Advogado de filho de Lula denuncia manipulação, omissão e vazamento da revista Época

A defesa de Luis Cláudio Lula da Silva desmentiu que o filho do ex-presidente “não consegue explicar como ganhou R$ 2,5 milhões de consultor” em contrato
 
 
Jornal GGN – Após solicitar ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que investigue os vazamentos de arquivos em sigilo na Justiça Federal do Paraná, a defesa do filho do ex-presidente Lula, Luis Cláudio Lula da Silva, afirmou neste sábado (14) que a suspeita de vazamento se confirmou na reportagem “Ainda Faltam explicações“, da revista Época desta edição.
 
“Época dá mostras de ter esquecido os Princípios Editoriais do Grupo Globo do qual faz parte”, disse em nota oficial o advogado Cristiano Zanin Martins, que repudiou a “tentativa de manipulação de documentos vazados de uma investigação policial na qual Luís Cláudio já prestou todos os esclarecimentos e afastou qualquer ligação com os possíveis ilícitos investigados”.
 
A revista, que fechou a sua redação nesta sexta (13) mais tarde para fazer a cobertura dos atentados terroristas ocorridos em Paris, na França, acabou utilizando o drama vivido pela cidade-luz como capa da edição que foi às bancas neste sábado.
 
Não fossem os atentados, o destaque da revista mirava no “exclusivo” – “O depoimento de Luis Cláudio, filho de Lula, sobre seu negócio de R$ 2,5 milhões com um consultor preso na Papuda”. De acordo com a reportagem, o filho do ex-presidente “não consegue explicar como ganhou R$ 2,5 milhões de consultor”, afirmando que “admite que cifras pagas eram absurdas”. 
 
Alguns trechos da reportagem:
O depoimento de Luís Cláudio aos investigadores da Polícia Federal de Brasília estava em segredo de Justiça. A decisão foi decretada pela desembargadora do TRF da 1ª Região, Neuza Alves, que assegurou o sigilo. Além das informações prestadas, no dia 4 de novembro, das quais a revista admite ter “obtido com exclusividade”, estavam protegidos os documentos apreendidos pela PF, no dia 26 de outubro, durante a fase da Operação Lava Jato que envolveu o filho de Lula.
 
A suspeita do vazamento ilegal pelos advogados ocorreu no final da tarde desta sexta-feira (13), véspera da impressão, quando a revista decidiu ouvir a defesa de Luís Cláudio. Ao ser questionado pelos repórteres, o advogado Cristiano Zanin Martins entrou com uma representação ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo que fosse investigado o acesso dos jornalistas aos dados em sigilo.
 
De acordo com Martins, o documento exige uma identificação apenas dos advogados da defesa, seguida de uma verificação se eles possuem instrumento de procuração no processo. As únicas informações prestadas pela revista, após consultar a defesa de Luís Cláudio, informou que o “profissional da área privada já prestou às autoridades todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados”. 
 
Após questionar ao Ministério da Justiça o descumprimento da decisão da juíza do TRF da 1ª Região, a resposta completa da defesa do filho de Lula foi encaminhada em nota. 
 
Em primeiro lugar, o advogado desmente que Luís Cláudio afirmou que “nunca havia feito um projeto parecido ao que entregou à Marcondes & Mautoni”. “A afirmação que consta no depoimento vazado à revista é que o trabalho entregue ao contratante foi original, pois não havia sido feito anteriormente para outro cliente, considerando que o objeto do estudo se dá em situação nova para o próprio país, caso da preparação do Brasil para os megaeventos, como a Olimpíada de 2016, onde conta a experiência dos demais países na execução desse tipo de evento”.
 
Cristiano Zanin Martins também informa o filho de Lula esclareceu “todos os serviços prestados à Marcondes & Mautoni e, no dia seguinte, entregou à Polícia Federal, por intermédio de seus advogados, todos os contratos firmados com tal empresa e, ainda, todos os materiais relativos aos trabalhos realizados”, e que “a própria revista confirma que também no caso dos contratos estes foram vazados”.
 
Sobre a comprovação de que os serviços foram prestados, Martins adiciona que há o “detalhamento das horas trabalhadas e da data do contrato”, além de relatórios que comprovam particularidades da negociação, entregues aos investigadores da PF, dos quais os jornalistas também poderiam ter acesso. O advogado completa que “não tratar do detalhamento e especificação do ‘lucro líquido’ não parece ser questão central à comprovação da veracidade das informações prestadas no depoimento”.
 

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