Balanço da campanha brasileira na copa

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de Cabocla

Seleção Brasileira, copa de 2010: Rapunzel na torre e sem a trança…

Cara leitora, caro leitor, temos o fim de semana inteiro para ficar conversando com os amigos, trocando emails, sms, marcando encontros nos bares, na praia, almoços e churrascos neste domingo que não terá futebol para discutir o que aconteceu. Porque mais uma vez sequer ficamos entre os 4 melhores do mundo?

Antes de mais nada temos que aceitar o inevitável, perdemos para um time tão bom quanto o nosso, seja em valores individuais seja na postura tática. O Brasil foi melhor no primeiro tempo, poderia ter chegado aos 2, até 3 a zero. Não conseguiu. A Holanda não se perturbou, não perdeu o equilíbrio emocional, soube se recompor, foi melhor no segundo tempo e aproveitou as oportunidades. Aí perdemos o equilíbrio emocional, a organização tática e eles poderiam ter marcado mais gols. Paciência, é um clássico do futebol mundial, qualquer um pode vencer e desta vez tocou à Holanda. Ganhou essencialmente por que mostrou ser um time mais equilibrado emocionalmente, mais preparado para uma decisão tensa como foi esta de sexta-feira no estádio Nelson Mandela.

Desde o início da Copa venho escrevendo aqui que o Brasil era um dos favoritos ao título e que poderia chegar ao hexa. Sempre afirmei isso pela confiança na qualidade individual dos nossos jogadores. Seremos favoritos de novo em 2014, em 2018 e assim por diante, com qualquer treinador, com qualquer comissão técnica. Não se trata de orgulho bobo, de convencimento. Os próprios adversários reconhecem ser o Brasil o único país em condições de formar 3 ou 4 equipes que tecnicamente possuem condições de disputar o título.

Onde foi que erramos desta vez? Bem desta vez erramos por contrariar o óbvio e por brigar com a opinião pública. O óbvio é que Felipe Melo não possui condições emocionais de disputar jogos tensos, nervosos. Já tinha mostrado o seu descontrole em setembro do ano passado contra o Chile pelas eliminatórias. Voltou a mostrar no amistoso antes da Copa diante da Tanzânia. Era óbvio que seria expulso. Tão óbvio que as bolsas de apostas em Londres não aceitaram esta aposta. Todos sabíamos, mesmo assim ele foi escalado. A outra razão o Brasil inteiro vinha gritando, escancarando desde o início do ano: e se o Kaká não puder jogar? E se ele estiver jogando mal e precisar ser substituído, quem entra?

A opinião pública pedia ao menos Ganso e Ronaldinho Gaúcho na reserva justamente por que se imaginava uma situação como a do segundo tempo contra a Holanda. Uma situação de dificuldade onde só a entrada de um jogador diferenciado poderia resolver. Tudo bem, pode ser que um dos dois entrasse e não conseguisse mudar o jogo, mas pelo menos teríamos a opção. Não tínhamos opção nenhuma e aí, ao olhar para o banco e só deparar com Kleberson, Julio Batista e Josué, bateu o desespero total e a decisão de tirar de campo Luis Fabiano foi desastrosa. Poderia sair até o Lúcio, mas não o Luis Fabiano. E, como não tinha opção fomos até o fim da partida perdendo e sem fazer a terceira substituição permitida pela regra.

O que fica de lição? Não se pode contrariar o óbvio, não se pode brigar com a opinião pública isto é inquestionável. Além disso fechar o time em um regime de prisão domiciliar não é garantia nenhuma de se alcançar a vitória. A Seleção de 2002 passou a Copa inteira hospedada nos mesmos hotéis que os torcedores e os jornalistas. Os jogadores tinham uma hora de prazo após os almoços para descer ao lobby dos hotéis e tirar fotos, dar autógrafos, conversar com quem bem entendessem.

Após os jogos, nas madrugadas coreanas e japonesas todos participavam do “Bem Amigos” com o Galvão Bueno, tocavam pagode, se divertiam. Era um time alegre. Este de 2010 vai entrar para a história como um time triste. Rapunzel confinada na torre sem a trança para jogar ao príncipe. Sexta-feira, no Nelson Mandela, um jogador desabafou: “Não aguento mais esta situação. 39 dias trancado com uma família que não escolhi”. A dose de reclusão e solidão foi exagerada. Mais, Seleção, como a própria palavra diz é o lugar onde devem estar os melhores tecnicamente e não os mais amigos, os mais bem comportados, pois, como nos ensinou o Mestre Armando Nogueira, “Deus castiga quem o craque fustiga”. Não se pode desprezar Paulo Henrique Ganso, Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Pato, Hernanes, Neymar e até mesmo André Santos, um lateral legítimo, para improvisar dois nomes na lateral-esquerda, e achar que seguiremos impunes.

A Seleção de 2006 entrou para a História das Copas por ter perdido em razão de ter feito muita festa e ter convocado dois jogadores acima do peso, Adriano e Ronaldo, e dois que não estavam em boa forma física, Cafu e Roberto Carlos. Teve adversários um pouco mais difíceis marcou 9 gols e sofreu 2. A de 2010 marcou 9 gols, sofreu 4, foi eliminada na mesma fase sem nunca ter empolgado a torcida. Como o time estava unido todos choraram abraçados no vestiário e disseram que sentiram muito a derrota. Vamos esperar para ver o que vão falar quando voltarem ao Brasil e estiverem livres para se expressar outra vez. Só então será possível avaliar que lugar a História vai reservar para este time.

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