JJCC – Aniversário das Juventudes Comunistas do Chile, por Victor Saavedra

JJCC – Aniversário das Juventudes Comunistas do Chile

por Victor Saavedra

No último dia 5 de setembro as Juventudes Comunistas do Chile (conhecidas como JJCC ou Jota) completaram 86 anos de vocação e trabalho de formação crítica e política daqueles que renovam a filas do Partidão em um país que aprendeu a resiliência da luta ideológica em tempos de repressão, e que enfrenta no atual governo de Sebastián Piñera outro duro teste da defesa dos direitos conquistados.

Prova disso foi a histórica manifestação no começo de agosto onde, junto a Socialistas e Democratas Cristãos, os jovens se acorrentaram frente à Corte Suprema, em protesto contra o veredito que garantiu a libertação de 7 militares condenados por crimes durante a ditadura.

Para Susana Fuentes, seu tempo nas JJCC foi uma época de “compartilhar sonhos e ações por um Chile mais justo. De alegria e mística por ir cumprindo metas de trabalhos voluntários”.  Para ela, que ingressou nas filas durante a presidência de Salvador Allende, foi um tempo “de assombro, de ver quanta gente estava consciente e saía para defender seu governo. Do medo e de não compreender porque o desabastecimento, o tanquetazo (intentona golpista) e outros movimentos desestabilizadores. Da administração pelo ser humano que produzia mais e para todos, o tempo de estar convencida que estávamos de ser parte do homem novo”.

As juventudes comunistas e o governo popular

Poucos foram tão comprometidos como os comunistas durante os mil dias do governo popular encabeçado por Salvador Allende entre 1970 e 1973, logo nos primeiros anos da década, cerca de 80 mil militantes se encontraram no Estádio Nacional de Santiago para celebrar mais um ano de vida no cenário político chileno. O famoso cantor Victor Jara, os irmãos Parra (filhos da maior folclorista chilena, Violeta Parra), conjuntos folclóricos tradicionais como Inti Illimani e Quiulapayún, todos eles comunistas, se revezaram para alegrar a uma multidão que se encontrou na capital do país e que vinham de todas as cidades.

Para Tebni Pino, que entrou na Jota nessa época: “foi um encontro que selou o compromisso das juventudes do partido com o governo de Allende, e que significou, na prática, trabalhos voluntários, não apenas no verão, senão também durante o ano todo. A maioria dos estudantes precisou acomodar seus horários, pois era necessário distribuir de alimentos, ardilosamente escondidos por uma oposição que buscava criar um ambiente de insegurança e desabastecimento absolutamente fictício”.

Enquanto os jovens comunistas trabalhavam entregando farinha de trigo e preparando o pão para os trabalhadores, a ultradireita criava um agrupamento nazifascista chamado “Patria y Llibertad” que colocava bombas, atentava contra os caminhões que distribuíam alimentos, causando várias mortes nas filas da JJCC que, no entanto, continuaram com a empreitada.

As juventudes comunistas ao longo do país

Desde o extremo sul da América Latina, Karim Jaramillo ficou quase 10 anos na Jota, precisamente em Coyhaique, na Patagônia chilena, região onde no inverno as manifestações são realizadas bem abaixo dos 0ºC: “conheci as Juventudes Comunistas em 2006 quando como estudantes secundários decidimos nos mobilizar para modificar um sistema agônico, foi uma revolução para muitos. Compartilhei com jotosos (como são chamados entre seus membros) nos bairros e em jornadas de estudos, e, em 2008, decidi dedicar minha vida à luta social, estudando Assistência Social e complementando uma grande luta com valor e amor à sociedade dos mais vulneráveis, sobretudo aos mais excluídos”.

A formação política entregue pela Juventude Comunista costuma permear o olhar de quem ingressa em suas filas, a Assistente Social Elena Morales, entrou aos 14 anos, “O Partido me ensinou que é a ferramenta viva que está disposta a amar, construir, analisar e transformar a realidade, porque acreditamos e criamos com consciência marxista leninista uma alternativa diferente para aqueles que mais precisam. Todos e todas que formamos parte de suas filas, seguimos lutando por um Chile mais justo, mais digno e com memória”.

No segundo governo (entre 2014 e 2018) da presidenta Michelle Bachelet o Partido Comunista foi parte da base aliada e a Secretária do Ministério do Trabalho na região do Biobío, Victoria Fariña, lembrou como foi sua chegada na organização aos 15 anos: “Quarta entre cinco irmão, nasci em Concepción durante o governo de Salvador Allende, e cresci no meio da ditadura do Pinochet. Vendo desde pequena os atropelos e a pobreza de muita gente. Entrei nas JJCC para fazer parte, como milhares de jovens, da rebeldia juvenil que lutou para vencer o tirano, e ela me ensinou desde cedo que na vida temos que tomar decisões, que às vezes caímos, mas sempre levantamos. Que os direitos se ganham lutando coletivamente”.

César Quiroz foi um dos que se mais entregou na luta pela democracia: “A Jota do meu tempo foi heroica e sonhadora, enfrentou mil tarefas na contrarrevolução, sendo o trabalho voluntário a expressão mais nítida da entrega e convicção durante o governo da Unidade Popular. Durante a ditadura o combate frontal contra a re´ressão foi a expressão mais clara de entrega e consequência das JJCC. Eu militei nas gloriosas Juventudes Comunistas entre o ano 1969 e 1977, quando passei ao partido para assumir minha formação militar”.

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