Sobe para 37 o número de escolas ocupadas em SP

Atualizado às 13h45

Da Agência Brasil

Subiu para 37 o número de escolas ocupadas no estado de são Paulo em protesto contra a reorganização escolar que será implantada pela Secretaria de Educação em janeiro de 2016. O levantamento foi divulgado hoje (16) pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial no Estado de São Paulo (Apeoesp).

O projeto da secretaria prevê o fechamento de 94 escolas e a transferência de cerca de 311 mil estudantes para instituições de ensino da região onde moram. O objetivo da reorganização, segundo a secretaria, é segmentar as unidades em três grupos (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio), conforme o ciclo escolar.

Hoje cedo, estudantes da Escola Estadual Godofredo Furtado, localizada na Rua João Moura, em Pinheiros, interditaram parcialmente a via em protesto contra a proposta da Secretaria da Educação. Com a reorganização escolar, a unidade de ensino ficará somente com o fundamental 2 (6° ao 9° ano). Os alunos do ensino médio serão realocados em outras escolas.

Além das 25 que estavam ocupadas ontem, a Apeoesp incluiu na lista mais 12: Professor Astrojildo Arruda (Vila Carolina), Sinhá Pantoja (Recanto Santo Antonio), Professora Marilsa Garbosa (Jardim São Luís) e Neide Solitto (Jardim das Palmas), na zona sul da capital; Roger Jules de Carvalho Mange (Itaim Paulista), zona leste; Coronel Antonio Paiva Sampaio (Quitaúna/Osasco); Santinho Carnevale (Vila Mara/Ribeirão Pires); Professora Maria Elena (Parque das Américas/Mauá); Stela Machado (Vila Pacifico/Bauru); Américo Brasiliense e José Augusto de Azevedo Antunes, em Santo André; e Mario Avezani, em Santa Cruz das Palmeiras, na região de Pirassununga.

Na sexta-feira (13), os estudantes que ocupavam sete escolas na capital e Grande São Paulo receberam o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Entre sexta-feira e hoje (17), o MTST ocupou sete estabelecimentos de ensino: quatro na zona sul da capital (Professor Flávio José Negrini, Professora Neyde Sollitto e Comendador Miguel Maluhy, na região do Campo Limpo, Mary Moraes, no Portal do Morumbi), uma na zona leste (Cohab Inacio Monteiro III, Cohab Inacio Monteiro), e duas no ABC Paulista (Antônio Adib Chammas, em Santo André) e Maria Elena (Mauá).

Hoje, completa uma semana em que a segunda instituição de ensino da Grande São Paulo foi ocupada. Na terça-feira passada (10), ocorreu a ocupação da Escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste da capital. Na noite da última sexta-feira (13), o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara de Fazenda Pública, que havia determinado, dois dias antes, a desocupação da escola recuou e suspendeu a reintegração de posse.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou ontem (16) que continua disposta a dialogar com os manifestantes que ocupam algumas unidades de ensino da capital e região metropolitana, apesar das constantes negativas desses grupos. A secretaria lamenta que grande parte dessas invasões seja liderada por representantes de movimentos que desconhecem o processo de reorganização da rede de ensino. O órgão diz que reconhece o direito à livre manifestação, mas ratifica que não pactua com movimentos político-partidários que não têm como objetivo a melhoria da qualidade de ensino e cerceiam o direito dos alunos de assistirem às aulas. A secretaria informa ainda que todo o conteúdo pedagógico perdido será reposto.

 

A secretaria não informa quantos estabelecimentos de ensino estão ocupados no estado.

Do ABCD Maior

 
Por: Rosângela Dias
 
Já são 30 as unidades ocupadas por alunos contra ‘reorganização’ imposta pelo governo do Estado

Iniciada na noite da última segunda-feira (09/11) na E. E. Diadema, a série de ocupações de escolas estaduais contra a “reorganização” do ensino imposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) cresce a cada dia.

Levantamento divulgado nesta segunda-feira (16/11) pela Apeoesp (Sindicato do Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) mostra que subiu para 30 o número de escolas ocupadas no estado, incluindo cinco no ABCD. A reorganização pretende separar as escolas por ciclos e fechar ao menos 93 unidades.

Os alunos da Escola Estadual Diadema, antiga Cefam, conquistaram na Justiça o direito de permanecer no local ao menos até 12h desta terça-feira (17/11), data da nova reunião de conciliação com a Procuradoria Regional do Estado. A saída dos alunos da escola estava prevista para as 14h desta segunda, mas foi suspensa após decisão do Ministério Público.

O advogado Elton Cândido, representante da OAB, acompanhou uma das tentativas de conciliação e acredita que não há motivos para pedir a reintegração de posse. “Os alunos não estão ocupando para depois requerer propriedade, só querem chamar para o diálogo e exigir políticas públicas de educação”, disse.

“É inaceitável que uma questão educacional se torne uma questão policial”, avaliou Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, que visitou a escola nesta segunda. Ariel afirma que tem acompanhado de perto as ocupações e acredita que o Estado precisa rever o projeto de reorganização.

Os estudantes da E. E. Diadema continuam acampados no pátio da escola. Os jovens foram divididos em grupos e cada um é responsável por um setor da ocupação. Michelle Moreira, 15 anos, ficou responsável pela limpeza do local. Ela conta que os jovens têm recebido doação de comida e fazem vigília durante a noite.

“Dormi três noites seguidas aqui. Temos nos revezado, se eu precisar sair, alguém fica no meu lugar para fazer a tarefa”, explicou. “Pensamos muito antes de ocupar a escola. Sabíamos que poderia ter represália, mas isso dá mais valor para a nossa luta”.

DÉLCIO

Ainda em Diadema, a E.E. Délcio de Souza Cunha, no Bairro Canhema, foi ocupada por estudantes na manhã desta segunda.

Suellen Dias, 17 anos, é aluna da Délcio e conta que os estudantes se inspiraram no exemplo da primeira escola ocupada na cidade. “Fomos fazer uma visita e nos espelhamos neles. Ocupamos a nossa escola hoje (segunda) de manhã e vamos ficar até ter uma resposta concreta”, afirmou. Com o novo modelo estadual, a unidade passará a oferecer somente turmas do Ensino Fundamental, o que resultará no fechamento do período noturno.

SANTO ANDRÉ

Outras três escolas, em Santo André, estavam ocupadas até as 20h desta segunda. A E. E. Oscavo de Paula foi ocupada por volta das 19h de sexta-feira (13/11) por cerca de 250 alunos. A diretoria da escola, que fica no Bairro Bangu, anunciou no início deste mês o fechamento do período noturno.

Indignados com o fechamento da E.E. Valdomiro Silveira, em Santo André, previsto para acontecer em 2016, um grupo de estudantes permanece na escola desde a noite de quinta-feira (12/11). Desde então, a entrada e saída é monitorada pelos alunos, que decidem por meio de votação quais os próximos passos.

A E.E. Adib Chammas, no Jardim Santa Cristina, foi ocupada na noite de sexta-feira. Cerca de 100 pessoas participaram da ocupação, entre alunos, pais de alunos e militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

 

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