Apenas delações da Odebrecht, inclusive sobre PSDB, são sigilosas no TSE

Jornal GGN – O ministro Herman Benjamin, relator da ação no Tribunal Superior Eleitoral que visa a cassação da chapa Dilma-Temer, se viu obrigado a aceitar o sigilo imposto pelo Supremo Tribunal Federal nos depoimentos de empresários da Odebrecht, determinado a pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Segundo informações do Estadão, todo o resto do processo que pode derrubar Temer é público e está disponível no site do TSE (AIJE 1943-58), com exceção das falas de Marcelo Odebrecht e outros executivos que detalharam doação via caixa 2. O ministro optou pela “transparência”.

Na semana passada, a imprensa publicou, com ajuda de vazamentos das audiências comandadas por Benjamin, que Odebrecht denunciou não apenas doações irregulares à chapa vitoriosa como também a outros partidos concorrentes, como o PSDB de Aécio Neves. No entanto, esse trecho que não está relacionado com a cassação de Temer não deverá constar nos autos.

Segundo a reportagem do Estadão, se Benjamin fosse aguardar o levantamento do sigilo da delação da Odebrecht para fazer as audiências no TSE, a ação levaria muito tempo para ser concluída. Por isso, ele teria avisado a Janot e ao relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, que faria as oitivas mesmo com o sigilo.

O jornal ainda informou que o ministro do TSE ficou pasmo com o teor das revelações de Odebrecht. Um dos delatores, Hilberto Mascarenhas, responsável direto pela contabilidade clandestina da Odebrecht, foi o que mais chamou a atenção de Benjamin, por ter cuidado minuciosamente de todo o volume de propina movimentado pela empreiteira. Nem a cúpula da Odebrecht sabia que ele guardava tantos detalhes das doações.

O delator BJ, Benedicto Júnior, que trouxe à tona doações ao PSDB, disse ao ministro do TSE “que o que está correndo agora é que empresas não implicadas na operação Lava Jato estão procurando os políticos para dizer que estão dispostas a cobrir o recuo da Odebrecht, e de outras distribuidoras de propinas.”

Para Benjamin, a Odebrecht e sua relação com o governo mostra a “apropriação do poder público pelo poder privado”.

Nesta segunda (6), Gilmar Mendes, presidente do TSE, tentou jogar panos quentes nas delações. Disse que elas não eram necessárias para se ter conhecimento da “promiscuidade” que circundava os governos das últimas décadas.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora