Enquanto Brasil é denunciado, demais países assinam declaração pró-mulher na ONU

Mais de 60 países aderiram a uma declaração no Conselho de Direitos Humanos da ONU, neste 8 de Março, menos o Brasil de Bolsonaro

Embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, ao lado de Damares Alves - Foto: Reprodução/Redes

Jornal GGN – Mais de 60 países aderiram a uma declaração no Conselho de Direitos Humanos da ONU, neste 8 de Março, para assumir compromissos com a saúde da mulher. Menos o governo de Jair Bolsonaro, que foi denunciado na tribuna da ONU. As informações são de coluna de Jamil Chade, do Uol.

Entre os pontos defendidos pelo grupo, está a importância de minar a desigualdade de gênero durante a pandemia provocada pela Covid-19: “As mulheres desempenham um papel fundamental na resposta à pandemia, fornecendo cuidados médicos essenciais e outros serviços, e mantendo as comunidades em movimento enquanto os bloqueios são aplicados.”

“Temos que garantir que os encargos adicionais que as mulheres e meninas carregam durante esta pandemia não resultem em maior exposição à violência e discriminação na vida pública e privada, e no aumento desproporcional dos cuidados não remunerados e da escolaridade domiciliar”, expôs o grupo.

Mas um dos temas mais sensíveis tratados na declaração é sobre os direitos das mulheres na saúde sexual. Sem falar diretamente em aborto, a carta cita “retrocesso” na “saúde sexual e reprodutiva e direitos em particular”.

Os países “saudam” também “todos os corajosos movimentos feministas, organizações e defensoras dos direitos humanos feministas em todo o mundo”. “Nós o vemos e estamos ao seu lado”, escrevem os governos.

Aderiram à declaração países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Austrália, Israel, Japão, outros países da Europa e da América Latina, como Argentina, Chile, Colômbia, México, Equador, Peru, Panamá, Costa Rica e Uruguai.

O Brasil ficou de fora, junto com países liderados por ultraconservadores, como Polônia e Hungria, e outros com histórico de violações a direitos humanos, como Arábia Saudita e Egito.

Ao mesmo tempo, momentos depois da reunião do Conselho de Direitos Humanos, a tribuna da ONU foi ocupada por representantes da sociedade civil que denunciaram retrocessos aos direitos das mulheres no Brasil de Bolsonaro.

As entidades Terra de Direitos, Instituto Marielle Franco, Justiça Global e Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos denunciaram a “violência sistemática contra mulheres que defendem direitos humanos, em especial as que ocupam cargos eletivos”.

A vereadora de Joinville, Santa Catarina, Ana Lúcia Martins (PT), que recebeu ameaças racistas e contra sua vida, após ser eleita como a primeira mulher negra no posto, enviou um vídeo denunciando o atual cenário brasileiro.

“O racismo e o machismo alimentam uma rotina diária de violência de vários tipos que enfrentamos antes, durante e depois das eleições. Quanto mais avançamos na conquista de espaços de defesa de direitos, a violência aumenta e se torna cada vez mais grave”, disse.

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