Coronavírus: Bolsonaro segue defendendo medidas sem eficácia comprovada

Presidente elogia tratamento precoce implantado pelo prefeito de Chapecó (SC) – que vive colapso no sistema de saúde e falta de UTIs

Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro segue contrariando as evidências científicas, e voltou a defender o chamado tratamento precoce em viagem realizada a Chapecó, em Santa Catarina. Bolsonaro ainda criticou a adoção de medidas como isolamento social, que já apresentou resultados comprovadamente favoráveis na contenção do vírus.

“Desde o início [da pandemia] eu digo: temos um problema, o vírus e o desemprego. E as medidas ora anunciadas […] não podem ter efeito colateral mais danoso que o próprio vírus. Eu acho que sou o único líder mundial que apanha isoladamente”, disse Bolsonaro, segundo o jornal Folha de São Paulo. “O mais fácil é ficar do lado da massa, da grande maioria, se evita problemas, não é acusado de genocida, não sofre ataques por parte de gente que pensa diferente de mim. O nosso inimigo é o vírus, não o presidente, a governadora ou o prefeito”, ressaltou.

As declarações foram dadas ao lado do prefeito da cidade, João Rodrigues (PSD), que tem adotado o protocolo bolsonarista desde a sua posse – a ponto de ter montado um ambulatório especializado em “tratamento precoce”, que indica aos pacientes medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, como ivermectina e azitromicina.

“[Rodrigues é um] exemplo a ser seguido, por isso estou indo para lá. Para exatamente não só ver, mas mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave, mas seus efeitos têm como ser combatidos. Mais ainda, naquele município —com toda certeza em mais [cidades], em alguns estados também— o médico tem a liberdade total para trabalhar com o paciente, total. Esse é dever do médico, uma obrigação e direito dele”, declarou o presidente ao anunciar sua viagem a Chapecó.

Embora Rodrigues tenha dito em entrevista coletiva que a cidade está com os números da pandemia em queda e com as internações em patamar “próximo de zero”, algumas informações foram omitidas. Dentre elas, a de que os índices começaram a cair após o lockdown feito entre 22 de fevereiro e 08 de março, por conta da falta de leitos para atendimento de pacientes: como Chapecó é a maior cidade da região oeste catarinense, ela também recebe pacientes de outros municípios.

Informações do site G1 também colocam o otimismo de Rodrigues em xeque: a taxa de mortalidade de covid-19 em Chapecó por 100 mil habitantes é de 238,8, patamar muito acima tanto da média nacional, atualmente em 158,3, como da estadual, com média de 158,1.

O município é o quarto com mais casos da doença em Santa Catarina, com 31,5 mil já diagnosticados e o terceiro com mais mortes: 535 vítimas até a noite de segunda-feira (5). Quando Rodrigues assumiu a prefeitura, em janeiro, a cidade registrava 124 mortes e ainda tinha vagas para atendimento hospitalar. Agora, o sistema de saúde colapsou: dos 112 leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dentro do Hospital Regional do Oeste, 109 estão ocupados, o que leva a taxa de ocupação para 97,32%.

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