A lista de ódio da extrema-direita nos EUA: liberais, governo, mídia – e a quarentena

Manifestações em diversos locais nos Estados Unidos pedem volta imediata ao trabalho e desafiam ordem de isolamento social

Conservadores ostentam armamento em protesto contra isolamento social no Estado de Michigan, nos Estados Unidos. Foto: Reprodução/Salon.com

Jornal GGN – Os últimos dias foram de muita manifestação nos Estados Unidos: estados como Kentucky, Ohio e Michigan viram ruas lotadas, com pessoas sem proteção contra o coronavírus e pedindo pela volta imediata ao trabalho.

O presidente Donald Trump não só deu apoio a tais manifestações como convidou os cidadãos de estados como Minnesota e Virgínia a “liberarem” seus estados, mesmo com todos os avisos de autoridades de saúde pública de que uma reabertura prematura pode ser desastrosa.

Segundo informações do jornal Washington Post, existem evidências de que muitos dos protestos foram financiados por grupos conservadores, mas a raiva exibida tem sido palpável – e muitas vezes, a raiva moldou respostas às atividades econômicas, principalmente em lugares onde as referências de trabalho duro moldaram o conservadorismo dos republicanos.

Contudo, por trás desses protestos, também existe uma raiva às elites, liberais, governo e mídia que integram pelo menos meio século de populismo de direita. E as mensagens de Trump deram sinal verde para que essa fúria seja exibida sem pudores.

O jornal norte-americano explica que sempre existiu uma grande raiva por parte dos brancos que queriam manter o sistema de castas raciais no país, ao mesmo tempo em que o status quo era ameaçado pelos ativistas dos direitos civis, adoção de novas legislações ou decisões judiciais.

Políticos como o governador do Alabama, George Wallace, exploraram a frustração e ansiedade do eleitorado branco para ganhar poder nos anos 60 e 70, ao mesmo tempo em que a mídia começou a ser desacreditada por esses políticos.

A raiva populista da direita vista nos anos 70 ganhou força com o avanço da mídia conservadora, que foi consolidado nos últimos anos com o avanço da Fox News, que ajudou a promover os protestos do Tea Party e se tornou uma caixa de ressonância a qualquer reclamação contra o governo de Barack Obama. A cobertura e incentivo a tais protestos ajudaram a transformar a ala mais conservadora do Partido Republicano em um sucesso eleitoral.

Na mesma linha, as figuras conservadoras da mídia tiveram papel central em estimular os recentes protestos contra o isolamento social – e a raiva alimentada por esses veículos levou muitos eleitores a Trump, que capitalizou tais demandas em sua campanha presidencial em 2016.

 

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3 comentários

  1. São mais de duzentas milícias espalhadas por aquele país, sei lá quantos mil milicianos, brancos na maioria, armados até os dentes para proteger USA de um ataque terrorista, o argumento usado por muitos deles.
    Como escrevi anteriormente, o FBI observa à distância os grupos que considera mais perigosos, só podendo agir em caso de agressão por parte de milicianos, que são protegidos pela interpretação duvidosa de um artigo da Constituição. Nosso amigo Trump é parceiro da gangue por trás dos panos, assim como alguns policiais, que podem fazer vista grossa para uma confusão ou discussão que não vai dar em nada.

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