tudo: o professor, a carteira, o material escolar e, inclusive, a merenda. A educação, portanto, seria o único caminho pelo qual os meninos pobres poderiam mudar de “status”, sair da miséria.

    Djalma Maranhão, ligado desde suas origens às reivindicações populares, compreendeu de imediato a dramaticidade daquela necessidade. Aceitou o desafio. Designou o professor Moacyr de Góes para planejar, organizar e executar a campanha para erradicar o analfabetismo em Natal.”

     

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Djalma_Maranh%C3%A3o

     

     

  2. Pois é, João Maria, Djalma

    Pois é, João Maria, Djalma Maranhão foi um exemplo enorme de prefeito de Natal, jamais imitado, infelizmente, pela visão nobre, de querer fazer alguma coisa para erradicar o analfabetismo, e, juntamente com Moacir de Goes, seu secetário de educação, e amigo, Lançaram o programa DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER. 

    Como a Prefeitura de Natal não tinha grana para fazer frente às despesas com o referido programa, Djalma improvisava em locais abertos, como umas tendas, porém com doação de bancos e cadeiras, quadro negro, e todo o material escolar necessário para que as aulas fossem ministradas pelos professores pagos pela prefeitura. As crianças tinham livre arbítrio: iam se quisessem, e do jeito que estavam vestidas, calçadas, ou não. Eu mesma presenciei Djalma nas ruas de Natal, cercado por essas crianças carentes, enquanto ele conversava com elas, a título de convencê-las sobre a importância de estudar. 

    Voltando a Natal, após tantas décadas fora, assisti a um documentário de pessoas que tabalharam com Djalma, e que assitiram a tudo que se fez contra ele, com o golpe militar. Elas dizem que foi Aloísio Alves, governador do RN naquela época, quem dedurou Djalma ao militares, dizendo que ele era comunista. Na verdade, Aloísio via em Djalma uma ameaça, porque sabia que o Prefeito tomaria seu lugar nas próximas eleições para governador do RN. A minha maior glória foi saber a notícia da cassação de Aoísio anos depois. 

    Djalma morreu exilado no Uruguai, e, segundo seus amigos, morreu de tristeza por não poder voltar ao Brasil, a Natal.

    O mais incrível é ver que nenhum outro prefeito ou governador do RN foi capaz de, ao menos, imitar Djalma Maranhão. Pelo contrário. A ideia dos Alves de hoje, que já tem até neto de Aloísio na Câmara Municipal, é a mesma de sempre, que se mantém no Nordeste inteiro: a de manter o povo quanto mais burro possível. 

    Se fosse possível imaginar o sucesso do programa de Djalma, e a continuação de ações como aquela, sem interrupção, hoje provavelmente Natal teria sido um exemplo para o mundo, e nela não haveria nenhum analfabeto.

    Por isso eu digo, que se se comunista é alfabetizar, é dar conhecimento à população de que ela é possível de se transformar e de transformar o mundo, melhor seria que fôssemos todos comunistas. Por isso também é que sinto um verdadeiro desprezo por esses militares que conseguiram brecar o desenvolvimento do nosso país, ainda hoje sofrendo enormemente por aqueles anos tenebrosos.

    Enfim, adorei o vídeo. É uma aula incrível de sabedoria.

    Parabéns a Rodolfo Machado que nos prestigiou com esse post maravilhoso.

     

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