Escárnio: Bolsonaro aceita Copa América no Brasil, após Argentina recusar por causa da pandemia

"Conmebol dá as mãos ao fascismo bolsonarista", escreve Milly Lacombe. Juca Kfouri defende boicote das seleções que disputam o campeonato

O GGN PRECISA DE VOCÊ PARA CONTINUAR PRODUZINDO INFORMAÇÃO E ANÁLISE CRÍTICA E INDEPENDENTE
CLIQUE AQUI E SAIBA COMO APOIAR

Jornal GGN – A Conmembol anunciou na manhã desta segunda (31) que conseguiu autorização de Jair Bolsonaro e da CBF para realizar a Copa América no Brasil, após Argentina rejeitar acolher o campeonato em meio à pandemia do novo coronavírus.

Segundo informações do UOL Esporte, antes da Argentina, Colômbia já rejeitado receber parcialmente as nove seleções que vão disputar a Copa América, também receosa de que não é o momento adequado para este tipo de evento.

O Brasil soma mais de 460 mil mortes por Covid-19 e está a caminho de uma terceira onda, com a vacinação em massa patinando por dificuldades na importação de insumos para as vacinas do Butantan (Coronavac) e Fiocruz (Astrazeneca). Nas últimas duas semanas, a CPI da Covid no Senado revelou que mais do que criar atritos que dificultam as relações diplomáticas com a China, a maior produtora dos insumos, o Brasil de Jair Bolsonaro ainda recusou várias ofertas de vacina do Butantan e da Pfizer. Segundo Dimas Covas, o Brasil poderia ter sido um dos primeiros países do mundo a iniciar a campanha de imunização em massa, ainda em 2020.

Para o jornalista esportivo Juca Kfouri, com a decisão de Bolsonaro, “chegamos ao auge do escárnio no país de ‘maricas’, no lugar em que o genocida-mor imita pessoas com falta de ar.”

Kfouri defendeu intervenção do Supremo Tribunal Federal no governo federal e boicote das seleções que participam da Copa América. “Agora é esperar que as maiores estrelas do futebol sul-americano como Lionel Messi e Luis Suárez se recusem a vir. Que governos estaduais responsáveis proíbam jogos em suas cidades e governos nacionais proíbam suas seleções de virem a um dos epicentros da pandemia no mundo.” Ele também escreveu, indignado, que é hora do ministro da Saúde, Marcelo Queigora, “renuncie para honrar seu diploma e não seja cúmplice de mais mortes.”

A jornalista Milly Lacombe também se manifestou. Ela escreveu um artigo intitulado “Conmebol dá as mãos ao fascismo bolsonarista”, no qual anotou: “Não estamos morrendo aos milhares por capricho divino, mas pelas ações planejadas de um governo que desejou que sufocássemos aos milhares. A administração de Jair Bolsonaro, que sempre incentivou aglomerações, debochou de quem fica em casa ou de quem sai com máscaras, recusou, apenas de uma fabricante, 70 milhões de doses de vacina. Estamos sendo exterminados, e o mundo todo está assistindo.”

Segundo o UOL, o Brasil só entrou na pauta da Conmebol hoje pela manhã, depois de ficar claro que a Argentina não sediaria o evento. A Confederação Brasil de Futebol (CBF), então, foi consultada. “A CBF, por sua vez, pediu, também na manhã desta segunda, autorização do Governo Federal, que foi concedida. As sedes da competição ainda estão indefinidas – a única certeza é que Brasília será uma delas.”

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome