Le Figaro diz que campanha antivacina de Bolsonaro é “única nas democracias”

Jornal francês estampa para a Europa "o negacionismo do presidente" e a "negligência do governo" com sua campanha antivacina

Jornal GGN – “A campanha de vacinação prevista para as próximas semanas deveria ter sido promissora, quando o vírus já matou quase 188 mil brasileiros. Mas se tornou uma questão política por causa do negacionismo do presidente e da negligência do governo.”

Essa é a avaliação do jornal francês Le Figaro, que estampou o descaso do presidente brasileiro em sua “campanha antivacinas” em manchete para a Europa.

“Desde o início da pandemia, Jair Bolsonaro minimizou os efeitos da ‘gripezinha’, rejeitando medidas de distanciamento social e usando máscara, e defendendo a prescrição de hidroxicloroquina”, fez questão de lembrar o periódico.

Na sequência de omissão com a saúde pública do maior país da América Latina, o jornal também destacou o comportamento do mandatário de “repetir” que “não será vacinado” e de “desacreditar” na vacina desenvolvida “pela Pfizer e pela BioNTech, autorizadas nesta segunda (28) pelos europeus”.

O Le Figaro caracterizou o comportamento de Bolsonaro como “uma atitude singular e única nas democracias”.

 

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3 comentários

  1. ‘Feliz Ano Velho’
    O mundo todo enfrentou a mesma pandemia, mas não a mesma tragédia
    CRISTINA SERRA, na folha de hoje

    A retrospectiva de 2020 pode ser escrita com as aspas expelidas de uma boca hedionda.

    O poder do vírus estava “superdimensionado”, sem motivo para “histeria’, “comoção” ou “pânico”.

    Tudo poderia ser resolvido com um “dia de jejum” do povo brasileiro.

    Se fosse contaminado, por seu “histórico de atleta”, o profeta da escuridão teria apenas um “resfriadinho” e seria curado por uma poção mágica, a cloroquina.

    O vírus produziu um oceano de lágrimas, e o cronista do abismo arremessou palavras como pedras sobre a dor dos brasileiros: “Não sou coveiro”, “E daí?”, “Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

    Incentivou aglomerações e a contaminação porque o vírus é como uma “chuva”, “vai atingir você” e “todos nós iremos morrer um dia”. “Tem que deixar de ser um país de maricas”.

    Sob seu comando, o Ministério da Saúde foi incapaz de planejar ações preventivas ou campanhas educativas e alertar para a gravidade da doença.

    Desprezou o uso de máscara, não investiu na testagem em massa, fracassou na logística (quase 7 milhões de testes perderam a validade), sabotou os imensos esforços de cientistas, médicos e todos os profissionais de saúde, professores, mídia e autoridades locais para promover quarentenas que poderiam reduzir as infecções.

    Não antecipou a compra de vacinas e fez vaticínios estapafúrdios sobre seus efeitos colaterais.

    Arrotou tanta ignorância que quase um quarto da população não quer se vacinar. Vamos fechar o ano perto dos 200 mil mortos, podendo ser até 230 mil, considerando a subnotificação.

    O mundo todo enfrentou a mesma pandemia, mas não a mesma tragédia.

    A diferença está em como os governos lidaram com os instrumentos disponíveis para conter o vírus.

    Mas o semeador do caos e da desesperança não dá “bola” e nos arrasta para os confins da escala civilizatória.

    Nada indica que 2021 será diferente.

    Peço licença ao escritor Marcelo Rubens Paiva para receber o novo ano com a expressão pungente do título de um livro seu: “Feliz Ano Velho”.

    Cristina Serra é paraense, jornalista e escritora. É autora dos livros “Tragédia em Mariana – a história do maior desastre ambiental do Brasil” e “A Mata Atlântica e o Mico-Leão-Dourado – uma história de conservação”.

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