Colégio Chico Anysio estimula jovens a criarem ações para a comunidade escolar

Essa é uma das frentes curriculares da instituição, orientadas para a formação cidadã e para o desenvolvimento integral dos estudantes de ensino médio

Por Ana Luiza Basílio, do Centro de Referências em Educação Integral

A constatação de que havia desperdício de alimentos pelo Colégio Estadual Chico Anysio veio dos próprios alunos. Especificamente de um grupo do 1º ano do ensino médio que, a partir dessa crítica, se propôs a criar uma solução. Como primeira estratégia, os estudantes calcularam o impacto financeiro decorrente dos oito quilos de alimentos que, diariamente, iam para o lixo. Esse foi o ponto de partida para desenharem uma proposta de conscientização que, entre outras medidas, definia que os estudantes passassem a se servir, ao invés de receber os pratos feitos.

 

Apresentado para uma banca – composta por funcionários, alunos e professores -, que tem o papel de medir a relevância dos projetos para a comunidade escolar, a iniciativa vem sendo executada desde 2014 e possibilitou que a escola reduzisse para apenas um quilo o total do descarte diário de alimentos. A expectativa é que, em 2016, a proposta se integre ao plano político pedagógico da instituição, como anuncia o diretor geral Willmann Costa.

Entrada do colégio, localizado no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro /Crédito: Cris Torres/divulgação Seeduc

Espaços democráticos

Essa a iniciativa é fruto do Projeto de Intervenção e Pesquisa (PIP), uma das frentes mantidas pelo núcleo articulador da escola, que tem o intuito de integrar à base comum os conhecimentos oriundos da formação cidadã, na perspectiva da educação integral. No PIP, todos os 250 alunos da instituição são incentivados a criarem ações em prol da comunidade escolar. “Nós os apoiamos a serem cidadãos e a interferirem positivamente no meio ambiente, a pesquisar, argumentar, defenderem seus pontos de vista”, esclarece Willmann. Os estudantes cumprem uma jornada de tempo integral, das 7h às 17h.

A orientação vem fazendo com que os alunos tenham mais liberdade de participação, criem suas demandas e regras, e tomem decisões conjuntas com os demais atores da instituição. Foi o caso da Varanda Literária, projeto que nasceu de uma turma do 2º ano do ensino médio, mas que também se incorporou às práticas e deve ser igualmente integrado ao plano político pedagógico o ano que vem. Trata-se de uma estante, colocada na área de convivência comum do colégio, em que a comunidade escolar pode trazer e levar obras livremente.

“O grupo nos procurou falando sobre o desinteresse dos jovens pela leitura e propôs uma solução bem menos burocrática do que a das bibliotecas”, relembra o diretor. A ideia é que o “leva e traz” de livros aconteça pelo interesse dos jovens em intercambiar leituras. “Não só vem funcionando bem, como já percebemos que os estudantes vêm lendo mais em seus horários vagos”, comemora o gestor.

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