Michel Temer, o golpe de 2016 e o “fator J”, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Denomina-se “teoria do caos” a instabilidade nas equações não-lineares que proporcionam resultados imensamente distintos a partir de variações infimamente pequenas.

“Lorenz descobriu é que se, em vez de colocar, por exemplo, a temperatura de hoje de 15° C ele colocasse 15,000000001° C as diferenças nos resultados seriam imensas, podendo ir de 50 mm para 5 mm, e que se fosse de 15,000000002° C o resultado poderia ser 70 mm.

Veja que isso não tem nada a ver com a precisão dos cálculos ou da formulação. É uma característica deste tipo de equação (não-linear).

Essa instabilidade nas equações-não lineares é chamada de caos.”

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/teoria-do-caos–b-a-instabilidade-das-equacoes-nao-lineares.htm

O uso deste conceito em ciências sociais não é muito comum. A vida não espelha a matemática e se o faz as equações seriam tão complexas que não poderiam nem mesmo ser formuladas. O que podemos fazer então é apenas reunir coleções de exemplos históricos em que fatores mínimos produziram resultados absolutamente inesperados e até indesejados.

Há dois bons livros que, de certa maneira, tratam da teoria do caos na história. O primeiro é de Eric Durschmied e chama-se Fora de Controle (Ediouro, Rio de Janeiro, 2003). O segundo é As Piores Decisões da História e foi escrito por Stephen Weir (GMT Editores-Sextante, Rio de Janeiro, 2014). Citarei aqui um exemplo de cada livro que podem ilustrar como fatores mínimos alteraram decisivamente o curso da história.

Em 1815 ocorreu a Batalha de Waterloo. Poucos sabem, porém, que o resultado da batalha que colocou fim definitivo no império napoleônico, alterando o curso da história no século XIX, pode ter sido decidida em razão de um punhado de pregos.

No que pode ser considerado um dos momentos decisivos da Batalha de Waterloo, cavaleiros franceses conquistaram o local onde Wellington havia disposto suas peças de artilharia. Eles utilizariam aqueles canhões contra os ingleses se conservassem a posição ou poderiam alterar o curso da batalha privando Wellington de sua preciosa artilharia.

Logo após a bem sucedida carga da cavalaria de Napoleão, sob o comando do lorde Uxbridge, os ingleses atacaram a posição em que a artilharia inglesa havia caído nas mãos dos seus inimigos. Eles fizeram isto antes que o imperador francês pudesse enviar reforços para a tropa do coronel Heymès,  ajudante de campo de Ney que havia conquistado a artilharia de Wellington.

“Excitados com o sucesso inicial, [os franceses] esqueceram-se completamente dos canhões abandonados e não fizeram nada para tirá-los dali ou inutilizá-los. E se os cavaleiros de Wellington conseguissem expulsar sua cavalaria…? Heymès procurou seu superior, mas Ney estava ocupado. Colocava suas fileiras em formação para enfrentar a cavalaria britânica, que estava arremetendo. Heymès tinha de agir rapidamente. “Les clouds!”, gritou. “Peguem os pregos e destruam os canhões!”

Era pratica comum inutilizar as peças de artilharia do inimigo fincando pregos sem cabeça nos ouvidos dos canhões, os orifícios por onde se deita foto à pólvora, e toda unidade de cavalaria tinha alguns homens que levavam em sua bolsa, sobre a sela, martelo e pregos. “Os pregos – os pregos! Diabos, onde estão os pregos?” O apelo seguiu de companhia em companhia. Cada vez mais desesperado Heymès repassou correndo toda a linha de cavaleiros. “Les clouds!”

Nenhum dos cavaleiros que haviam sobrevivido tinha pregos. Os que tinham estavam todos mortos. Bastava um punhado de pregos para pôr aqueles canhões fora de ação, e nada de salvaria Wellington naquele dia, nem mesmo os prussianos.” (Fora de Controle, Eric Durschmied, Ediouro, Rio de Janeiro, 2003, p. 111/112)

O resultado da Batalha de Waterloo poderia ter sido diferente se Heymès tivesse conservado a artilharia inglesa para que a mesma fosse usada contra as tropas de Wellington ou se os canhões ingleses tivessem sido destruídos antes que eles reconquistassem a posição. Nenhuma das duas coisas ocorreu. Heymès não tinha homens suficientes para conservar a posição que conquistou e não conseguiu destruir os canhões porque não tinha a mão um punhado de pregos sem cabeça.

A artilharia inglesa desempenhou um papel fundamental no resultado da Batalha de Waterlloo. Ela devastou a cavalaria e a infantaria francesa e fez a tropa de elite de Napoleão correr apavorada com medo da metralha. Quando isto aconteceu, o pavor se espalhou por todo exército francês e o mesmo desmoronou.

Portanto, um punhado de pregos sem cabeça poderia ter alterado totalmente o resultado da batalha e até mesmo da história do século XIX. Sem poder utilizar a artilharia apesar de ter reconquistado a posição onde a mesma estava, Wellington provavelmente não conseguiria derrotar Napoleão nem mesmo com a ajuda das tropas prussianas que vinham vindo em seu auxílio.

O acidente de Chernobyl ocorreu por dois motivos: uma falha do projeto e uma decisão estúpida.

“O teste não era essencial, mas poderia ser realizado apenas enquanto o reator estivesse  paralisado, o que ocorria uma vez por semestre, muito se pressionando os operadores para que o concluíssem. Os operadores do turno noturno aparentemente não sabiam que o teste envolvia riscos especiais, muito menos o que poderia ser feito para evitá-los. Apesar das várias advertências, da insuficiência da água de refrigeração e da anormalidade dos indicadores, o teste começou à 1h23min4s, na madrugada de 26 de abril. Até então, mesmo além desse ponto, nenhum incidente ocorrera. Todo o desastre resultou de uma série de equívocos, em todas as fases do processo: mesmo assim, porém, não teria acontecido caso não se tivesse cometido um último erro.

Á medida que diminuía o fluxo de água de refrigeração, aumentava a produção de energia. Quando o operador iniciou a manobra para corrigir a condição de instabilidade do reator, decorrente de erros anteriores, uma característica do projeto provocou um surto de energia. Os elementos combustíveis se romperam e a força explosiva do vapor levantou a placa de cobertura do reator, liberando produtos de fissão na atmosfera. Uma segunda explosão desprendeu combustível e grafite do núcleo e permitiu a entrada de ar, levando o moderador de grafite a irromper em chamas. O reator explodiu em apenas 56 segundos depois do início do teste.” (As Piores  Decisões da História, Stephen Weir, GMT Editores-Sextante, Rio de Janeiro, 2014, p. 217/218).

A realização do teste não essencial poderia ser adiada e não foi. A instabilidade do reator durante o teste deveria ser evitada e acabou sendo provocada de maneira não intencional pelos operadores submetidos à pressão do responsável pela comando da operação. A anormalidade dos indicadores provavelmente levou os operadores a tomarem decisões erradas que provocaram as reações em cadeia que produziram a explosão.

De volta para a realidade brasileira. O que eu chamo de “fator J” na equação não-linear do governo Michel Temer é a instabilidade produzida pela nomeação de José Serra para o Ministério das Relações Exteriores.

Apesar do discurso jornalístico que denunciava uma suposta influência bolivariana no Itamaraty, a  política internacional brasileira não foi construída de maneira ideológica. Todas as ações do Ministério das Relações Exteriores na América Latina durante o governo Lula e Dilma Rousseff levaram em consideração dois grandes eixos: integração (energética, rodoviária, ferroviária, fluvial, marítima, econômica, etc…) e a expansão do comércio brasileiro no continente onde o país se encontra.   

Michel Temer chegou ao poder através de um atalho e foi imediatamente questionado dentro e fora do país. Sua legitimidade como presidente está sendo questionada e a imprensa internacional, que segue denunciando o golpe de estado contra Dilma Rousseff, não pode ser por controlada, censurada, subornada ou silenciada pelo governo brasileiro. A política externa do novo governo  deveria ser extremamente cautelosa.

Para consolidar seu poder, Temer não poderia destruir rapidamente o que foi sendo lentamente construído na última década. A diplomacia era essencial não somente para preservar sua imagem, mas inclusive e principalmente para não afetar de maneira negativa os interesses econômicos consolidados dentro do Brasil em razão dos dois eixos que nortearam a política externa do país na região.

Ao escolher José Serra para o Ministério das Relações Exteriores, Michel Temer enfiou um prego no seu próprio caixão ou, pior, mandou um operador inepto, rancoroso e nervosinho operar um maquinário internacional  tão delicada, preciso e letal quanto um reator nuclear. Os resultados das primeiras ações internacionais de José Serra serão, sem dúvida, muito desastrosos dentro e fora do país. Os empresários brasileiros que lucram vendendo bens e serviços aos parceiros do Brasil que foram agredidos pelo Ministro da Destruição das Relações Internacionais já devem estar apavorados.

Os danos diplomáticos fora do Brasil e econômicos dentro do país se tornarão ainda maiores à medida que José Serra elevar o tom como ele mesmo prometeu. Ao que tudo indica o “fator J” (ou seja a instabilidade emocional do Ministro da Destruição das Relações Internacionais) já entrou em ação. Todavia, não era essencial para o Brasil ou para o governo Michel Temer que o país se tornasse um adversário irritante ou um inimigo em potencial aos olhos dos parceiros comerciais latino-americanos que cativou de maneira pragmática para garantir os lucros dos empresários brasileiros.

As atitudes alopradas de José Serra nos últimos dias sugerem que: 1- o novo Ministro acreditou no discurso jornalístico de que a política externa brasileira de Lula e Dilma estava sujeita a uma influência bolivariana; 2- ele assumiu o cargo ignorando totalmente os fundamentos da política externa consistente e pragmática que foi sendo lentamente construída pelo Itamaraty. José Serra age como se tivesse poder para mandar os soldados brasileiros fazer fora do país o que ele acostumou a mandar a PM fazer nas favelas da periferia pobre de São Paulo. Os comandantes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica se sentirão prestigiados e valorizados ao serem rebaixados à condição de jagunços internacionais de José Serra?

O novo Ministro Relações Internacionais começou mal. E o resultado interno de suas ações não será nada bom para Michel Temer. O caos latino-americano provocado pelo novo governo não produzirá nem ordem, nem crescimento econômico, nem lucro para uma parcela significativa de empresários que os golpistas pretendem representar. Temer já não representa os trabalhadores e, em razão do “fator J” corre o risco de jogar no colo do PT aliados poderosos que estão sendo prejudicados por José Serra. Resumindo, ao escolher mal seu Ministro das Relações Exteriores o governo Michel Temer pode ter acionado o processo de destruição de seu próprio governo. Bem feito

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

16 comentários

  1. O fator tem algo de inevitabilidade …

    Fábio,

    Como bem disseste: um governo golpista, liderado por dois oportunistas (Temer e Cunha) e cujos integrantes jogam para a platéia; além disso, entregue a um desequilibrado, que pensa poder fazer do Itamaraty um palanque (coitado do Serra, já anda gagá!)

    Além disso, dados os inúmeros compromissos assumidos e os cheques em branco que foi obrigado a passar, Temer não parece ter ainda exercido sua autoridade (tem alguma?) sobre a tropa. Portanto, digo eu, Serra somente poderia agir desta maneira destrutiva; se suicida ou homicida, tempo dirá !

  2. Não só isso

    mas todo o açodamento com que foi feito este golpe, aberto a foice, ferindo até os que estavam a esquerda/centro mas em oposição ao PT. Foram com tanta sede ao pote que nem percebem que o estão derrubando tudo! São refinados como rinorcerontes numa loja de cristais, lambões que não passam o mínimo de credibilidade. Só conseguem apoio mesmo dos midiotizados ou direitopatas….

    Tenho o forte pressentimento que eles não duram nem 6 meses no poder.  Talvez, para não ficar muito feio, adotem um plano B, tipo, convocar eleições para presidente ou tentar emplacar de vez um parlamentarismo fajuto, com mais do mesmo…

  3. Até que enfim!

    Finalmente ÇERRA45 vai servir para alguma coisa! 

    Desde já ele é meu candidato para 2038, vice fegacê….viiiiiiiiiiiiiiiiiixe!

    Em 2042 votarei em dona Osmarina, vice cristovam buarque……ui!

  4. E podia esperar por algo diferente?


    É alardeado que todas as ações do governo do PT em política externa, redundavam em propina e falcatrua. Todo mundo que combate o governo petista espera pela “abertura da caixa de pandora do BNDES” para comprovar as trapaças petistas naquelas situações. O pior é que mídia , judiciário, ministério público e agora os usurpadores do poder conseguem ” provar” tudo o que falam do PT, em especial do Lula.

    Serra é pau mandado dos Estados Unidos. É fato. Os Estados Unidos não querem outra liderança na região. Outro fato. O Brasil, se bem organizado , pode ser esta liderança. Outro fato. O PT estava conseguindo isto. Só não enxerga quem não quer. O BRICS seriam importantes no crescimento desta região. Na Moscoff. Todo este cenário faz com que o Serra se crie como um ser do mal. É necessária sua intervenção intolerante e agressiva. Nada mais do que isto.

    Só que existe o outro lado: Ao longo dos últimos anos , muita gente se solidificou em comerciar com os países bolivarianos, como dizem. Só que o mundo ( menos os EUA) não estão aceitando o golpe perpetrado e mais: temem por acordos econômicos e comerciais ameaçados pela maluquice do “nosso querido Tropeço”.( quem assiste a família Adams sabe de quem eu falo).

    Eu estou, na verdade, esperando para rir e muito do fracasso do governo Temer e seus golpistas. Só espero, mas sinceramente não sou otimista, que a classe média nacional aprenda desta vez.

     

  5. Fator “J”

    O espírito desagregador de serra foi explicitado no programa da sua última postulação da presidência da republica. Nele já mostrava desapreço por países vizinhos e Mercosul .  Sem nenhuma novidade é que estamos assistindo seus primeiros dias como chanceler. Acredito que isto também fosse esperado por temer (idade) . Parece que está sendo usado como controle de pretensões do psdb . Pobre Brasil assistindo a destruição deuma jóia de sua coroa, o Itamarati

  6. Uma zona! Cunha continua governando no lugar do Temer

    Poder de Eduardo Cunha em governo Temer irrita PMDB do Senado

    Para Renan Calheiros, deputado está “tutelando” o Palácio do Planalto

    Jornal do BrasilEduardo Miranda Publicidade 

    Mesmo afastado da Presidência da Câmara e do mandato parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vem dando muita dor de cabeça para o governo. Enquanto Michel Temer tenta ganhar a confiança do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), para produzir uma aliança na aprovação de projetos emergenciais, o senador aponta para os mais próximos os erros do presidente interino nesta primeira semana de governo.

    Uma das polêmicas mais recentes foi a escolha, nesta quarta-feira (18), do deputado federal André Moura (PSC-SE) como líder do governo na Câmara. O parlamentar é um dos maiores aliados de Eduardo Cunha e conquistou a liderança graças aos pedidos do peemedebista a Temer. A reação de Renan à nomeação, porém, foi resumida em uma única palavra para os mais próximos: “retrocesso”. A opinião do presidente do Senado é que Cunha está “tutelando” Michel Temer e seu governo, a partir de pedidos e indicações para cargos, inclusive no primeiro escalão.

    Para Renan Calheiros, Eduardo Cunha está “tutelando” governo de Michel Temer

    O PMDB do Senado se ressente por não estar sendo ouvido de maneira mais ampla na formação do novo governo. Por isso, Renan, que já trocou farpas públicas com Michel Temer e apoiou até a véspera do impeachment a presidente Dilma Rousseff, tenta se manter afastado do Palácio do Planalto. Ao pedido de Temer para indicação do líder do governo no Senado, Renan declinou e delegou a tarefa ao senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que está conduzindo o processo na Casa.

  7. Antonio Callado, um de nossos

    Antonio Callado, um de nossos maiores escritores, escreveu um livro magnifico, Quarup, e nele construiu um personagem chamado Manuel Tropeiro. Um homem do sertão, sem cultura livresca mas profundamente inteligente, com uma excepcional capacidade de observação e análise do que via à volta de si. 

    Pois bem, Manuel Tropeiro tem frases inesquecíveis, ao menos para mim. Diz ele a certa altura, que… ninguém muda de profissão… quem vem ao mundo para fazer determinada coisa, sempre a fará, seja sob que cincunstância for. Serra é precisamente isso, um homem que nasceu para tudo aquilo em que põe a mão, seja o que for. Essa é a profissão dele.

    Outra de Manuel Tropeiro que eu também gosto mundo. Conversando com um amigo de batalha, ele diz ….consertar o Brasil não é tarefa tão afanosa assim; carece é de não largar ela toda hora como a gente faz. Manuel Tropeiro sabe o que diz.

  8. EUA e Alemanha dizem que nao é golpe

    Deve ser nisso que ele (o “economista” “competente” segundo PHA) está se fiando:

    http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/19/politica/1463679369_944371.html

    Para EUA e Alemanha, impeachment segue trâmites legais no Brasil

    Na OEA, representante norte-americano diz que processo respeitou as instituições

    O embate entre partidários de Dilma Rousseff e defensores doimpeachment sobre se o processo de destituição é ou não “golpe” se trasladou de vez às esferas diplomáticas no exterior. Uma semana depois de Dilma ser afastada pelo Senado, a OEA (Organização dos Estados Americanos) foi o palco para que EUA, Argentina e Paraguai se confrontassem com as visões de Bolívia e Venezuela. Pela primeira vez, um diplomata norte-americano foi menos protocolar e cauteloso sobre a crise brasileira. O embaixador interino dos EUA, Michael Fitzpatrick, afirmou que “o que está ocorrendo no Brasil foi feito seguindo o processo legal e respeitando a democracia”.

    Fitzpatrick, questionado pela agência EFE, foi ainda mais claro: “Não acreditamos que seja um golpe de Estado suave ou de qualquer tipo. O que ocorreu no Brasil seguiu o devido processo legal constitucional, respeitando completamente a democracia”. Barack Obama não telefonou ao colega interino Michel Temer e a ideia da Casa Branca é manter a discrição até que que o processo de impeachment passe por sua última etapa no Senado.

    Na reunião da OEA, Argentina e Paraguai, sócios do Brasil do Mercosul, repetiram discurso semelhante ao do representante de Washington, enquanto a aliança mais à esquerda liderada pela Venezuela se alinhava à tese de Dilma Rousseff, que classifica o processo de “golpe”.

    O embaixador do Brasil na entidade, José Luiz Machado e Costa, comemorou o posicionamento dos EUA: “Isso é positivo pois é o pais que é o principal ator no cenário internacional reconhecendo a legitimidade do processo de impeachment brasileiro”, disse a O Globo.

    A crise brasileira já tinha lugar de destaque na OEA. O secretário-geral Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, anunciou a sua intenção de fazer uma consulta à Corte Interamericana de Direitos Humanos a respeito de um processo de impeachment que, segundo afirmou, “gera dúvidas e incertezas jurídicas”. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão independente ligado à OEA, expressou também quarta-feira “profunda preocupação” com a falta diversidade e a especulação sobre cortes em gastos sociais.

    Alemanha e Supremo

    Do outro lado do Atlântico, a Alemanha também foi instada a se manifestar. Questionado por um repórter, Martin Schäfer, porta-voz do Ministério do Exterior da Alemanha, afirmou seu Governo não se deixa levar por “jogos de palavra e formulações simples desse tipo”. Schäfer afirmou que o Governo trabalha com o interino e frisou que o Brasil é o maior parceiro da Alemanha na América Latina.

     

    • Cada um acredita no que quer
      Qualquer parvo, diz o que quer. Privilégio dos parvos humildes, acreditar no que fala. Dos mais presunçosos ( e mais parvos, acima do limite tolerável ), a desfaçatez e o ridículo de achar, apenas porque da sua parvoíce ( e pavonice ) diz: julgar os outros já lhe acreditam. Apenas e justamente porque,sem acreditar, diz o que diz.

      Tudo isto acima a respeito da fala, da falta de respeito com a inteligência alheia, por parte do embaixador estadunidense na OEA. Duas perguntas: poder econômico, e expressamente o poder econômico gringo, não tem influenciado ou corrompido a política exterior americana? Segunda: numa concepção duma pátria onde a liberdade ( especialmente a liberdade de ter ) é maior do que a vida ( valor vida ), qual o grau de importância – e consequente massacre – de outras culturas, fora da estadunidense e sempre por ela empreeendido? Vá ler livros de história, senhor embaixador. “Por favor “.

  9. Fábio

    Excelente post , Fábio. Sempre considerei o Serra um dos piores políticos da atualidade, em todos os sentidos. Mas particularmente por ser um covarde, um ganancioso de primeira ordem e, pelo que estamos sentindo, alguém nada político , para ocupar o cargo que lhe foi “destinado”. Vai colocar fora, todo o esforço feito pelo Celso Amorim, nos anos em que trabalhou ao lado de Lula.

    Quer o Brasil colônia mesmo, perdendo todo o protagonismo conseguido na América Latina e na África.

    Ninguem merece e desta vez espero que os Paulistas compreendam definitivamente quem é este Sr. de “idéia fixa”.

  10. Isto é golpe e não há prego

    Isto é golpe e não há prego que irá pará-lo.

    A não ser um guerra civil cujo final seja a destruição total do grupo globo.

    Os outros países olham os negócios e os lucros que podem auferir. Ninguém condenará o golpe se sentirem que podem lucrar. Eles lucrarão, nós ficaremos com o prejuízo moral, econõmico e democrático além de passarmos a impressão de ser um país em que não se pode confiar.

    Somos mesmo um país de MERDA

  11. Bem pior ficará o  Ministério

    Bem pior ficará o  Ministério da Saúde, cujo Ministro, o ENGENHEIRO Ricardo Barros já abriu as caixas de ferramentas para iniciar o DESMONTE do SUS! É um Ministério crítico e socialmente sensível! Quaisquer reduções nos parâmetros de eficiência e eficácia no atendimento das demandas públicas irá desencadear o CAOS na população! Aqui, as definições de ações políticas e técnicas tem pouco valor, uma vez que os resultados serão catastróficos. Inicia-se aí o desmonte do Programa Mais Médicos! Por razões ideológicas esta será uma iniciativa já definida na paleta do Governo Títere! E será de proporções imensuráveis os danos advindos desta medida. De imediato,  dezenas de milhões de cidadãos de áreas socialmente críticas serão atingidas! Depois, inúmeros elementos de financiamento de atividades especiais em nível municipal são dependentes de recursos Federais, aos quais já se vislumbram contingenciamento! Enfim, o nível de complexidade das ações do SUS na vida cotidiana dos brasileiros é pouco verificado e compreendido no contexto geral. Sua importância, porém, será notada principalmente pela sua ausência, e tão logo cessem os recursos econômicos que sustentam os diversos níveis de atenção à saúde da população! O SUS, diferentemente do que muitos apregoam, tem excelentes resultados de atenção à saúde pública nas áreas em que apresenta estruturas organizadas em sistema de referência de níveis de atenção. Uma vez cortados estes recursos para o SUS, é plausível supor que, até mesmo pela complexidade das atividades em que atua, veremos um rápido declínio na atenção à sociedade! Como este sistema suporta a maioria das ações de prevenção e curativismo, as emprêsas privadas não tem a menor condição de ocuparem estes espaços de atividade. Na verdade, hoje, os Planos Privados de Saúde sobrevivem devido ao efeito de coo-parasitismo com que atuam em relação ao SUS. Na grande maioria das vezes o SUS suporta os grandes vazios operacionais destes Grupos Econômicos que exploram a Saúde Privada. Assim, o ENGENHIRO Ricardo Barros “NEM SABE O MATO QUE ESTÁ LENHANDO”! A maioria das pessoas IGNORA O TAMANHO, A COMPLEXIDADE E A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO SUS… INCLUSIVE O POVO BRASILEIRO! VAI SER UMA CATÁSTROFE ANUNCIADA!

    Esmeraldo Cabreira,  Esp. Saúde Pública. Mestre e Doutor em Ciências UFRGS.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome