Em Santo André, alunos que ocuparam escola relatam intimidações

Enviado por Leo V

Do ABCD Maior

 
Por: Bruno Coelho
 
Estudantes ocupam a unidade Professor Oscavo de Paula e Silva contra o fechamento do noturno
 
A vida de pais e alunos que ocupam a Escola Estadual Professor Oscavo de Paula e Silva, no Bairro Bangu, em Santo André, não está fácil desde que tomaram o espaço da unidade escolar na noite desta sexta-feira (13/11). Os estudantes, que protestam contra o fechamento do período noturno na escola, relatam ataques feitos por um grupo de desconhecidos, que chegou a usar um carro para tentar arrombar o portão do prédio durante a madrugada deste sábado (14/11). Os jovens também denunciam que a direção da escola tentou dificultar a permanência dos alunos no local.
 
Estudante do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Professora Inah de Mello, no Parque das Nações, Matheus Pinho, 16 anos, participa junto com colegas da unidade na ocupação na Oscavo e diz que um carro modelo Honda Civic deu ré pressionando o portão da escola na madrugada deste sábado. O aluno explica que a Polícia Militar foi acionada, mas não compareceu à localidade.

 
“O carro dava ré e batia no portão. Ligamos para a PM e não vieram. Depois, algumas pessoas entraram na (área externa da) escola e bateram nos portões laterais que estavam bloqueados por mesas”, relata o estudante. De acordo com alunos que ocupam a unidade, pais decidiram passar a noite deste sábado no equipamento temendo novas ameaças.
 
SOLIDARIEDADE ENTRE OS ESTUDANTES
 
A ocupação da Oscavo não apenas reúne estudantes da própria localidade, como também atrai jovens de outras escolas. Matheus diz que participa do protesto, porque com o fechando o período noturno na Oscavo, os alunos serão encaminhados ao Inah de Mello, que, conforme o próprio relato, já tem salas com até 47 pessoas.
 
De acordo com o grupo, formado por cerca de 25 integrantes, também há alunos das escolas estaduais José Augusto de Azevedo Antunes (Bairro Casa Branca), Doutor Carlos de Campos (Vila América) e Professor Adamastor Carvalho (Bairro Utinga) no ato.
 
DIFICULDADES
 
Presente na ocupação, Guilherme Botelho, 16 anos, é aluno do segundo ano do ensino médio na Oscavo no período noturno. Embora não trabalhe, o estudante tem bons motivos para se preocupar caso o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ratifique a decisão de encerrar as atividades na escola durante a noite.
 
“Se fechar o noturno, atrapalha. Eu faço Senai em São Bernardo, saio de lá 12h. Então devo chegar em Santo André até 14h, mas como vou estudar à tarde então? Chegaria atrasado todo o dia? A escola é pública e o governador não pode determinar onde vamos estudar”, protesta. De acordo com o aluno, muitos colegas que trabalham durante a tarde também manifestam preocupação com o futuro.
 
Além do encerramento das atividades noturnas em escolas estaduais, o governo paulista também propõe, por meio do plano de reorganização da rede de ensino, fechar 94 unidades pelo Estado, causando indignação de pais, alunos e professores. Além da Oscavo, outras três unidades estão ocupadas no ABCD, sendo mais duas em Santo André e uma em Diadema.
 
RETALIAÇÃO
 
De acordo com os alunos, a direção da escola Oscavo tem dificultado a vida de quem participa da ocupação. A equipe do ABCD MAIOR entrou no equipamento na tarde deste sábado e viu as salas de aulas trancadas. O refeitório também estava fechado, impedindo que pais e alunos cozinhassem o almoço e o jantar no local. Além disso, os estudantes dormiam no pátio ou nos corredores.
 
Matheus explica que durante a ocupação, a direção chegou a chamar a PM, marcando o clima tenso entre estudantes e direção. “Pedimos para a diretora liberar as salas (para os alunos dormirem), mas ela não liberou. Sem a cozinha, os pais trazem comida de casa aos filhos. E além disso, houve ameaça de funcionária”, conta.

 

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