Amigo de Moro acusado de tráfico de influência e propina deve ser investigado, defende Damous

Foto: Agência Senado
 
 
Jornal GGN – O advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal de Sergio Moro, deve ser investigado sob a acusação de ter praticado tráfico de influência e cobrado propina para fechar um acordo de delação em favor de Rodrigo Tacla Duran com a equipe da Lava Jato em Curitiba. É o que defende o deputado federal Wadih Damous, do PT.
 
No domingo (27), a jornalista Mônica Bergamo revelou que os bastidores do acordo de delação que acabou fracassando será revelado por Duran em um livro que ele promete lançar nos próximos meses. Ex-advogado da Odebrecht, Duran é tratado pelos procuradores da equipe de Deltan Dallagnol como doleiro, pois utilizou inúmeras contas que mantém no exterior para lavar dinheiro de empresas que participaram dos desvios na Petrobras, entre outros esquemas.
 
Acusado de lavagem e formação de organização criminosa, Duran tentou negociar com o Ministério Público Federal. Segundo ele, o amigo de Moro ofereceu seus “contatos” para intermediar a proposta. Quando conseguiu um termo próximo do que Duran almejava, solicitou que um terço de seus honorários fossem pagos “por fora”, para que ele pudesse repassar o dinheiro às pessoas que atuaram nos bastidores.
 
Quando o escândalo veio à tona, o juiz de Curitiba entrou em contato com Zucolotto e publicou uma nota defendendo o amigo, que também foi sócio de Rosangela Moro em um escritório de advocacia – a esposa só deixou a parceria em 2016, quando denúncias começaram a preocupar a empresa.
 
Para Damous, os fatos relatados por Duran “são de extrema gravidade” e há inúmeros motivos para os procuradores, o juiz Moro e Zucolotto serem investigados. “Caso se lhes aplique o método que eles mesmos criaram de acusar e julgar, deveriam ser presos imediatamente. Entendo que o Ministério Público, não o do Paraná, por óbvio, e o Congresso Nacional devem investigar esses fatos. Eles põem sob suspeita toda a operação Lava jato”, comentou.
 
Leia a íntegra da nota:
 
Os fatos relatados por Duran são de extrema gravidade
 
1- Pelo relato, resta incontestável que Moro e Zucolotto são compadres e amigos íntimos e que Zucolotto é ex-sócio da Rosangela Moro (muito estranho ela ter saído do escritório em 2016 quando começaram as primeiras denúncias);
 
2- De acordo, ainda, com o relato, Zucolotto praticou crimes de tráfico de influência, tráfico internacional de influência, fraude processual e obstrução à Justiça. Se verdadeiros os fatos, Moro e os procuradores seriam cúmplices e por isso precisam ser investigados;
 
3- Causa profunda estranheza que o juiz Sérgio Moro assuma a defesa enfática de Zucolotto. Causa espécie que o juiz tenha entrado em contato direto com o amigo para enviar uma resposta à Folha de São Paulo.
 
4- Os procuradores não deram qualquer explicação até o momento;
 
5- Duran, na verdade, é um doleiro. Por que teria relações com o Zucolotto? Moro diz que ele foi contratado para tirar cópia de um processo. Soa estranho dizer que um doleiro contrata alguém em Curitiba para tirar cópia de processo
 
6- Moro rejeitou a denúncia que o MPF apresentou contra o Duran;
 
7- Lula foi condenado por Moro com base na palavra de um criminoso e delator informal – que sequer prestou o compromisso de dizer a verdade.
 
Em síntese, Moro e os procuradores confinaram diversos acusados na cadeia. Caso se lhes aplique o método que eles mesmos criaram de acusar e julgar, deveriam ser presos imediatamente. Entendo que o Ministério Público, não o do Paraná, por óbvio, e o Congresso Nacional devem investigar esses fatos. Eles põem sob suspeita toda a operação Lava jato.
 
Wadih Damous – deputado federal e ex-presidente da OAB

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