Abre-se caminho para Lula ser candidato, por Helena Chagas

 
Jornal GGN – A jornalista Helena Chagas publicou artigo em Os Divergentes avaliando que os sinais que o Supremo Tribunal Federal tem emitido sinais que “abrem caminho” para um futuro recurso de Lula para manter sua candidatura à presidência mesmo depois de condenado em segunda instância.
 
Ela cita as decisões do ministro Gilmar Mendes, que suspenseu o uso de condução coercitiva em fase investigativa e, também, o julgamento da 2ª Turma, que retirou processos contra políticos das mãos do juiz Sergio Moro.
 
Na visão de Chagas, a Lava Jato já não é mais a mesma nem para o Judiciário, nem para a opinião pública. Não é suficiente para dizer que o Supremo deve frear a operação de uma só vez. Mas uma maioria está se formando entre os ministros para não mais tolerar abusos.
 
Por Helena Chagas
 
Em Os Divergentes
 
 
O infortúnio forja as alianças mais inesperadas. A defesa do ex-presidente Lula saudou com nota a decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender, por liminar, as conduções coercitivas – um dos principais instrumentos usados pela Lava Jato desde seu início. A decisão do plenário do STF de mandar para a Justiça Federal de Brasília – e não para o juiz Sergio Moro – os processos desmembrados dos peemedebistas “quadrilhão” do PMDB também foi vista como um bom sinal pelos petistas.
 
Não que alguém acredite na possibilidade de ver algum dia Gilmar, diretamente, salvar o ex-presidente em algum recurso. Sua atitude dos últimos dias vem sendo atribuída sobretudo à saraivada de denúncias de que foi alvo nas revistas semanais. Mas a aliança entre Gilmar, o ex-petista Dias Toffoli e o ministro indicado por Lula Ricerdo Lewandowski – que vêm votando de forma muito parecida na segunda turma, no sentido de rever decisões da Lava Jato, isolando o relator Edson Fachin – vem animando muita gente, e aí não só no PT.
 
Apesar da divisão cada vez mais acirrada da Corte, quase sempre arbitrada pelo voto final da presidente Cármen Lúcia, o conjunto da obra dos últimos dias vem apontando uma clara desidratação da Lava Jato modelito Curitiba. Num dia, quatro denúncias contra politicos arquivadas, no outro a suspensão da condução coercitiva, sem falar na soltura de presos, incluindo aí Adriana Ancelmo, que voltou ao regime domiciliar.
 
Não se pode dizer, pelo menos ainda, que o STF esteja desmontando a Lava Jato. Os bate-bocas entre Gilmar e o ministro Luiz Roberto Barroso, sempre do outro lado, não dão margem para que se diga isso. “Eu vi a mala”, disse Barroso no embate desta terça, que ainda vai render muita exposição na mídia.
 
Mas agora há, pelo menos para Gilmar e os petistas, um adversário em comum: a Lava Jato, que quer pegar todo mundo e evitar a todo custo uma mudança na interpretação sobre a prisão após a condenação em segunda instância.
 
O clima no Supremo está mudando, sobretudo depois daquela decisão que permitiu ao plenário do Senado revogar as medidas cautelares impostas contra o senador Aécio Neves. E Curitiba já não está mais com essa bola toda – nem junto à Corte Suprema, e nem junto à opinião pública.
 
Abre-se o caminho para um futuro recurso de Lula ao STF para manter sua candidatura à presidência mesmo depois de condenado pelo TRF-4.

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