Aras barrou, na semana passada, tentativa da Lava Jato destinar milhões da J&F à fundação

A J&F estava prestes a depositar R$ 270 milhões a uma fundação criada com a ajuda da Transparência Internacional. PGR classificou como "desvio de finalidade"

Procurador-Geral da República, Augusto Aras - Foto: Isac Nobrega/PR

Jornal GGN – O procurador-geral da República, Augusto Aras, barrou o que seria uma nova tentativa de transferência de milhões de reais de grupo condenado pela Lava Jato a uma fundação que estava sendo criada pela força-tarefa de Brasília, com a ajuda da Transparência Internacional.

A J&F estava prestes a depositar R$ 270 milhões a uma fundação que teria o mesmo objetivo da que seria coordenada por Deltan Dallagnol, denunciada anteriormente. Em documento assinado por Aras, obtido pelo Consultor Jurídico, o PGR classificou o repasse como “desvio de finalidade” e impediu a transferência.

Apesar de ser exposto pela imprensa no mês de novembro, a tentativa de criação da fundação com os repasses de réus da Lava Jato, desta vez pela força-tarefa de Brasília, não paralisou. A holding da JBS estava transferindo a quantia milionária nesta quinta-feira (03).

Mas Aras imediatamente alertou a coordenadora da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão, Maria Iraneide Olinda Santoro Facchini, afirmando que se tratava de um desvio, uma vez que o destino das quantias deveria ser depositado ao Fundo de Direitos Difusos da Justiça ou imediatamente revertidos à União.

No documento, ainda, Aras comparou a medida à tentativa de criação de uma fundação pela Lava Jato de Curitiba, no início do ano, que seria coordenada por Dallagnol e que estipulava o recebimento de R$ 2,5 bilhões da Petrobras, como multas relacionadas aos processos.

A parceria da Lava Jato com a ONG Transparência Internacional vem desde 2017, quando procuradores do Distrito Federal assinaram um memorando na chamada Operação Greenfield, que atingiu a J&F, fechando um acordo de delação e leniência com o grupo. A ONG decidiu colaborar com o desenho e estruturação do sistema de governança dessa fundação “para atender a imposição de investimentos sociais”. O caso foi exposto em reportagem da Agência Pública em setembro.

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5 comentários

  1. Ué, mas a “Operação Greenfield” que trata de desvios de fundos de pensão não atingiria o Guedes? Constava que até a haviam suspendido por essa razão. Ou não?

  2. Se alguém se propõe a destruir o país deve conseguir dinheiro lá fora, como fez o moro.
    E olhe que para “eles” ficou baratíssimo. Acho que tudo que pagarem para estes colaboradores ainda é pouco. Os milhões de dólares que o moro vai receber agora é uma esmola perto do serviço que ele prestou.
    Destruíram o país sem gastar um grama de pólvora. Isto não tem preço (em dólares).

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