USP lidera ranking de universidades da América Latina

Jornal GGN – Gestão e uma boa estratégia de investimentos foram aliadas importantes para colocar a Universidade de São Paulo (USP), pela terceira vez consecutiva, em primeiro lugar entre melhores da América Latina.

É o que afirma Carlos Vogt, linguista e especialista em ensino superior, para quem o prêmio também é um reconhecimento muito importante para as instituições brasileiras de um modo geral. 

 
A posição da USP entre as melhores da região foi revelada pelo estudo Latin American University Rankings 2013, realizado pela Quacquarelli Symonds, companhia britânica especializada em pesquisas e educação em todo o mundo. Além da universidade paulista, , entre as dez melhores estão a Universidade Estadual de Campinas (3º lugar), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (8º) e a Universidade Federal de Minas Gerais (10º). O ranking leva em consideração 300 universidades da América Latina.


Fonte:Fonte QS Latin American University Rankings 2013

No entanto, apesar de dominarem o cenário latino-americano, quando a comparação engloba as universidades em nível mundial, as instituições brasileiras de ensino caem para posições inferiores. No ranking mundial QS University, por exemplo, relativo aos anos 2012 e 2013, a USP aparece numa nada honrosa 139ª colocação.
 
Avaliação
 
A metodologia utilizada para realizar o ranking das universidades da América Latina é baseada na avaliação de especialistas. Os critérios e pesos utilizados são: 30% para reputação da instituição na academia, reputação da instituição no mercado de trabalho (20%), trabalhos por docente (10%), citações por trabalho (10%), proporção de professores/estudantes (10%), quantidade de professores com doutorado (10%) e 10% para o impacto na internet (webmetrics).
 
De acordo com Vogt, entre os critérios utilizados na pesquisa da América Latina está o “indicador de impacto”, que conta quantas vezes cada trabalho acadêmico foi mencionado em artigos científicos. “Os indicadores que eles usam dizem respeito ao número de doutores, números de publicações e citação de publicações internacionalmente” explica Vogt.
 
Ele observa que, quando se considera o ranking mundial de universidades, o critério de avaliações é um pouco diferente, leva em conta o número de publicações, de papers e de artigos científicos publicados em inglês. “Não é considerado o número de doutores porque se subentende que os professores que atuam dentro das universidades, são doutores. O efeito disso é que, no ranking mundial, a USP apareça na 139ª posição”, explica. “Isso tem a ver, também, com o fato de que, quando se olha a produção científica internacional, a língua de comunicação é a língua inglesa”
 
Em busca do Nobel
 
Quando se trata de aspectos que as universidades brasileiras podem melhorar Vogt relata que deveria haver uma obsessão dentro das próprias universidades para perseguir o Prêmio Nobel nas áreas de conhecimento em que elas atuam. “Nos planos das grandes universidades, deveria haver parâmetros para a escolha de nomes que fossem referência em suas áreas de atuação. É como um time de futebol que quer ser campeão; é preciso olhar para a gestão, investimentos e destaques dentro da própria faculdade. Tudo isso produz resultado”, analisa.
 
O especialista explica que a posição da USP entre as melhores da América Latina não é por acaso. Ele lembra que houve um programa de consolidação de universidades a partir dos anos 70 e que, do ponto de vista de produção do conhecimento, foi criado um sistema de políticas públicas consistente. “A criação de programas de pós-graduação e programas que estimulam conhecimento, como a Capes e o CNPQ”, acrescenta. “Atualmente, formamos 12 mil doutores por ano, quando há 20 anos formávamos 500. Outro dado importante é que, hoje, metade da produção científica realizada no Brasil é feita nacionalmente.”
 
De acordo com o professor, é preciso direcionar os investimentos para que as instituições de ensino se consolidem cada vez mais – e a importância desse reconhecimento para as universidades é fundamental. “Os prêmios e investimentos são importantes, pois criam uma dinâmica de competição para as demais universidades que almejam essa posição, algo extremamente sadio do ponto de vista de fomentação do conhecimento”, finaliza.

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