A entrevista de Lula – 3, por Luis Nassif

Sobre o dia 24

Tenho que viajar para Etiópia a convite da União Africana, para um debate sobre as melhores experiências de combate à fome no mundo. Teria que sair daqui no dia 26, porque a palestra é no dia 28.

Não sei se vou ou não a Porto Alegre.

Como réu, não vou ficar participando de manifestações. O que espero é que o PT e os que quiserem me ajudar divulguem o máximo que puder o processo, a acusação e o direito. Que debatam nas faculdades de direito no Brasil inteiro. Está sendo feito material em inglês e espanhol. O mundo precisa saber o que está acontecendo.

Meus acusadores vão ficar ridicularizados.

Às vezes fico tentando encontrar modelo de processo para comparar ao meu. O mais forte que me vem à cabeça é a invasão do Iraque. O Bush sabia que o Iraque não tinha armas químicas, assim como o Toni Blair. Sustentaram a mentiram e conseguiram invadir um país por conta de uma mentira.

E o Sadam Hussein é outro exemplo. Durante tantos anos ele contou mentiras para aquele povo, adorava blefar com história de armas químicas. Ele acreditava na própria mentira e não teve coragem de chamar a agência internacional para dizer que não tem armas e acabe com isso. E ele não teve coragem. Ele preferiu ser achado em um buraco como um rato do que admitir para o povo que mentiu e não tinha arma.

Ele tinha um poço de petróleo, descoberto pela Petrobras, com 80 bilhões de barris. Quando Petrobras descobriu, logo ele deu um chega pra lã para a Petrobras, trocou por exportação de Passat. Poderia ter construído um país. Preferiu destruir e se enterrar em um buraco.

Comparo essas mentiras ao que o MPF e PF contaram a meu respeito e Moro aceitou.

Se eu não acreditar na democracia, o que vou fazer? Propor luta armada na minha idade? Prefiro continuar acreditando na Justiça.

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