Estudantes e pesquisadores brasileiros no Reino Unido protestam contra fim do Ciências Sem Fronteiras

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Imagem: Ministério da Educação
 
Jornal GGN – Sediada em Londres, a Associação de Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores no Reino Unido (Abep-UK) divulgou nota protestando contra a extinção do programa Ciência sem Fronteiras para os alunos de graduação. 
 
A entidade afirma que o anúncio se soma a outras “notícias preocupantes”, como o congelamento dos investimentos em saúde e educação, dizendo também que é “evidente a nossa defasagem númerica em relação aos estudantes provenientes dos demais países”. 
 
A Abep-UK ressalta que o programa é um “ambicioso projeto” que colocou o país no mapa da Ciência e Tecnologia mundial. “20% de seus estudantes de Graduação retornam para a pós-graduação no exterior, contra 5% dos demais estudantes Brasileiros”, cita a nota como exemplo dos resultados positivos do CsF. 

Para os estudantes e pesquisadores, é compreensível a redução da oferta de bolsas em um cenário de crise econômico,  mas discordam do cancelamento de todo um ramo do programa. “A completa extinção da modalidade Graduação, portanto, não é solução, mas sim abandono”.
 
Leia a nota completa abaixo: 
 

Clique aqui e assine nossa petição pela manutenção da modalidade Graduação do Ciência sem Fronteiras.

O recente anúncio da extinção do programa Ciência sem Fronteiras para alunos de Graduação soma-se à série de notícias preocupantes que emergem do atual cenário brasileiro. Investimentos em Saúde e Educação, vistos pelos gerentes do poder como meros “gastos”, estão congelados por 20 anos. Apenas a reposição da inflação é insuficiente para a manutenção destes, uma vez que a dinâmica de tais setores-chave da economia requer investimentos crescentes, do poder público, que atendam a demandas que não necessariamente surjam de acordo com a inflação, a exemplo do vírus do Zika e outras epidemias.

Como estudantes e pesquisadores brasileiros no exterior, observa-se que é evidente a nossa defasagem numérica em relação aos estudantes provenientes dos demais países. Juntamente aos outros acadêmicos latino-americanos, somos, de longe, os menos representados nas universidades britânicas, ao contrário de estudantes asiáticos e árabes, dentre outros.

Com o programa Ciência sem Fronteiras, pela primeira vez em sua história, o Brasil pôs em movimento um ambicioso projeto que, se ainda não nos equipara em números a outras nações, colocou o país no mapa da Ciência e Tecnologia mundial, ressaltando-se que 20% de seus estudantes de Graduação retornam para a pós-graduação no exterior, contra 5% dos demais estudantes Brasileiros, ou seja, o programa está dando resultados sim.

Trata-se, desta forma, de grande oportunidade não apenas para expandir a internacionalização da ciência brasileira, como também para aplicar o que se aprendeu no exterior em nosso país, gerando mais conhecimento e fortalecendo a nossa academia. É um investimento, porém, de médio para longo prazo; e por uma razão simples: o desenvolvimento de uma pesquisa de qualidade requer tempo e dedicação.

Em recente evento promovido por esta Associação, junto a representantes de universidades britânicas, estes foram unânimes em dizer que a língua Inglesa não é um problema para o bolsista brasileiro. Trata-se de algo que acomete qualquer estudante proveniente de uma nação de língua não-Inglesa. As próprias universidades possuem núcleos de apoio para aperfeiçoamento na língua, pois é comum que estudantes internacionais cheguem com nível de Inglês suficiente para se comunicarem bem, mas sem a fluência que os rígidos padrões acadêmicos exigem. Isto constitui, aliás, um dos principais objetivos do programa: a oportunidade do aperfeiçoamento da língua Inglesa, com foco acadêmico e profissional.

Entendemos, porém, que o cenário econômico atual é delicado e, em tempos de crise, uma redução na oferta de bolsas é compreensível. Entretanto, não podemos concordar com o cancelamento por completo de todo um ramo do programa. Se há problemas, estes não são os alunos. A completa extinção da modalidade Graduação, portanto, não é solução, mas sim abandono.

Um país sem Ciência e Tecnologia está fadado a ser recolonizado”, disse uma vez o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro. Nós diríamos que um país colonizado está fadado a não ter Ciência e Tecnologia.

Esperamos e lutamos ativamente para que este não seja o nosso caso.

Diretoria ABEP-UK | Gestão 2016/2017

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6 comentários

  1. “eles querem q quem vem
    de

    “eles querem q quem vem

    de onde nós vem

    seja mais humilde

    baixe a cabeça

    nunca revide

    finja q esqueceu

    a porra toda

    eu quero mais q eles se f*da!”

     

     

    sem crime não há impeachemnt: há golpe de estado.

    o levante já começou. não vai levar 21 anos de novo.

  2. Revisar é preciso

    O Brasil é agora um país ocupado e sem soberania. Logo, dos problemas que vivemos esse é o menor.

    No entanto, é necessário que se faça uma revisão nos investimentos na pesquisa nacional e no modelo de ciência que se quer para um país em desenvolvimento.

    Simplesmente imitar o Ocidente Rico não gerou resultados, pelo contrário, o Brasil ou aproveita mal os seus pesquisadores ou os envia de graça para o exterior.

    Panelas, grupetos, irmandades, fraternidades, corporativismo, produtivismo, reificação das revistas científicas internacionais, pouca conexão com a realidade, inutilidades em demasia, artigos que nunca serão lidos, eventos caríssimos inúteis … Tudo isso os países ricos podem suportar com folga. Não o Brasil.

    Mesmo os institutos e empresas estatais de pesquisa vivem a paranóia do produtivismo e oportunismos.

    Ciências Sem Fronteiras imita o programa Erasmus e Erasmus Mundo Europeu que tem como principal objetivo aumentar a coesão social e diminuir as animosidades culturais lá no Velho Continente. Ou seja, não deixa de ser uma imitação.

    O Brasil não tem revertido em inovação e desenvolvimento científico o investimento em formação nos nível de Doutorado, por exemplo. Nossa pesquisa é periférica e dependente até o osso de materiais e métodos do rico ocidente. Pra que tanto esforço em se manter dependente?

    É necessário descolonizar a ciência antes de qualquer coisa. Esse mimetismo acrítico se esgotou.

     

  3. Por pior que seja o Governo

    Por pior que seja o Governo Temer e o por mais anacrônica que seja a volta do PFL/DEM ao MEC, eles têm razão em diagnosticar o Ciência sem Fronteiras como um enorme despedício de dinheiro. A quantidade de estudantes de graduação enviada ao exterior foi absurda. Algumas Faculdades Particulares saiam “caçando” alunos, sem o mínimo critério.

       Eu tive uma aluna de Iniciação Científica que passou um ano nos EUA. No caso dela, a experiência foi ótima e ela era uma aluna realmente muito boa. Mas, como não haviam critérios para a seleção e demagogicamente resolveu-se jogar o número de vagas nas alturas, os relatos de não efetividade do estágio superam em muito os relatos positivos.

       Centenas de estudantes que estavam no exterior e não conseguiram ser aprovados em exames de língua chegaram a ser mandados de volta. Como o Governo pode justiticar tamanha incompetência? 

  4. Fim dos Programas do Governo?

    Não sou amante do governo petista, porém, é inevitavel não concordar que tomaram boas ações em prol da educação. Hoje o governo de Temer tem limitado ao máximo, reduzindo custos aonde não pode reduzir (sabemos da falta de verba pública). Pelas informações que tenho visto, o Ciências sem Fronteiras vai atender somente pós-graduação, mudando totalmente o sentido de quando foi criado. Programas como o Pronatec, SiSUTec, SiSU, ProUni e Fies já não atende mais os interessados, fazendo com que o ENEM sejá quase inutil. Será o fim dos programas do Governo?

    Lúcia Zolin

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