Relator da ONU aponta violações de Bolsonaro na pandemia

"Líderes rejeitaram publicamente recomendações de cientistas e da OMS, espalharam informações errôneas e minimizaram o risco, contribuindo para a sub-estimação da pandemia", escreveu o relator da ONU

Foto: Divulgação/ONU

Jornal GGN – O relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Baskut Tuncak, apontou violações por parte do governo brasileiro de Jair Bolsonaro em responder à pandemia do coronavírus. O documento será entregue na próxima semana ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, segundo o colunista Jamil Chade, do Uol. “Alguns líderes políticos chegaram ao ponto de tratar o vírus como uma ‘gripezinha'”, denunciou o relator.

“Os estados continuam a atacar o princípio da precaução nos debates sobre o comércio internacional e a proteção ambiental. Não é uma coincidência que os estados que lideram a discussão contra o princípio da precaução, incluindo Estados Unidos, Brasil e Rússia, tenham sido registrados entre os surtos mais graves da pandemia até hoje”, é um trecho do relatório.

Segundo Chade, trata-se do primeiro informe oficial da ONU sobre a crise do coronavírus e indicando possíveis violações de um governo. Tuncak é especialista em produtos perigosos e tóximos para a saúde humana e assina o relatório.

“A incerteza é sempre um fator na ciência. (…) No caso da COVID-19, em geral, houve notável falta de precaução empregada pelos estados e empresas, desde o uso econômico de máscaras faciais até informações sobre o risco de propagação aérea até a natureza mortal do próprio vírus”, escreveu, sobre o caso do Brasil.

Com base no acordo assinado pelos países na Declaração do Rio de 1992, o relator da ONU acrescentou que “quando há ameaças de danos graves ou irreversíveis, a falta de certeza científica total não deve ser usada como motivo para adiar medidas para evitar a degradação ambiental”.

Mencionando diretamente o Brasil, Baskut Tuncak escreveu que a “COVID-19 está devastando as comunidades indígenas, invocando a trágica história da varíola que dizimou muitos povos das Américas e de outros lugares”, e responsabilizando os governos pelos cenários.

“Os testes para muitas comunidades continuam limitados e o auto-isolamento muitas vezes não é uma opção viável. Os garimpeiros ilegais e outros indesejados continuam a representar uma ameaça existencial para as comunidades, particularmente aqueles que voluntariamente vivem isolados. No Brasil, as comunidades Yanomami enfrentam uma crise de saúde e existencial devido ao contato com os garimpeiros ilegais.”

Sem citar o nome de Bolsonaro, o relator também disse que “em vez de seguir os conselhos científicos para adotar medidas mais rigorosas de teste e contenção, certos líderes do governo apresentaram argumentos desonestos em apoio a suas abordagens, particularmente a justificação econômica de não impor um confinamento, sacrificando efetivamente a vida de seus cidadãos, em particular comunidades de baixa renda e minorias, trabalhadores e pessoas idosas.”

“Eles rejeitaram publicamente recomendações de cientistas e da OMS, espalharam informações errôneas e minimizaram o risco, contribuindo para a sub-estimação da pandemia”, completou.

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