Aécio pressionou Temer a fazer ‘mea culpa’ e trocar diretor da PF

Recém nomeado por Temer ao Supremo, Alexandre de Moraes teria conhecimento das pressões
 
 
Jornal GGN – Em mais uma prova de tentativa de obstrução da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado admitindo ter pressionado o atual presidente da República, Michel Temer, a trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Também no diálogo, o político indica que Alexandre de Moraes, recém empossado no Supremo Tribunal Federal (STF), tinha conhecimento das pressões do governo contra a Lava Jato.
 
“Foi uma cagada generalizada, mas eu tô, tô querendo apertar de novo amanhã, amanhã, o Michel nessa história. Acho que o Brasil tem que fazer uma operação, tem que fazer uma ‘mea culpa’ pra dar pelo menos mais um instrumento pros negociadores novos, pros embaixadores, pros diplomatas novos. O cara da Polícia Federal chegar e cair, né. Dizer o seguinte: ‘foi um erro de avaliação e tal, eram questões pontuais que não afeta, né, um ‘mea culpa’ do Brasil que o Michel não teve culhão de cobrar do cara pra fazer. [Eu] tava cobrando isso hoje lá, falar com ele pra fazer…” [sic], disse Aécio.
 
A declaração do senador tucano foi dada a Joesley Batista, dono da JBS, em encontro com o parlamentar no dia 24 de março deste ano, no hotel Unique, em São Paulo, e foi anexa ao acordo de delação premiada do grupo, nos autos da acusação contra Aécio no Supremo Tribunal Federal (STF).
 
A proposta do tucano era aproveitar os efeitos da Operação Carne Fraca no governo para admitir erros, mas apontar que foram pontuais e responsabilizar, por exemplo, a própria Polícia Federal, com a demissão do diretor-geral do órgão.
 
O senador ainda aparece na conversa criticando o então ministro da Justiça de Michel Temer, Osmar Serraglio, dizendo que ele não atua contra os avanços da Lava Jato: 
 
“O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede para sair, Michel é doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo [em encontro do o presidente]. Mandou um cará lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse… Porque aí mexia na PF. O que vai acontecer agora? Vai vim inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não tem o cara que vai distribuir para o delegado”, afirmou, exaltado.
 
Depois, Aécio admitiu que poderia entrar na mira das investigações, concordando com Joesley, ao dizer que o diretor da Polícia Federal deve estar “alinhado”.
 
Outra acusação deflagrada na conversa de Aécio foi relacionada à nomeação do ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sem citar diretamente que se tratou de uma medida do presidente da República com algum interesse no âmbito da Operação Lava Jato ou de interferir no Judiciário em favor do mandatário e de aliados, sinalizou que Moraes tinha conhecimento das pressões de Aécio e Temer.
 
“E o Michel… Então nesse jogo nosso, ele teve um jantar ontem, falei Michel… Estava o Trabuco [Luiz Trabuco, presidente do Bradesco], tava o Pedro, … todos pressionando combinado com a gente”, contou Aécio, no dia 24 de março.
 
“Mas o que teve?”, perguntou Joesley, querendo saber sobre o encontro. “O negócio do [Alexandre] Moraes”. “Pressionaram. A polícia tem que fazer um gesto. Errou. Não adianta os caras ficarem falando que não, a Polícia Federal tem que falar: ‘Ó, realmente foi um erro do delegado que, enfim, não dimensionou a porra. Era um negócio pontual [a Operação Carne Fraca], em três lugares, já está contido e tal”, contou.
 
O ministro havia estreado nas sessões de julgamento do STF no dia 23 de março, participando de seu primeiro julgamento. Questionado pela Folha de S. Paulo, a assessoria do Bradesco confirmou que Trabuco esteve com Aécio no dia 24, em encontro que também reuniu o presidente do BB, Paulo Caffareli, para discutir a mudança na Presidência da Vale. 
 
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