Agentes públicos só vazaram dados da Lava Jato em 1 caso, diz Dallagnol

Para Dallagnol, o único vazamento ocasiado por pessoas de dentro da Lava Jato foi o que envolveu o blogueiro Eduardo Guimarães. Curiosamente, é o único vazamento que ocorreu para um veículo da imprensa alternativa e também é o único investigado
 
Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal que atua na Lava Jato, disse, em entrevista à BBC Brasil, que foram poucos os verdadeiros vazamentos seletivos à imprensa e indicou que só um caso teria partido de dentro da estrutura da operação: o que envolve o blogueiro Eduardo Guimarães.
 
“Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram. Para não dizer que não vazaram, vazaram em apenas um caso e com dedicação e alguns lances de sorte foi possível identificar a origem do vazamento. Era uma auditora da Receita Federal, que foi identificada, foi alvo de buscas e apreensões, levada a depor e o depoimento dela permitiu esclarecer de onde saiu o vazamento”, disse Dallagnol.
 
Eduardo Guimarães é investigado por ter recebido de um jornalista de Curitiba informações sobre ações da Lava Jato contra o ex-presidente Lula no âmbito da operação Aletheia, incluindo quebra de sigilos das empresas do petistas e de seus familiares.
 
O jornalista repassou as informações a Guimarães após ter tido acesso à lista de alvos de quebra de sigilo, que teria sido obtida pela funcionária da Receita. Para criar o elo entre as três partes, a Lava Jato quebrou os sigilos do editor do Blog da Cidadania, com autorização de Sergio Moro. O juiz entendeu que Guimarães não é jornalista, mas um comerciante com pretensões políticas.
 
Neste processo, a Lava Jato desconfia que Guimarães integrou uma organização criminosa que vazou informações da Aletheia para alertar a equipe de Lula e ajudar na eventual obstrução de provas. 
 
Para Dallagnol, esse foi o único vazamento ocasiado de dentro da Lava Jato. Curiosamente, é o único que ocorreu para um veículo de imprensa alternativo e também é o único vazamento investigado.
 
Segundo o procurador, se houve mais vazamentos, a culpa pode ter sido dos advogados. 
 
“Existem muitos casos em que os réus e seus defensores têm acesso à informação mantida de modo confidencial. Isso acontece especialmente nos casos de acordos de colaboração. Nesses casos, essas pessoas privadas, com acesso a informação, podem vazar aquela informação voluntariamente, ou podem resguardar a informação sem atentar para os cuidados que devem revestir informações sigilosas. E isso pode implicar nos vazamentos”, comentou.
 
Ainda de acordo com o procurador, “quando acontece um vazamento numa situação como essa”, geralmente com trechos de delações sendo usados pela grande mídia, “existe um universo de pessoas grande que poderia ser a possível origem do vazamento, e é muito difícil identificar qual é o ponto. Porque se você ouvir essas pessoas, elas vão negar.”
 
Mas não seria, ainda assim, o caso de “ouvir o jornalista em relação a quem lhe passou a informação porque existe, no Brasil, e deve existir, o direito ao sigilo de fonte. Não se cogita criminalizar a atividade do jornalista, nem (impor ao) jornalista uma medida como busca e apreensão, quebra de sigilo de dados, ou colheita de depoimento, porque a imprensa deve ser protegida numa democracia.”
 
Dallagnol concluiu dizendo que “não existem diligências ou medidas eficientes para se descobrir a origem do vazamento na maior parte desses casos”, justamente por causa da proteção a jornalistas.
 
Leia a entrevista completa aqui.
 
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