É inadmissível fonte em off ocupar manchete principal na mídia, por Augusto Diniz

Por Augusto Diniz

Mídia tradicional passou a dar manchete principal a colunistas com textos sem citação de fontes (o chamado off) e desprezo ao contraditório. Antes, as colunas ficavam em seções específicas de opinião, ou, de vez em quando, associadas a uma notícia de peso, tratadas como uma análise dela. Hoje, o vale tudo tomou conta, principalmente nos grandes portais.

A televisão é pioneira no Brasil de produzir reportagens em off aos borbotões. Só que sempre teve cuidado de promover algum tipo de contraponto. Embora terríveis por se basearem em declarações de um contra o outro, com parco material comprobatório, pelo menos com o contraditório elas acabam imprimindo viés jornalístico ao trabalho.

Jornalismo de off na imprensa séria de outros países raramente ganha espaço – ainda mais na manchete principal. Não se publica um mísero texto na mídia dos grandes centros de produção de notícias, sem que se identifique uma fonte ou não se coloque uma declaração em on, com raríssimas exceções.

A forma acintosa do uso desse expediente está presente nas manchetes dos principais portais do País diuturnamente, a maioria com pretensas notícias de bastidores da podre política de Brasília, sem identificação da fonte de informação e nenhum balanceamento dos fatos.

Quem colabora com textos para a mídia séria do exterior, onde o conteúdo é tratado como de importância absoluta à credibilidade do veículo, sabe que colunas desse tipo jamais seriam publicadas lá fora – nem na mídia pequena e segmentada.

Informações incapazes de terem contextualização equilibrada dos fatos são consideradas absolutamente fora do padrão jornalístico – mesmo para colunistas, que possui mais liberdade no tratamento dos fatos.

Aqui no Brasil, preocupados em desqualificar um lado, não citam se quer os interesses que movem suas fontes em off nas críticas displicentes que fazem. Uma total subestimação à inteligência do leitor.

Reportagens da grande mídia também têm seguido este caminho. Abandonaram a necessidade de responder as seis perguntas básicas na elaboração de uma notícia – ou a singular técnica de se reproduzir um fato.

Descreve-se na matéria “o quê”, “quem”, “quando” e “onde”. Não se aprofunda no “como”, e não se tem claro o “por quê” — este último é o mais significativo de todos e responsável em dar sustentação à informação, além de tratar-se do item que remete à técnica de ouvir os dois lados da notícia.

Na ânsia de atender a imprensa patronal, pretensos jornalistas se entregaram à criação imaginária. Quando seus textos andavam resguardados em seções opinativas, ou vez ou outra apareciam vinculados às matérias importantes como exercício de compreensão, eram aceitáveis.

Mas relacioná-los como manchete principal e mais importante de um veículo, baseando-se em informação em off com óbvias motivações ignoradas no texto, vê-se que o jornalismo brasileiro chegou ao fundo do poço.

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