Inflação na zona do euro ainda exige vigilância

Banco Central Europeu deve manter trajetória de alta nos próximos anos

Jornal GGN – Considerando a trajetória de inflação corrente da zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter uma política monetária expansionista ao longo dos próximos meses, levando em conta que o indicador agregado de inflação ao consumidor ainda não traz pressões de alta.

“Com a meta de ancorar a expectativa da inflação ligeiramente abaixo de 2% ao ano, o BCE se depara com um grande desafio”, diz Ellen Regina Steter, economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do banco Bradesco, em relatório. “Apesar de a atividade econômica mostrar alguma recuperação, o ritmo segue bastante moderado, limitando, portanto, as pressões inflacionárias”. O último dado de inflação ao consumidor mostrou estabilidade em março ante o mesmo mês do ano anterior mas, ao se avaliar a série de preços, desde meados de 2014 o índice cheio tem oscilado ao redor de zero, sendo que em alguns momentos chegou a reportar deflação.

“Sabemos que o índice de preços ao consumidor está sujeito a choques de diversas naturezas, especialmente climáticos e ligados à cadeia de energia. Dessa forma, para expurgar esses choques, que normalmente são interpretados como transitórios ou sazonais, é observado o comportamento do núcleo da inflação, que exclui alimentação, energia e combustíveis”, diz a economista, ressaltando o desempenho um pouco distinto do observado no indicador cheio. “Ainda que distante da meta, o núcleo da inflação tem oscilado ao redor de 1,0%, sem mostrar tendência de aceleração, tendo em vista os salários ainda contidos. Vale mencionar que parte relevante do descasamento observado entre o índice de inflação cheio e o núcleo está atrelada ao preço de energia, e, portanto, ao petróleo”, ressalta Ellen. O recuo da cotação dessa commodity tem influenciado a dinâmica de preços de energia em muitos países, como também ocorre na Área do Euro. Ainda que a retração do preço da energia seja favorável ao consumo, por aumentar a renda disponível das famílias, a economista ressalta que esse impulso não é suficiente para permitir uma retomada consistente da economia europeia. Dessa forma, seu impacto tende a ser moderado e devolve ao BCE o papel de estimular a economia.

Apesar de a trajetória de estabilidade de preços ser praticamente homogênea entre os países do bloco, há aqueles que ainda experimentam deflação, com destaque para a inflação ao consumidor na Espanha, que mostrou recuo de aproximadamente 1% em março na comparação interanual. Tal resultado reflete as condições fracas da economia espanhola, desde meados de 2014.

“Diante desse cenário, no qual o risco de deflação ainda se faz presente, o Banco Central Europeu deverá manter o viés para o afrouxamento monetário ao longo do ano”, diz a articulista. Na reunião ocorrida em março, o BCE divulgou novos estímulos monetários que compreenderam tanto a redução da taxa de depósito (de -0,3% para -0,4%) quanto a compra de títulos corporativos para estimular o mercado de crédito. Já na reunião ocorrida recentemente, a opção adotada foi pela manutenção das medidas anunciadas, aguardando os efeitos do pacote anunciado em março.

“Dessa forma, acreditamos que essa postura mais cautelosa do BCE deverá permanecer até o final deste primeiro trimestre, pois parte das medidas anunciadas (como a compra de títulos corporativos) só será efetiva de fato a partir de junho”, diz Ellen. “Apesar de discussões acerca do alcance e das ferramentas ainda disponíveis para o BCE impulsionar a economia, consideramos elevada a probabilidade de o banco central adotar novas medidas de estímulo no terceiro trimestre deste ano, visando principalmente destravar o mercado creditício”.

Mesmo com a inflação gerando alguma cautela à autoridade monetária em virtude de uma atividade ainda moderada, a economista diz que a atual dinâmica econômica não deve arrefecer. De fato, a economia europeia começou o segundo trimestre crescendo em ritmo semelhante ao observado nos primeiros três meses deste ano, conforme apontado pelo índice PMI (…) O indicador chegou a 53 pontos em abril, ante média de 53,2 pontos registrada no primeiro trimestre, período no qual a economia deve ter crescido 0,4% (lembrando que esse dado será conhecido na sexta-feira que vem)”.

 

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