Cuidado, Os 1% Acordaram

 

Mas não se surpreenda, nem encha o bolso de pedras. Eles não foram pra rua; mandaram seus capachos e lacaios fazer o estrago que temos visto por aí. Uma horda de Homers Simpson, e leitores da veja com suas demandas genéricas.


É de espantar a lentidão da esquerda em enxergar cenários e agir sob pressão.  Essa mania democrática de debater, discutir, votar em vários turnos, e só então decidir; nos coloca sempre atrás dos inimigos, e suas decisões imediatas e autocráticas.

Não se passaram 4 dias entre os primeiros eventos em 06/06, e a reprovação imediata de toda a mídia, que pedia severidade, cabeças e borrachadas; e a percepção de que a massa amorfa podia ser moldada e manipulada ao bel prazer de Kamels, Mesquitas e Frias. 

Na 2ª feira 10/06, na GROBONius, a fantoche Leilane Neutbarth já chamava de lindas as cenas de depredação e revolta nas ruas do Rio. Na boca dela (cacófato apropriado à locutora) as mesmas cenas, que na 6ª feira tinham sido taxadas de vandalismo, na 2ª feira, eram belas e democráticas. 

Até as imagens de um manifestante (com cabelo afro, de bermuda e sem camisa) que pela janela arrombada, pegava cadeiras da Alerj e jogava na fogueira, era apologeticamente tratado, “Ele não está roubando” ela  dizia, “ele só quer jogar tudo naquela fogueira ali,” completou. Isso sem os muxoxos e suspiros de reprovação; tão frequentes em seus  lábios quando mente, mistifica ou confunde seus espectadores com sua narração adversativa dos eventos que envolvem o governo.

Até Jabor recuou, não sei se pressionado pelo dono do circo ou por canalhice voluntariosa.

E  nós, da esquerda, ainda confusos sobre o que acontece. Até a luminar Marilena Chauí embasbacou e elogiou. Conceição Lemes e Eduardo Guimarães foram para a rua e não viram o que eu vi pela tv, ninguém que possa, de longe, ser confundido com O Povo. 

Foto: Quando falo que esse Movimento de Porras Lokas....
o incoerencia esse cartaz...Em sua enorme maioria, mauricinhos e patricinhas, com suas demandas genéricas, arrastados num protesto que a amiga Ana Maria, no facebook, genialmente categorizou de protesto: “Vem Comigo Que Eu Explico no Caminho.”

Tá, é um fenômeno a ser estudado, mas enquanto se estuda, ação contrária é emergencial. Levou mais de uma semana para que a esquerda se mobilizasse e convocasse uma marcha de vermelho que, depois da revogação, pelas prefeituras, do aumento das passagens, com certeza será esvaziado.

Os 1% riem de orelha a orelha. Nós ficamos a teorizar e filosofar sobre a direção da massa amorfa, que já foi controlada pelas demandasprêt-à-porter da mídia canalha.

Tem até um tumbler onde se pode copiar exigências para serem impressas em cartazes.

Resumindo, nada disso me engana ou ilude. O MPL e a maioria de seus organizadores não depende de ônibus, os que dependem, como estudantes, tem passe livre. Não quero desmerecer o fato de lutarem por causas que não os afetam diretamente. Eu mesmo luto por coisas  que não me beneficiarão. Em 2006 comecei um movimento de protesto contra aumentos de passagens em Niterói, sem tanto glamour e sem tanto comparecimento. 


A questão é que esses jovens, que até aceitaram participar do programelho da  Fátima Bernardes, são inteligentes, cultos e articulados o suficiente para desconfiar que sua iniciativa vem sendo explorada por quem, em ultima análise, criou o problema  que eles  querem resolver.

E os 1% riem de orelha a orelha.

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