Obama é o presidente dos EUA com o maior tempo de guerra

Democrata venceu há sete anos prometendo pôr fim à guerra do Iraque
 
 
Jornal GGN – Barack Obama irá deixar a Casa Branca como o presidente dos Estados Unidos com maior tempo de guerra da história do país. O democrata venceu as eleições há sete anos prometendo tirar o país das guerras, atacando diretamente o seu antecessor do Partido Republicano, George W. Bush. E para aumentar a ironia do destino, Obama recebeu, em 2009, o Prêmio Nobel da paz, segundo os organizadores do evento, pelo esforço em levar os Estados Unidos para longe de conflitos.
 
Um ex-funcionário do Departamento de Estado, chamado Derek Chollet, esclarece a questão, ao afirmar na matéria à seguir, do The New York Times, que há uma diferença entre “ser um presidente de guerra e um presidente em guerra”, explicando que “ser um presidente de guerra significa que todos os elementos do poder americano e da política externa do país se subordinam à condução da guerra”. Já Obama, completa Chollet, demostra ter o segundo perfil, de um presidente que tem controlado os conflitos de participação direta norte-americana para não “deixar que a guerra passe à frente de outras prioridades”.  
 
The New York Times
 
Obama deixa inesperado legado bélico
 
POR MARK LANDLER
 
WASHINGTON — O presidente Barack Obama chegou ao poder sete anos atrás prometendo pôr fim às guerras de seu antecessor, George W. Bush. Atualmente, Obama está em guerra há mais tempo que qualquer outro presidente americano. Se os Estados Unidos continuarem combatendo em Afeganistão, Iraque ou Síria até o término de seu mandato, o que é praticamente certo, ele deixará o legado de ter sido o único presidente na história americana a ter completado dois mandatos com o país em guerra.
 
Obama, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2009 e passou seus anos na Casa Branca esforçando-se para cumprir as promessas que fez como candidato antiguerras, terá sido presidente em tempos de guerra por mais tempo que Franklin D. Roosevelt, Lyndon B. Johnson, Richard M. Nixon ou seu herói, Abraham Lincoln. Além de Iraque, Afeganistão e Síria, Obama também aprovou ataques contra grupos terroristas na Líbia, no Paquistão, na Somália e no Iêmen.
 
“Nenhum presidente quer ser um presidente de guerra”, disse o historiador militar Eliot A. Cohen, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland. “Obama encara a guerra como um instrumento do qual precisa lançar mão com grande relutância. Mas estamos travando guerras prolongadas e um pouco estranhas. Estamos matando muitas pessoas. Estamos registrando baixas.”
 
Obama teve que encarar essa realidade desde seu primeiro ano na Casa Branca, quando foi fazer uma caminhada entre os túmulos do Cemitério Nacional de Arlington antes de transmitir a ordem de enviar 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão. Seus assessores mais próximos dizem que sua utilização intensa de operações sigilosas e ataques com drones se deve ao fato de ele estar atento para os perigos de uma escalada e de ser cético há muito tempo quanto à possibilidade de as intervenções militares americanas realmente funcionarem.
 
Quando aceitou o Nobel, em dezembro de 2009, Obama declarou que a humanidade precisava conciliar “duas verdades aparentemente irreconciliáveis: que a guerra às vezes é necessária e que, em algum nível, a guerra é uma expressão da insensatez humana.”
 
O presidente vem procurando conciliar essas verdades, encarando suas guerras como um desafio de segurança crônico, mas controlável, e não como uma campanha nacional que tem precedência sobre tudo, na tradição da Segunda Guerra Mundial. “É a diferença entre ser um presidente de guerra e um presidente em guerra”, comentou Derek Chollet, que serviu no Departamento de Estado e na Casa Branca durante o primeiro mandato de Obama e foi secretário assistente de Defesa para assuntos de segurança internacional entre 2012 e 2015.
 
“Ser um presidente de guerra significa que todos os elementos do poder americano e da política externa do país se subordinam à condução da guerra”, disse Chollet. “O que Obama vem procurando fazer é não deixar que a guerra passe à frente de outras prioridades. É por isso que ele toma o cuidado de não aumentar muito o contingente enviado para combater.”
 
Mas Obama tem constatado que os conflitos em curso são dificílimos de encerrar. O mandatário observa que, quando assumiu a Presidência, em 2009, os EUA tinham 180 mil soldados em Iraque e Afeganistão. Esse número caiu para cerca de 15 mil, atualmente. Ele disse também que os militares presentes nesses países hoje não estão participando de combates, mas treinando, assessorando e equipando tropas iraquianas e afegãs — ainda que esses papéis os tenham colocado em situações de combate, com frequência crescente.
 
Obama caracterizou sua abordagem à guerra como um híbrido: o envio de um número limitado de tropas americanas a países mergulhados em conflito, combinado à a cooperação com esses países para que desenvolvam suas próprias forças armadas. Ele admitiu que os resultados desses esforços têm sido desiguais.
 
O Exército iraquiano treinado pelos EUA praticamente desapareceu de vista quando se viu diante dos combatentes da milícia radical Estado Islâmico em 2014, obrigando Obama a enviar tropas americanas de volta a uma guerra, que ele pensava ter encerrado dois anos antes. As debilidades do Exército afegão, treinado pelos EUA, possibilitaram ao Taleban reconquistar territórios que havia perdido.
 
Mais que os ex-presidentes George W. Bush ou Bill Clinton, Obama vem travando uma guerra contra militantes, em várias frentes. Autoridades do Pentágono descreveram a situação como “a nova normalidade”. Mas, para quem trabalhou na administração Obama, essa nova normalidade vem sendo uma experiência implacável.
 
“Como coordenador para o Oriente Médio, sei que eu senti que o ritmo de trabalho era próprio de tempos de guerra”, comentou Philip H. Gordon, que trabalhou na Casa Branca entre 2013 e 2015.
 
Mesmo assim, Gordon e os outros ex-funcionários traçaram uma distinção entre as guerras do século 21 e as do século 20. Uma diferença é que o Congresso não emite uma declaração de guerra desde a Segunda Guerra Mundial.
 
“A guerra não existe mais em nosso vocabulário oficial”, disse Gordon.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

8 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Cristina Benevides

- 2017-02-06 12:53:10

Rede Goebbels

Vocês gostam é de notícias de meias verdades e fabricadas por vocês. Assista Globo News e depois SBT Notícias, Cultura - A DIFERENCA, Rede Goebbels da Desinformação. Gostaria de saber de Donny di Nuccio, Guga Chacra&CIA quem elegeu Donald Trump? Por que ele estaó fazendo um complo contra Donald Trump e parece que ele foi colocado na Presidencia dos EUA por decreto. Pode até ser que tenha sido mal programada a entrada de estrangeiros nos EUA. Mas ele tem que proteger o país dele assim como Macri da Argentina da entrada de terrorista enlouquecidos. E nao explicam que já existia início da construcao do muro no México há anos, se nao me engano, governo Clinton e o oleoduto Keystone XL está programado desde 2008 vetado por Obama após ambientalista realizarem passeatas. E Barack Obama foi o maior Obama é o presidente dos EUA com o maior tempo de guerra. O que mais deixou imigrantes, povos sem ter onde morar. Obama deixa inesperado legado bélico.

Marcos K

- 2016-08-01 08:52:22

Sim é verdade: ele herdou

Sim é verdade: ele herdou muitos problemas do seu antecessor, mas o que fez ele, de fato, para tentar resolver estes problemas? Simplesmente seguiu a tendência. E outra? Intervenção na Síria e Iêmen? Que papo é esse, quando se sabe que deliberadamente eles provocaram o caos nessas regiões? Nunca quiseram e não querem resolver essas crises. Ponto.

Na verdade a discussão toda é de outra natureza: a civilização norte-americana como um todo é refém do complexo militar-industrial-financeiro-petrolífero. Foi tomada de assalto e não é um homem, por mais bem intensionado que seja, quem vai mudar. Se Obama não sabia disso em 2008 espero que saiba disso agora.

 

Andre Araujo

- 2016-08-01 01:28:07

Constatação tola e sem

Constatação tola e sem sentido. Obam não iniciou guerras, tocou as que ja estavam em andamento, não é possivel o desengajamento abrupto em operações militares, o mais pacifista Presidente americano do Seculo XX, Woodrow Wilson

teve que entrar na Primeira Guerra por razões estrategicas e a participação americana foi decisiva, tambem invadiu o Mexico

sem deixar de ser pacifista, criou a Liga das Nações para acabar com as guerras.

Obama é criticado exatamente por ser fraqueza em não usar forças militares na Siria e no Yemen.

wendel

- 2016-07-31 22:59:23

Então.............

Não vale a pena comentar sobre o individuo, mesmo porque, a ele foi dado o prêmio nobel da paz - em minúsculo mesmo)!!!

Coomo foi financiado pelo commplexo industrial-militar-judaico, tem que rezar pela cartilha, senão................

Hipócrita e fantoche !!! Aliás, qualquer um dois dois candidatos dos "diferentes" partidos, farão exatamente o que seus financistas mandarem !!! Bando de paus-mandados !!!!!!!!!!!!!!

Mas...., há os que acreditam !!!! Pobres diabos !!!!!!!!!!!!!!!

Ulisses s

- 2016-07-31 21:55:14

Ele recebeu o Nobel da Paz

Logo que assumiu. A resposta do conselho pela esdrúxula escolha foi exatamente a expectativa do que Obama poderia fazer. Isto que é contar com o ovo na cloaca.

Vagalume do Brejo

- 2016-07-31 20:01:06

Ou seja, não se trata do

Ou seja, não se trata do partido A ou B, no caso só estes dois mesmo, é um problema de civilizaçâo, de sistema politico economico.

 

Vigilante

- 2016-07-31 19:32:30

Nobel da Paz.
Nobel da Paz.

Marcos K

- 2016-07-31 19:05:46

Inesperado legado bélico?

Inesperado legado bélico? Devo estar lendo mal. Na verdade ele fez exatamente o que o complexo industrial-petrolífero-militar-financeiro esperava dele e nada mais. Foi um gestor de uma grande nação (leia-se povo de quem muito gosto e admiro), mas que foi tomado de assalto por cafetões do capital que estão destruíndo tudo que os EUA tem de bom (leia-se povo) e estão estabelecendo um Estado totalitário e terrorista em nome dos 1% mais ricos. 

Sem falar que provocou tanto a Rússia que nem sei como Putin suportou conviver com essa "coisa" tanto tempo. É mediocridade demais, só superada pelos nossos "governantes" (ou seriam gestores coloniais?).

Papo ele tem, boas intenções eu sempre duvidei. Mas que não ia fazer nada útil, disso não tinha dúvidas.

E com a Hillary vai ser ainda pior.

Falando em pior: essa nulidade não ganhou o Nobel da Paz em 2009? Pois, é... Isto torna não só ele como o Parlamento da Noruega ainda mais ridículos... Nosso Congresso é medíocre, mas tem gente que faz força pra ganhar dele...

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador