Cúpula do Clima: Bolsonaro chama países a investir na Amazônia e assume para si conquistas de Lula

Bolsonaro assumiu as conquistas de programas e investimentos do governo Lula, como o etanol, a agricultura biossustentável e as hidrelétricas brasileiras. E defendeu amplamente o desenvolvimento econômico da Amazônia, convocando investimentos de outros países e empresas mundiais

Foto: Divulgação

Jornal GGN – Em seu discurso na Cúpula dos Líderes do Clima, o presidente Jair Bolsonaro destacou as conquistas históricas do Brasil em metas de redução de emissão de poluentes – o que ocorreu em gestões anteriores à sua, principalmente no governo do ex-presidente Lula -, comprometeu-se a maiores reduções ambientais e fez um chamado a outros países e empresas mundiais a investirem no desenvolvimento da Amazônia.

Em uma tentativa de auto-defesa, Bolsonaro afirmou que o Brasil sempre foi protagonista em temas ambientais. Mencionou, por exemplo, os avanços “na difusão de biocombustiveis como o etanol”, a “agricultura biossustentável” como uma “das mais sustentáveis do mundo”, e a energia hidroelétrica brasileira, todos programas e investimentos criados durante a gestão Lula no país. “No presente, respondemos por menos de 3% das contaminações mundiais”, resumiu, assumindo para si as conquistas anteriores.

Ainda, reforçou os compromissos já feitos na carta enviada à Biden na semana passada (leia abaixo), como o de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, e prometeu outros: de redução de 37% de poluentes até 2025 e de 40% até 2030. Tentando se diferenciar de seus pares, as promessas de Bolsonaro foram além, afirmando que o Brasil irá alcançar a neutralidade climática até 2050, que são 10 anos menos do que o compromisso assumido anteriormente pelo Brasil.

Por fim, outra parte importante do discurso Bolsonaro foi o chamado para outros países e empresas investirem na Amazônia. Na mesma linha do que defende desde que assumiu o poder, o mandatário quer promover o desenvolvimento econômico na região brasileira, o que automaticamente implica na interferência de reservas ambientais do país.

Como mote para seu discurso, falou em “melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia”, que segundo ele, vivem “na região mais rica do Brasil”, mas com “condições precárias”. Refere-se às “condições precárias” o estilo de vida das comunidades indígenas e quilombolas do Brasil.

Para o presidente, “a solução desse problema é condição social para o desenvolvimento sustentável”, que “contemple os interesses de todos os brasileiros”. De forma equívoca, falou em “aprimorar a governança na terra”, “bioeconomia” e “biodiversidade” para defender a industrialização e exploração econômica da Amazônia.

O objetivo do presidente brasileiro é tentar convencer Biden e os demais 40 líderes mundiais que participam do evento que o Brasil, sob a gestão Bolsonaro, estaria reposicionando a pauta ambiental e se comprometendo com a proteção da Amazônia. O evento ocorre um dia após um grupo de empresários se reunir, por videoconferência, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pressionando pela defesa da pauta ambiental.

Na semana passada, Salles foi alvo de um pedido de investigação, apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo então superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva, que foi demitido após acusar o ministro.

Também na semana passada, o mandatário brasileiro enviou uma carta à Biden prometendo zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030. Na polêmica carta, Bolsonaro pediu o apoio dos EUA para isso. “Queremos reafirmar nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por vossa excelência, o nosso compromisso em eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, escreveu Bolsonaro.

A Cúpula do Clima foi uma bandeira de campanha de Biden e busca pressionar as lideranças mundiais para apresentar esforços e metas reais da diminuição da poluição e do desmatamento. Joe Biden quer empenhar esforços para manter o limite de 1,5º C de aquecimento global.

Trata-se de uma preparação, articulada pelo novo presidente dos EUA, para a COP26, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que neste ano ocorrerá em novembro, em Glasgow, na Escócia. 

O anúncio da carta enviada por Bolsonaro a Biden, de prometer zerar o desmatamento ilegal até 2030, assim como a fala no evento, não devem ser suficientes para convencer os representantes mundiais, uma vez que o discurso hoje proferido pelo presidente vai na contramão do que vem ocorrendo no Brasil durante a sua gestão, que aumentou o nível de desmatamento a recordes históricos.

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