Republicanos repudiam a recusa de Trump em se comprometer com a transição pacífica

Alguns republicanos, criticados por permitir que Trump pisoteie as normas políticas, procuraram tranquilizar o público de que, no caso de uma vitória de Biden, a transferência de poder acontecerá.

Jornal GGN – Líderes republicanos procuram acalmar os temores de que Donald Trump possa fomentar a violência na tentativa de se agarrar ao poder se perder a eleição presidencial dos Estados Unidos. E isso sem repreender Trump diretamente.

Depois de se recusar a se comprometer com uma transferência pacífica de poder, Trump disse a repórteres na Casa Branca que “teremos que ver o que acontece”, antes de voltar a reclamar sobre as cédulas via correio.

“Livrem-se das cédulas e teremos uma vida muito pacífica … não haverá transferência, francamente – haverá uma continuação”, disse ele, referindo-se à votação pelo correio em vez de pessoalmente durante a pandemia, e suas chances de reeleição.

Dentre tantas ameaças, esta foi a mais dura e assustadora feita por Trump, de que não tem intenção de conceder a derrota ao rival democrata Joe Biden em novembro, levantando temores de semanas de caos e até mesmo de um dia de posse em janeiro de 2021.

Hillary Clinton, derrotada por Trump em 2016, tuitou: “A recusa de Trump em se comprometer com a transferência pacífica do poder é o comportamento de um suposto ditador desesperado que se apegaria ao cargo mesmo que isso significasse destruir nossa democracia. É patético. Mas porque ele é o presidente, devemos levar a sério sua ameaça”.

Alguns republicanos, criticados por permitir que Trump pisoteie as normas políticas, procuraram tranquilizar o público de que, no caso de uma vitória de Biden, a transferência de poder acontecerá.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, tuitou: “O vencedor da eleição de 3 de novembro será inaugurado em 20 de janeiro. Haverá uma transição ordenada, assim como tem acontecido a cada quatro anos desde 1792”.

O presidente do comitê judiciário do Senado, Lindsey Graham, aliado e amigo de Trump, disse que garantia que a transferência será pacífica. “Agora, podemos ter litígios sobre quem ganhou a eleição, mas o tribunal [supremo] decidirá e, se os republicanos perderem, aceitaremos o resultado. Mas precisamos de um tribunal completo”, disse ele.

O senador Mitt Romney, de Utah, o único republicano a votar pela remoção de Trump do cargo em seu julgamento de impeachment no início deste ano, fez comparações com uma crise na Europa, tweetando: “Fundamental para a democracia é a transição pacífica de poder; sem isso, existe a Bielorrússia. Qualquer sugestão de que um presidente pode não respeitar esta garantia constitucional é impensável e inaceitável”.

Eles se juntaram ao senador Marco Rubio, da Flórida, e à congressista Liz Cheney, presidente da conferência republicana na Câmara dos Deputados e filha do ex-vice-presidente republicano Dick Cheney.

“A transferência pacífica de poder está consagrada em nossa Constituição e é fundamental para a sobrevivência de nossa República”, postou Cheney no Twitter. “Os líderes da América fazem um juramento à Constituição. Manteremos esse juramento”.

Mas havia sinais alarmantes de dissidência do lado republicano. Thomas Massie, um membro do conservador House Freedom Caucus, tuitou de forma ameaçadora: “Na primavera, as lojas esgotaram de desinfetante para as mãos e papel higiênico. Neste outono, eles esgotaram a munição”.

Trump há muito tenta lançar dúvidas sobre a integridade das eleições, alegando que a votação por correspondência estaria cheia de fraudes. Isso já foi desmascarado por vários estudos.

O esperado é que um número recorde de americanos vote pelo correio este ano por conta da pandemia. As pesquisas sugerem, no entanto, que os democratas são mais propensos a usar esse método do que os republicanos.

Trump recentemente levantou a ideia de adiar a eleição por causa da pandemia, o que ele não tem poder constitucional para fazer. Da mesma forma, naquela ocasião, McConnell e outros republicanos foram rápidos em rejeitar a ideia.

Sua última tentativa de alimentar o medo e a instabilidade levou Biden, incrédulo, a perguntar aos repórteres: “Em que país estamos? Estou sendo jocoso. Eu disse, em que país estamos? Olha, ele diz as coisas mais irracionais. Eu não sei o que dizer.”

Chuck Schumer, o líder da minoria no Senado, disse à CNN sobre o presidente: “Este homem não tem honestidade, honra, valores ou fé no sistema americano”.

A American Civil Liberties Union também registrou sua preocupação. David Cole, diretor jurídico nacional, disse: “A transferência pacífica de poder é essencial para o funcionamento de uma democracia. Esta declaração do presidente dos Estados Unidos deveria incomodar todos os americanos”.

Com informações do The Guardian.

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