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As autocríticas norte-americanas começam a aparecer, as razões verdadeiras do declínio do império não, por Rogério Maestri

As autocríticas norte-americanas começam a aparecer, as razões verdadeiras do declínio do império não

por Rogério Maestri 

Aos poucos no meio de uma verdadeira gritaria histérica da grande imprensa internacional começam a aparecer algumas autocríticas norte-americanas que daqui a seis meses ou um ano começarão a ser engavetadas, pois apesar de essas serem duras não chegam a diagnosticar o cerne do problema, a lenta, gradual e contínua decadência do Império americano. 

Se deixarmos de lado reportagens sobre Afegãos que no desespero seguraram-se na parte externa de aviões e logicamente quando esses atingiram alturas de cruzeiro despencaram como teria que o correr, ou outras trágicas ocorrências, que após as centenas de milhares de mortes causadas pelas tropas de ocupação dos países ocidentais no Afeganistão, serão ignoradas pela história, poderemos começar a achar declarações que explicam parcialmente como guerrilheiros mal armados, sem imagens de satélites, sem apoio aéreo, sem armamentos sofisticados, acabaram de simplesmente varrer do mapa um exército que no papel possuía quase quatro vezes mais soldados e estavam armados com o mais moderno que tropas de infantaria nos dias de hoje possuem. 

As revelações do Special Inspector General for Afghanistan Reconstruction (SIGAR), John Sopko, um advogado formado em 1977, ex promotor de justiça e um quadro burocrático junto a diversas esferas do governo norte-americano e no fim nomeado em 2 de julho de 2012 por Obama para ser o inspetor geral para a reconstrução do Afeganistão, onde foi gasto em torno $145 biliões de dólares para tentar “reconstruir” o Afeganistão e criar o exército fantasma o chamado Afghan National Defense and Security Forces ANDSF que simplesmente não lutou após a ofensiva final do Talibãs que resultou em mais uma derrota humilhante dos Rambos invencíveis norte-americanos. 

Esse procurador escreveu alguns relatórios reveladores sobre para onde estava indo o dinheiro dos USA para a “reconstrução” do Afeganistão, há um relatório resumo pulicado em agosto desse ano, ou seja, dias antes da queda, intitulado “What We Need to Learn: Lessons from Twenty Years of Afghanistan Reconstruction” que junto com outros anteriores como o de setembro de 2016 “Corruption in Conflict: Lessons from the U.S. Experience in Afghanistan”, que mostram várias coisas. 

1º) Dos $145 biliões de dólares para a “reconstrução” do Afeganistão (figura 1 do relatório de 2021) a maior parte desse investimento foi gasta nas rubricas de armamento $83 bilhões, ou seja, 57% da “reconstrução” foram armamentos e soldos de soldados fantasmas ou que não chegavam as mãos dos futuros combatentes. O dinheiro investido nas chamadas ações humanitárias é maior do que outras rubricas quando o orçamento era da ordem de $1,07 bilhões (2012) e vai diminuindo até se tornar praticamente inexistente em 2010 quando os gastos anuais atingem 16,75 bilhões nesse ano, que o gasto foi máximo. 

Se alguém ler com cuidado o segundo relatório nota que o seu autor, John Sopko, que percebe muito bem o grau de erosão que a corrupção por ele anotada era “tolerada” não só pelas autoridades afegãs, que ele deixa claro que eram partícipes na roubalheira, mas coloca de forma implícita que os membros do governo norte-americano (civis e militares) mesmo sabedores dessa não davam importância, só faltou ele deixar claro que para esses funcionários norte-americanos participavam do butim, que levou ao caos do fim da presença militar norte-americana e da OTAN. 

Em resumo, para quem leu os relatórios fica claro que para os Afegãos acabou a guerra e para os norte-americanos acabou a mamata que era repartida com o governo Afegão, ou seja, guerra contra o terror é simplesmente um falso lema, pois para o Império tudo é negócio, inclusive a guerra. 

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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