Temer desafia autoridades e “desabafa” em entrevista à TV Brasil

Em meio à sequência de fragilidades impostas à independência editorial da EBC, depois da mudança da equipe de jornalistas e do presidente que comanda a linha dos veículos públicos, Temer agora aparece como estrela do programa, atacando quem o investiga
 

Michel Temer concede entrevista à Roseann Kennedy, na TV Brasil – Foto: Mara Bergamaschi/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O sucateamento da autonomia e independência editorial da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ganha um novo episódio nesta quinta-feira (07). Após a nomeação do novo presidente Alexandre Guido Lopes Parola para comandar a agência, a TV Brasil hoje divulga um especial com o “forte desabafo” de Michel Temer “sobre o bombardeio de denúncias que vem sofrendo”.
 
Em entrevista exclusiva a um dos veículos da EBC, Temer teve espaço para afirmar que estão fazendo um “esquartejamento político e moral do presidente da República”: “Não é um movimento investigativo; é político, para desmoralizar o governo”, é o lead da reportagem divulgada.
 
“Lamento ter de dizer que é violação dos direitos constitucionais. O tratamento que me dão é indigno. Estou sendo vilipendiado”, disse o mandatário em um dos ápices da crise política de seu governo, desta vez pelo setor econômico e com a crise dos combustíveis e cargas, ao programa “Nos Corredores do Poder”, comandado por Roseann Kennedy, ex-GloboNews que foi contratada em novembro de 2016 pela TV Brasil.
 
Á jornalista, que também trabalhou para a CBN durante 14 anos, Temer centrou a conversa na crítica aos inquéritos que investigam a ele e a cúpula do PMDB. Disse que os processos são prorrogados por “mais e mais tempo na tentativa de alcançar o presidente da República”.
 
“Vão buscar coisas já arquivadas, de 1998. Encontraram um documento não sei onde, de não sei quantos anos atrás e querem saber o que o Temer tem a ver com isso. O Brasil está neste tom. É insuportável. Mas isso não paralisa o governo não; pelo contrário”, continuou, antes de seguir as críticas.
 
Questionado sobre o que acha da quebra do seu sigilo bancário ou telefônico, disse que não se “incomoda”, porque irão ver suas “modestíssimas contas bancárias”: “Tenho 50 anos ou mais de serviço e como patrimônio coisa mínima. Não tenho fazendas, empresa, casa de praia, casa de campo”.
 
Outras pérolas foram “desabafadas” pelo emedebista, notadamente cômodo com a entrevistadora: “Se me permitem uma expressão grosseira, digo que vão quebrar a cara. Podem olhar tudo; verifiquem com quem eu falei. É um desplante, mas fiquem à vontade. Podem repastar-se. Mas isso não pode continuar assim”, desafiou o mandatário às autoridades que o investigam.
 
O vídeo da entrevista ainda não foi divulgado.
 

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