Alessandro Vieira pede prisão de Dominguetti após depoimento

Vendedor usa gravação de Miranda para liga-lo à negociação de vacinas; deputado apresenta ata notarial mostrando que registro abordava negociação de luvas

Pedro França/Agência Senado

Jornal GGN – Após ouvir o cabo policial Luiz Paulo Dominguetti, representante da empresa Davati Medical Supply, o senador e delegado de polícia Alessandro Vieira (Cidadania-SE) fez a solicitação de uma possível prisão em flagrante por falso testemunho à CPI da Pandemia.

Para formatar sua colocação, Vieira apresentou ao Senado Federal a ata notarial produzida por cartório em Brasília, onde o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) apresentou todo o conteúdo dos diálogos, áudios, prints e conversas que Dominguetti afirmou se tratar de negociação em torno da intermediação de vacinas.

As gravações, na verdade, foram registradas em setembro de 2020 e tratavam da venda de luvas. Questionado sobre a gravidade de tal fato, Dominguetti desconversou e disse que a interpretação de que o assunto seria a compra de vacinas foi feita exclusiva e pessoalmente por ele, por conta da forma como tal material lhe foi enviado.

“Em 1992, essa casa, o Congresso Nacional presenciou uma CPI e um dos fatos mais marcantes daquela CPI foi um negócio que ficou conhecido como Operação Uruguai. A Operação Uruguai foi justamente o comparecimento de um cidadão à CPI para tentar, de forma fantasiosa, tirar o foco daquela investigação daquilo que era apurado na época”, disse Vieira, afirmando que Dominguetti se prestou a um papel semelhante.

“O senhor fez uma denúncia gravíssima, que não foi negada pelo governo, de que se exigiu pagamento de propina para a compra de vacinas. Eu não vou entrar no mérito se tem estelionato atrás disso, se tem picaretagem atrás disso, isso vai ser muito fácil demonstrar”, pontua o senador. “Mas, ao mesmo tempo em que o senhor faz essa denúncia, nesse intervalo de tempo que o senhor faz essa denúncia ao jornal Folha de São Paulo e o seu comparecimento nessa CPI, o senhor acrescenta muito rapidamente e isso é instantaneamente viralizado pelas redes automatizadas que atuam para esse grupo político, uma tese de que nós teríamos na verdade uma briga de gangues entre fornecedores de insumos de vacinas”.

De acordo com o senador, será preciso entrar no detalhe das quebras de sigilo e das análises para compreender o que realmente aconteceu no Ministério da Saúde. “No momento mais grave do país, as pessoas que ali estavam, estavam negociando dinheiro em insumos que custaram a vida dos brasileiros. Isso é de uma gravidade absurda. Nós temos um presidente da República que não tem a capacidade de desmentir a denúncia. esse é o nível que o brasil chegou e o senhor se prestou a um desserviço para a nação”, finalizou Vieira.

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