Aras diz que Bolsonaro é ‘vítima’ e que irá direcionar investigação solicitada por Moro ao MPF do Rio

'Não havendo indícios da participação de autoridades de foro, quem tem prerrogativa de investigar é a Polícia Federal e o MPF do Rio', afirma PGR

Jornal GGN – Em entrevista ao blog de Andréia Sadi, do G1, o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que irá encaminhar o pedido de Sergio Moro, para investigar o depoimento que liga Bolsonaro aos assassinos de Marielle, ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e Polícia Federal.

Hoje (30) de manhã, o ministro da Justiça enviou à PGR um pedido à abertura de um inquérito para investigar o depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, o mesmo onde mora o presidente da República, Jair Bolsonaro, e também Ronnie Lessa, um dos principais suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

O porteiro disse à Polícia Federal que, horas antes do crime, no dia 14 de março de 2018, outro suspeito de ter matado Marielle, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio dizendo que iria para a casa do então deputado federal Jair Bolsonaro. Registros de presença da Câmara dos Deputados mostram, porém, que Bolsonaro estava em Brasília, naquele dia.

Para Augusto Aras, Bolsonaro é vítima. “Não havendo indícios da participação de autoridades de foro – pois o presidente é vítima, não é investigado, não é réu, nem nada – quem tem prerrogativa de investigar é a Polícia Federal e o MPF do Rio. Recebi hoje e vou enviar para o MP Federal do Rio”, disse o procurador.

O depoimento do porteiro foi divulgado em reportagem do Jornal Nacional, exibido nesta terça-feira (29). O veículo diz que teve acesso, com exclusividade, a registros da portaria do condomínio que fica na Barra da Tijuca, no Rio, que mostram que Élcio Queiroz esteve no local, no mesmo dia do assassinato de Marielle, afirmando que faria uma visita à casa de Bolsonaro.

No ofício, Moro pediu para que a investigação fosse realizada pelo Ministério Público Federal, e colocou sob suspeita a idoneidade das investigações sobre o caso de Marielle em curso no Rio de Janeiro.

Segundo o ministro, “eventual tentativa de envolvimento indevido do nome do Presidente da República no crime em questão”, “pode configurar crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho ou denunciação caluniosa, neste último caso tendo por vítima o Presidente da República, o que determina a competência da Justiça Federal e, por conseguinte, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”.

Denúncia semelhante contra Bolsonaro foi arquivada no STF

Ara contou ao jornal Folha de S.Paulo, que o Supremo Tribunal Federal e a PGR já arquivaram uma notícia sobre esse mesmo fato, enviada para a Corte pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A procuradoria carioca informava sobre a existência da menção ao nome de Bolsonaro na investigação sobre os assassinatos de Marielle e Anderson.

Aras chamou a divulgação do episódio de “factoide” e confirmou, novamente, ao jornal, que irá remeter o pedido de Moro, para investigar o depoimento do porteiro, ao Ministério Público Federal do Rio.

“Por si só, a notícia de fato [que chegou ao Supremo] já encerrava a solução do problema”, disse Aras nesta quarta-feira (30). “[O arquivamento ocorreu] porque não tinha nenhuma hipótese [de investigação do presidente] a não ser a mera comunicação [ao STF]”, afirmou.

“O que existe agora é um problema novo, o factoide que gerou um crime contra o presidente”, disse o procurador-geral.

Aras reforçou que a próprio MP do Rio incluiu no pedido de investigação o registro da Câmara dos Deputados que mostrava que Bolsonaro estaria em Brasília, no dia 14 de março de 2018.

Ele disse ainda que “não há menção ao presidente” em gravações de ligações entre a portaria do condomínio Vivendas da Barra e as casas apontadas pelo porteiro.

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