Setor externo deve manter ritmo de recuperação iniciado em 2015

Jornal GGN – O menor nível de volatilidade visto nos ativos financeiros (como moedas e bolsa de valores) e a maior estabilidade nas dívidas soberanas ajudam a consolidar o atual quadro de recuperação econômica na zona do euro e dos Estados Unidos, enquanto a situação da China continua gerando preocupação principalmente entre os países que dependem da venda de itens básicos.

“No cenário internacional, os Estados Unidos estão se recuperando e os emergentes patinando”, explica o economista Celso Grisi, professor do PROCEB (Programa de Comércio Exterior Brasileiro) da FIA (Fundação Instituto de Administração). “No caso específico da China, a gente tem o aumento dos juros nos Estados Unidos, que deve continuar de forma moderada”, diz o economista, que estima uma taxa básica de juros norte-americana na faixa de 2,5% em 2016.

Já o crescimento econômico norte-americano tem se consolidado a cada novo indicador divulgado sobre o desempenho do PIB. Em 2014, a taxa de crescimento apurada foi de 2,4%, ainda abaixo de sua taxa potencial de 3%. Para 2015 e 2016, a estimativa para o desempenho do PIB dos EUA foi mantida pelo FMI em 2,5% e 3%, respectivamente”, diz a consultoria Austin Ratings, em relatório assinado pelo economista-chefe Alex Agostini.

Na zona do euro, a projeção de Grisi aponta um avanço de 1,6% para o próximo ano, muito por conta da renovação das linhas de crédito no país. “No geral, não se espera um cenário ruim para o exterior, o que é bom para o Brasil, que não pode usar como desculpam, embora o custo de dívida mais caro pela perda de grau de investimentos vai dificultar o capital para áreas estratégicas”.

Segundo projeção elaborada pela Austin Ratings, o processo de “soft landing” da China e o risco de desvalorizações das moedas dos países emergentes são fatores ainda de preocupação. “O impacto do programa de liquidez monetária anunciado recentemente pela comunidade europeia é positivo, mas ainda sem possibilidade de quantificar seu sucesso para a recuperação econômica dos Países do bloco”.

No caso específico da China, o crescimento em 2014 foi de 7,4% ficou acima das expectativas do mercado (ao redor de 7,3%), mas as expectativas de redução do ímpeto chinês para 2015 e os próximos anos continuam firmes. As projeções do FMI divulgadas no mês de outubro preservaram as estimativas realizadas no relatório de julho com desempenho de 6,8% para 2015 e 6,3% para 2016. “Apenas uma recuperação mais significativa das economias dos EUA e da Europa, que são grandes consumidores de manufaturados, deverá proporcionar maior ritmo de crescimento na China, porém, longe de sua média histórica de 9,3% ao longo das últimas três décadas”.

Segundo a Austin, embora seja menor ante o visto no passado, a taxa de crescimento na China segue robusta em relação aos demais países emergentes. “Isso porque a China tem adotado medidas contracionistas para controlar a taxa de inflação que, aliás, subiu nos últimos anos, bem como a necessidade de absorver os impactos urbanos do processo de êxodo rural com efeitos diretos dessa mão de obra entrante no mercado de trabalho”, pontua a Austin Ratings.

Na América Latina, a consultoria diz que a vitória do candidato da oposição nas eleições presidenciais na Argentina deve acirrar as relações comerciais no Mercosul em virtude do presidente eleito, Maurício Macri, já ter declarado ser contrário a permanência da Venezuela no bloco.

A base de sustentação das projeções está se alterando. Nos últimos anos, a base do crescimento econômico brasileiro foi o mercado doméstico em virtude do cenário externo desfavorável. “Porém, recentemente os países que passaram pela crise financeira de 2008 e econômica de 2009, como EUA e Zona do Euro, já anotaram crescimento do PIB maior que do Brasil. Por outro lado, o Brasil tem anotado recorrentes desajustes em sua política econômica, como citado no parágrafo inicial, e com reflexos sobre toda atividade doméstica, com recessão em curso e risco de depressão econômica nos próximos anos”, diz a Austin.

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