As acusações que recaem contra Bannon no desvio de mais de US$ 1 milhão

Dinheiro manteve despesas pessoais de luxo de Bannon e demais réus, incluindo a compra de um barco, um SUV de luxo, joias e cirurgia estética

Jornal GGN – A investigação que prendeu o ex-estrategista da campanha eleitoral de Donald Trump de 2016, Steve Bannon, líder de movimentos de ultra-direita -com especial apoio à família Bolsonaro- o acusa de orquestrar um esquema que fraudou “centenas de milhares de doadores” da campanha de crowdfunding online chamada “We Build the Wall” (Nós Construímos o Muro), que arrecadou mais de US$ 25 milhões para construir um muro na fronteira com o México.

A acusação, obtida pelo GGN, mostra que Bannon e outros três auxiliares fizeram uso pessoal dos montantes doados, sem ter sido usado para a finalidade da campanha. Um destes assessores, Brian Kolfage, retirou “secretamente” mais de US$ 350 mil dos fundos de doação para uso pessoal, e Bannon “recebeu mais de US$ 1 milhão”. O retiro destes fundos contou com um esquema de lavagem de dinheiro, utilizando contas de organizações sem fins lucrativos e uma empresa de fachada sob o controle de outro auxiliar, Timothy Shea.

Segundo os promotores, os repasses foram feitos com pagamentos confidenciais, emissão de notas falsas e fornecedores fantasmas, além da criação de fundos em contas bancárias exclusivas para o desvio. O principal auxiliar da campanha de crowdfunding, Brian Kolfage, foi acusado de receber um salário de US$ 100 mil adiantado e US$ 20 mil mensais, pago secretamente, durante 10 meses.

“Na verdade, embora We Build the Wall tenha gasto dinheiro na construção de um muro de fronteira, centenas de milhares de dólares foram desviados de We Build the Wall para uso pessoal e benefício de [Brian] KOLFAGE, [Steve] BANNON, [Andrew] BADOLATO e TIMOTHY SHEA”, escreveram.

O pagamento do salário de Kolfage foi confirmado por mensagens trocadas entre réus, obtidas pelos investigadores.

“Para preservar o sigilo do acordo para pagar BRIAN KOLFAGE, réu, com os fundos de doadores da We Build the Wall, STEPHEN BANNON, réu, concordou em repassar os pagamentos de We Build the Wall para KOLFAGE por meio da [empresa] Non-Profit-1, que, conforme mencionado acima, era controlada por BANNON, com a assistência de ANDREW BADOLATO, réu, e outros. Ao aprovar esse acordo, BANNON deixou claro em uma mensagem de texto para BADOLATO que não haveria ‘nenhum negócio que eu não aprovo’ e ordenou que KOLFAGE fosse pago indiretamente por meio de organizações sem fins lucrativos, em uma tentativa de ocultar os pagamentos, não obstante o fato de que KOLFAGE nunca trabalhou para Non-Profit-1 e que os pagamentos de Non-Profit-1 para KOLFAGE seriam financiados pela We Build the Wall.”

“Mensagens de texto trocadas entre BANNON e BADOLATO confirmam que o pagamento era destinado a um salário para KOLFAGE e que seria financiado pela We Build the Wall. Em particular, nos dias anteriores ao pagamento, BANNON ordenou, em uma mensagem de texto a BADOLATO, fazer uma “transferência de dinheiro para [Non-Profit-1]” da We Build the Wall e, logo depois, a conta bancária da organização Non-Profit-1 recebeu uma transferência de US$ 250.000 da We Build the Wall. Não mais de uma semana depois, a mesma conta bancária foi usada para fazer uma transferência eletrônica de US$ 100.000 para KOLFAGE. Nos dois meses seguintes, BANNON pagou novamente KOLFAGE – em um salário mensal de $ 20.000, consistente com o acordo secreto que BANNON aprovou, conforme descrito acima.”

Os investigadores descrevem que, para ocultar os repasses, notas foram emitidas a empresas de fachada e os pagamentos a Kolfage seguiram por meio de outras organizações sem fins lucrativos ligadas aos acusados, como a Shell Company, criada por Timothy Shea em abril de 2019, segundo os promotores, para dissimular os repasses.

O esquema criado por Bannon e seus auxiliares resultou em mais de US$ 350 mil pagos a Brian Kolfage, entre janeiro a outubro de 2019. Já o ex-estrategista de Donald Trump e líder de movimentos de ultra-direita pelo mundo, Steve Bannon recebeu “mais de US$ 1.000.000 da We Build the Wall”.

Sustentou vida de luxo

Os investigadores traçaram o caminho do dinheiro e descobriram, ainda, que Kolfage utilizou o montante para “pagar suas despesas pessoais, incluindo, entre outros fins, reformas de casas, aquisição de um barco, um SUV de luxo, um carrinho de golfe, joias, cirurgia estética, pagamento de impostos pessoais e dívidas de cartão de crédito”.

Os demais acusados receberam “centenas de milhares de dólares em fundos de doadores da We Build the Wall, que cada um usou para pagar por um variedade de despesas pessoais, incluindo, entre outras coisas, viagens, hotéis, bens de consumo e dívidas de cartão de crédito pessoal”.

Sobre Bannon, os promotores também apontam que o ex-assessor eleitoral de Trump “usou uma parte substancial desses fundos de doações para usos pessoais e despesas não relacionadas ao We Build the Wall”.

“Nenhum desses pagamentos a BRIAN KOLFAGE, STEPHEN BANNON, ANDREW BADOLATO e TIMOTHY SHEA, réus, foi divulgado ao público. Ao contrário, os réus repetidamente e intencionalmente levaram os doadores a acreditar que suas doações não seriam usadas para benefício pessoal dos réus. Na verdade, como KOLFAGE observou a BADOLATO em uma troca de mensagem de texto, “até onde [o público] sabe ninguém está sendo pago” e os “salários nunca serão divulgados”.

Segundo os investigadores, Bannon e seus assessores cometeram fraude digital, violando a seção 1343, do título 18 do Código Penal dos Estados Unidos; declarações falsas, violando a seção 1349; obtiveram de forma ilegal as quantias, violando a seção 1957 do Código; ocultar e disfarçar a natureza ilícita do dinheiro, violando a seção 1956.

Os promotores solicitam que os réus percam o direito sobre “toda e qualquer propriedade, real e pessoal, que constitua ou seja derivada de receitas rastreáveis à prática do referido delito”. Nessa restituição, são listados um total de 11 fundos de contas bancárias que obtiveram os repasses dos desvios, um barco Warfighter e um carro Land Rover Range Rover 2018.

 


Leia a íntegra da denúncia:

u.s.-v.-brian-kolfage-stephen-bannon-et-al.-indictment-20-cr-412-0 (1)

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