UE aceita discutir “proposta concreta” de quebra de patentes de vacinas

A ideia ganhou força depois de ser defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas encontra resistências dentro do bloco europeu

Primeiro-ministro português, António Costa, ao lado do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a presidente da Comissão da União Europeia, Ursula Von der Leyen, e a comissária europeia para Coesão e Reformas, Elisa Ferreira. LUSA - ESTELA SILVA

da RFI

União Europeia disse neste sábado (8) estar disposta a discutir uma quebra das patentes das vacinas contra o coronavírus se “propostas concretas” forem colocadas sobre a mesa. A declaração foi feita pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, em uma reunião informal dos países-membros que acontece neste sábado em Porto (Portugal).

Na abertura do encontro, Michel salientou que a quebra de patentes “não é uma solução mágica a curto prazo”. A ideia ganhou força depois de ser defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas encontra resistências dentro do bloco europeu. Para Bruxelas, a produção de imunizantes nas indústrias existentes e a exportação, incluindo doações, das doses ainda é a melhor maneira de responder à demanda mundial pelos produtos.

“Nós pensamos que devemos estimular todos os nossos parceiros a facilitar as exportações para que tenhamos o maior número de doses administradas em todo o mundo”, afirmou Michel, que representa os 27 países do bloco. Ao contrário da UE, “a única democracia que exporta” imunizantes, nos Estados Unidos e no Reino as doses fabricadas permanecem nos próprios países, enquanto a maioria das suas populações não é completamente imunizada.

Na sexta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para “os anglo-saxões” pararem de “bloquear” as exportações de vacinas e ingredientes necessários para a sua produção, em nome da “solidariedade” mundial. E neste sábado, ele reforçou a mensagem, direcionada a Washington. “Peço claramente aos Estados Unidos que coloquem um fim às proibições  de exportações não apenas de vacinas como de insumos destas vacinas, que impedem a sua produção. A chave para produzirmos mais rápido vacinas para os países pobres e os países intermediários é produzir mais”, destacou. 

Nesta manhã, presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco acertou um novo contrato com a parceria BioNTech-Pfizer para a compra de até 1,8 bilhão de doses de vacinas contra o coronavírus. As entregas devem ocorrer a partir deste ano e podem se prolongar até 2023. O objetivo é proteger os europeus contra as novas variantes do coronavírus e vacinar crianças e adolescentes contra a Covid-19 nos próximos meses.

Papa critica “vírus do individualismo”

Também neste sábado, o papa Francisco declarou ser favorável a uma retirada temporária das patentes das vacinas antiCovid para acelerar o ritmo de produção e vacinação nos países pobres. O pontífice disse que o mundo foi contaminado pelo “vírus do individualismo” e condenou o “nacionalismo estreito que impede a internacionalização das vacinas”.

A declarações foram dadas em uma mensagem de vídeo divulgada no concerto virtual “Vax Live”, para arrecadar fundos para promover acesso aos imunizantes aos países que ainda tem dificuldades para iniciar uma campanha em massa de vacinação.

“Uma outra variante é aquela quando colocamos as leis do mercado ou o mercado da propriedade intelectual acima das leis do amor e da saúde da humanidade”, acrescentou Francisco.

Com informações da AFP e Reuters

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